Justiça / Banco Master
Filhos de Fux e Nunes Marques aparecem em relações no entorno do Banco Master
Reportagens apontam vínculos financeiros e sociais envolvendo filhos de ministros que votaram pelo afastamento de Andrei; não há evidência de influência nas decisões
08/09/2026
20:45
ICL
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO/IA
Dois dos três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que votaram nesta terça-feira (8) pela manutenção do afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, têm filhos mencionados em reportagens sobre relações financeiras ou sociais envolvendo pessoas e empresas ligadas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam o relator André Mendonça na Segunda Turma do STF, formando maioria provisória de três votos para referendar a medida que também afastou Leandro Almada da Diretoria de Inteligência da PF.
As situações envolvendo os familiares são diferentes. Kevin de Carvalho Marques, filho de Nunes Marques, recebeu pagamentos de uma consultoria que também recebeu recursos do Banco Master. Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, esteve em eventos dos quais Vorcaro participou.
Até o momento, não há evidência de que essas relações tenham influenciado os votos de Fux ou Nunes Marques sobre o afastamento da cúpula da Polícia Federal.
Segundo informações atribuídas a dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o escritório de Kevin de Carvalho Marques recebeu R$ 281,6 mil da Consult Inteligência Tributária, por meio de 11 transferências realizadas entre 2024 e 2025.
No mesmo período, a Consult teria recebido R$ 6,6 milhões do Banco Master, distribuídos em 14 operações, além de R$ 11,3 milhões da JBS.
De acordo com as informações publicadas, o Coaf teria identificado incompatibilidade entre a movimentação financeira e a capacidade econômica declarada pela consultoria, além de apontar a possibilidade de funcionamento como uma conta de passagem.
Os elementos divulgados, entretanto, não demonstram que os R$ 281,6 mil destinados ao escritório de Kevin tenham se originado dos valores transferidos pelo Banco Master. O que aparece nos registros relatados é que a Consult recebeu recursos do banco e, no mesmo período, efetuou pagamentos ao escritório.
Kevin afirmou que recebeu R$ 234,8 mil líquidos pela prestação de serviços de assessoria jurídica.
Outra relação apontada envolve o Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária (IPGT).
Em outubro de 2024, Kevin tornou-se sócio de Gabriel Campelo de Carvalho, filho de Francisco Craveiro, responsável pela Consult Inteligência Tributária.
Segundo as informações publicadas, as famílias Craveiro e Nunes Marques mantêm relação pessoal próxima. O IPGT e a Consult também teriam utilizado, durante determinado período, o mesmo endereço fiscal em Alphaville.
Gabriel havia deixado formalmente a Consult em julho de 2024. Os pagamentos do Master e da JBS à consultoria teriam começado no mês seguinte. Em outubro, Gabriel constituiu a sociedade com Kevin.
O filho de Nunes Marques afirmou que o compartilhamento do endereço ocorreu temporariamente e negou relação entre o IPGT e a Consult.
Não há, nas informações apresentadas, indicação de participação do ministro Kassio Nunes Marques nessas operações financeiras.
No caso de Luiz Fux, as informações dizem respeito ao filho do ministro, o advogado Rodrigo Fux, que esteve em pelo menos dois eventos com Daniel Vorcaro antes da prisão do banqueiro.
Um dos encontros ocorreu durante o Desfile das Campeãs do Carnaval de 2025, na Sapucaí, no Rio de Janeiro. Rodrigo participou da área VIP do camarote Alma Rio.
Mensagens obtidas no celular de Vorcaro indicariam que o banqueiro participou da organização dos convidados e pediu que “Fux” fosse acomodado no espaço VIP. Vorcaro mantinha parceria com Álvaro Garnero no camarote e contribuía para seu financiamento.
Rodrigo confirmou que esteve no local, mas negou manter amizade ou relação profissional com o banqueiro.
“Nunca tivemos relação comercial, nunca advoguei para ele”, afirmou.
O advogado também esteve em uma degustação exclusiva de uísque realizada em Nova York, custeada por Vorcaro e com aproximadamente 40 convidados.
Luiz Fux também teria sido convidado para o encontro, mas não compareceu. Pessoas próximas à família afirmaram que Rodrigo permaneceu pouco tempo no evento e que seu escritório nunca prestou serviços ao banqueiro ou ao Banco Master.
Fux e Nunes Marques votaram nesta terça-feira para confirmar a decisão de André Mendonça que afastou preventivamente Andrei Rodrigues e Leandro Almada.
Sob a gestão de Andrei, a Polícia Federal conduziu investigações relacionadas ao Banco Master, incluindo operações que alcançaram Vorcaro e negócios associados ao banqueiro.
A decisão de Mendonça, contudo, está relacionada à controvérsia envolvendo a produção de relatórios de inteligência da PF. O ministro sustenta ter sido submetido a monitoramento sistemático e ilegal, afirmação que passou a ser contestada em diferentes frentes dentro e fora do Supremo.
O julgamento da Segunda Turma foi interrompido depois que Gilmar Mendes pediu vista. Apesar da suspensão, a decisão individual de Mendonça continua produzindo efeitos e Andrei permanece afastado.
A Advocacia-Geral da União (AGU) também pediu a suspensão da medida. O presidente do STF, Edson Fachin, deu 72 horas para Mendonça apresentar esclarecimentos antes de decidir sobre o recurso.
As relações atribuídas aos filhos de Fux e Nunes Marques acrescentam um elemento ao debate público em torno do caso, mas não há, até agora, elemento apresentado no julgamento que estabeleça vínculo entre essas relações e a posição adotada pelos dois ministros sobre o afastamento da direção da PF.
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