Política / Banco Master
Fachin pode assumir parte do Caso Master que envolve Moraes para tentar conter crise no STF
Solução discutida após encontro com Lula e Gonet retiraria de Mendonça o braço da investigação sobre Moraes, mas eventual mudança de relatoria deve seguir regras do Supremo
05/09/2026
09:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Uma alternativa para tentar reduzir a tensão instalada no Supremo Tribunal Federal (STF) passou a ser discutida em Brasília: o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, assumir a condução do trecho do Caso Master que envolve Alexandre de Moraes, separando essa frente da investigação atualmente sob a relatoria de André Mendonça.
A possibilidade surgiu no contexto das articulações realizadas na sexta-feira (4), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Fachin e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A proposta seria uma tentativa de interromper a escalada do confronto entre Moraes e Mendonça, que passou a dominar o ambiente interno do Supremo.
A ideia encontra receptividade entre integrantes da Corte e não é considerada ruim por auxiliares de Mendonça. A execução, porém, enfrenta uma questão regimental importante: Fachin não poderia simplesmente escolher quem ficaria responsável pela investigação caso houvesse mudança de relator. Uma eventual redistribuição teria de observar as regras internas do STF.
Caso a solução avance e resulte em nova distribuição, o Caso Master poderá passar por uma terceira mudança na condução.
A investigação esteve inicialmente sob responsabilidade do ministro Dias Toffoli. Depois de questionamentos relacionados a suas ligações com personagens do caso, Toffoli deixou a relatoria e André Mendonça assumiu o processo.
Agora, a permanência de Mendonça à frente justamente da parte que envolve Moraes passou a ser vista por integrantes do tribunal como um fator capaz de prolongar a crise.
A avaliação decorre do fato de que os dois ministros passaram a questionar publicamente aspectos da atuação um do outro dentro das investigações.
A escalada ocorreu depois que André Mendonça retirou o sigilo de um relatório produzido pela Polícia Federal (PF) com referências a contatos entre Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
O material policial relata conversas e episódios que passaram a ser analisados sob a perspectiva da natureza da relação entre o ministro e o empresário.
Entre os pontos descritos estão uma consulta atribuída a Vorcaro sobre a possibilidade de deixar o Brasil em período próximo à operação que resultaria em sua prisão e referências a informações relacionadas ao andamento das investigações.
O conteúdo dos relatórios integra uma apuração e não representa, isoladamente, comprovação de irregularidade por parte de Moraes.
A divulgação colocou o ministro no centro da crise institucional e provocou forte reação dentro do Supremo.
Depois da divulgação do material, Alexandre de Moraes apresentou questionamentos sobre a atuação de André Mendonça e pediu providências relacionadas à conduta do colega.
Entre as hipóteses levantadas estão, em tese, improbidade administrativa, crime de responsabilidade, abuso de autoridade, quebra da imparcialidade judicial e possível favorecimento político.
As acusações estão sob análise e não significam que Mendonça tenha cometido qualquer uma dessas irregularidades.
Parte dos questionamentos apresentados contra o ministro utiliza informações provenientes de relatórios de inteligência da Polícia Federal. Esses documentos possuem limitações relevantes, inclusive ressalvas de que não têm caráter probatório, circunstância que também passou a alimentar a disputa jurídica em torno do caso.
Outro elemento passou a pesar sobre a permanência de Mendonça na investigação: a revelação de que o ministro se reuniu com Daniel Vorcaro em um instituto privado do qual fazia parte.
Segundo a versão apresentada pelo próprio Mendonça, o encontro ocorreu para tratar de uma questão envolvendo precatórios que estava em julgamento no Supremo.
A reunião, entretanto, levantou questionamentos porque ocorreu fora da agenda oficial, em ambiente privado e teria sido intermediada por um advogado.
Não há, a partir dessas circunstâncias isoladamente, comprovação de que tenha ocorrido favorecimento ao empresário ou interferência indevida no processo.
Após a divulgação do episódio, Mendonça deixou a sociedade no instituto.
Nesse cenário, separar o braço da investigação relacionado a Moraes passou a ser considerado uma possível solução institucional.
A medida permitiria retirar das mãos de Mendonça a condução de uma apuração diretamente relacionada ao colega com quem está em conflito, sem necessariamente afastá-lo de todo o Caso Master.
Também evitaria uma decisão mais drástica de retirada do ministro da relatoria com fundamento nos questionamentos decorrentes de seu encontro anterior com Vorcaro.
A alternativa, contudo, precisaria ser juridicamente construída de acordo com o Regimento Interno do STF e com as regras de prevenção, conexão e distribuição dos processos.
A movimentação reforça a posição de Edson Fachin como principal responsável pela administração da crise dentro do Supremo.
O episódio ganhou dimensão muito maior depois da divulgação dos relatórios da PF. Nesta semana, Fachin já solicitou informações à Polícia Federal, à PGR, a Moraes e a Mendonça e passou a conduzir institucionalmente os desdobramentos do confronto.
A crise começou em uma investigação sobre suspeitas financeiras envolvendo o Banco Master, mas rapidamente alcançou integrantes do Judiciário, da Polícia Federal e do Ministério Público, além de provocar reações no Executivo e no Congresso.
Agora, a eventual divisão do Caso Master aparece como uma das alternativas em discussão para reduzir o conflito entre os ministros. Até o momento, porém, não há decisão definitiva de Fachin sobre a retirada da parte envolvendo Moraes da relatoria de Mendonça nem sobre quem assumiria essa frente da investigação.
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