Campo Grande (MS), Quinta-feira, 10 de Setembro de 2026

Justiça / Investigação

Operação de Dino sobre Dark Horse aumenta pressão por decisões de Mendonça no caso Master

Ministros conduzem investigações distintas sobre recursos destinados ao mesmo filme; PF agora apura se dinheiro de emendas chegou à produção sobre Bolsonaro

10/09/2026

13:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

A Operação Make Up, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), acrescentou um novo componente à pressão interna sobre o ministro André Mendonça, que ainda possui decisões pendentes em investigações relacionadas ao Banco Master e ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dino e Mendonça conduzem apurações diferentes, embora exista um ponto de encontro entre elas: o dinheiro destinado à produção cinematográfica.

Na investigação sob responsabilidade de Dino, a Polícia Federal (PF) procura saber se recursos públicos provenientes de emendas parlamentares foram desviados e chegaram ao filme. Já no processo conduzido por Mendonça, a apuração envolve recursos privados relacionados ao então banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

A coincidência está no destino investigado, mas as origens dos recursos e os procedimentos são distintos.

Mendonça homologa delação ligada a Vorcaro

Mendonça fez um movimento importante na quarta-feira (9) ao homologar o acordo de colaboração premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro.

Ligado a Vorcaro, o empresário apresentou informações sobre transferências destinadas a um fundo nos Estados Unidos relacionado ao financiamento de “Dark Horse”.

A homologação permite que as informações fornecidas pelo colaborador sejam utilizadas nas investigações, mas não significa que as declarações tenham sido consideradas verdadeiras ou que constituam prova suficiente por si mesmas. O conteúdo da colaboração precisa ser confrontado com outros elementos obtidos pelos investigadores.

Além dessa decisão, existem outras questões relacionadas ao caso Master aguardando manifestação de Mendonça.

Segundo a avaliação atribuída a integrantes do Supremo na reportagem original, o avanço da investigação conduzida por Dino aumenta a expectativa para que essas pendências sejam analisadas.

Investigação de Dino começou meses antes da crise no STF

Apesar de a Operação Make Up ter sido deflagrada em meio à crise envolvendo integrantes do Supremo e a cúpula da Polícia Federal, a investigação não começou nos últimos dias.

O procedimento sob relatoria de Dino já estava em andamento havia meses.

Em março de 2026, o ministro determinou que o deputado federal Mario Frias (PL-SP) apresentasse explicações sobre uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões destinada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB).

A entidade está ligada a Karina Ferreira da Gama, empresária relacionada à produtora responsável por “Dark Horse”.

PF tenta seguir caminho do dinheiro público

A Operação Make Up foi deflagrada nesta quinta-feira (10) para aprofundar justamente essa linha de investigação.

A Polícia Federal cumpre 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).

Entre os alvos estão Mario Frias, que participa de “Dark Horse” como roteirista e produtor-executivo, e pessoas e entidades relacionadas à produção.

A PF busca reconstruir o caminho dos recursos públicos e verificar se houve irregularidades na execução dos projetos que receberam as emendas.

Duas investigações chegam ao mesmo filme

O ponto central que aproxima os dois procedimentos é a tentativa de identificar como “Dark Horse” foi financiado e de onde partiram os recursos utilizados na produção.

Na investigação de Mendonça, o foco recai sobre dinheiro relacionado a Vorcaro e ao Banco Master. Na investigação de Dino, a questão é saber se recursos públicos originados de emendas parlamentares também chegaram, direta ou indiretamente, ao filme.

Até o momento, a utilização de dinheiro público para financiar “Dark Horse” permanece como hipótese investigativa e não como fato comprovado.

Com a Operação Make Up, a Polícia Federal pretende avançar justamente sobre essa questão: determinar o destino das emendas investigadas e verificar se existe uma conexão financeira comprovável entre esses recursos e a cinebiografia de Jair Bolsonaro.


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