Segurança / Polícia Federal
Diretores da PF colocam cargos à disposição após afastamento de Andrei Rodrigues
Manifestação assinada por 11 integrantes da cúpula defende diretor afastado e rejeita acusações de atuação não republicana; PF em MS ainda não se pronunciou
08/09/2026
13:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Onze integrantes da cúpula da Polícia Federal colocaram seus cargos à disposição nesta terça-feira (8), em reação à decisão que afastou Andrei Rodrigues da direção-geral da corporação e Leandro Almada da Diretoria de Inteligência.
Em manifestação conjunta, os diretores declararam apoio aos dois delegados e contestaram acusações de que a instituição teria adotado condutas incompatíveis com sua atuação institucional. O documento também afirma que parte das críticas dirigidas à atual gestão da PF estaria relacionada a interesses políticos e eleitorais.
“Para que fique absolutamente claro, repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana”, afirmam os signatários.
Ao final do documento, os 11 diretores comunicam que deixam os respectivos cargos à disposição da direção-geral substituta. A iniciativa amplia os efeitos internos da crise aberta com o afastamento da principal autoridade da Polícia Federal.
A manifestação ocorreu no mesmo dia em que a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter a decisão do ministro André Mendonça que afastou Andrei Rodrigues e Leandro Almada.
O julgamento, realizado no plenário virtual, foi interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Com isso, apesar da maioria provisória formada no colegiado, a análise ainda não foi formalmente concluída.
O afastamento determinado por Mendonça permanece em vigor enquanto o processo não é retomado.
Entre os signatários da manifestação está Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, área responsável por investigações relacionadas ao Banco Master.
Também assinam Fabrício Schommer Kerber, diretor de Polícia Administrativa; Otavio Margonari Russo, diretor de Combate a Crimes Cibernéticos; Felipe Tavares Seixas, diretor de Cooperação Internacional; Helena de Rezende, diretora de Gestão de Pessoas; Roberto Reis Monteiro Neto, diretor Técnico-Científico; André Luis Lima Carmo, diretor de Administração e Logística; Christiane Correa Machado, diretora de Ensino da Academia Nacional de Polícia; Alexsander Castro de Oliveira, diretor de Proteção à Pessoa; Ademir Dias Cardoso Júnior, diretor de Tecnologia da Informação e Inovação; e Humberto Freire de Barros, diretor da Amazônia e Meio Ambiente.
Segundo o grupo, Andrei Rodrigues construiu sua trajetória profissional com atuação técnica, isenta e responsável. Os diretores sustentam ainda que os questionamentos envolvendo a atual direção não devem comprometer a credibilidade nem o funcionamento institucional da PF.
A decisão de André Mendonça está relacionada à produção de documentos internos de inteligência da Polícia Federal que posteriormente chegaram ao ministro Alexandre de Moraes e foram considerados no contexto do pedido de investigação envolvendo o próprio Mendonça.
Os documentos levantaram hipóteses sobre a condução de investigações que envolviam autoridades. Mendonça, por sua vez, questionou a origem, a formalidade e a validade do material e classificou como grave a produção dos relatórios.
Na decisão, o ministro sustentou que havia problemas na identificação de autoria, data de elaboração e legitimidade dos documentos. Também questionou a possibilidade de estruturas internas da Polícia Federal produzirem análises capazes de colocar sob suspeita investigações conduzidas por outras áreas da própria instituição.
As conclusões e hipóteses contidas nesses relatórios fazem parte da controvérsia atualmente analisada no STF e não equivalem, por si só, à comprovação das condutas mencionadas.
Em Mato Grosso do Sul, ainda não houve posicionamento público da Superintendência Regional da Polícia Federal sobre o afastamento de Andrei Rodrigues nem sobre a decisão dos diretores de colocar os cargos à disposição.
A unidade foi procurada para informar se acompanharia a manifestação da cúpula nacional, mas não havia respondido até a publicação da matéria.
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