Política / Sete de Setembro
Lula usa 7 de Setembro para defender soberania e diz que Brasil não será “colônia de ninguém”
Pronunciamento em cadeia nacional destaca democracia, riquezas estratégicas e livre comércio; presidente também aborda trabalho, educação, saúde e redução das desigualdades
04/09/2026
20:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai usar o pronunciamento alusivo ao 7 de Setembro para colocar a defesa da soberania nacional e da democracia no centro da mensagem à população. O discurso será transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão e terá duração prevista de 3 minutos e 40 segundos.
Sem citar diretamente os Estados Unidos ou qualquer outro país, Lula relacionará a Independência do Brasil à necessidade de preservar a autonomia brasileira diante de interesses estrangeiros. Uma das frases centrais do pronunciamento será: “Não somos e não seremos colônia de ninguém.”
O presidente também destacará ativos considerados estratégicos para o país, entre eles terras raras, minerais críticos, petróleo, água doce, Amazônia e biodiversidade. A mensagem defende que esses recursos sejam utilizados para impulsionar tecnologia, desenvolvimento econômico e geração de empregos no Brasil.
“Essas riquezas devem servir ao futuro do povo brasileiro”, afirma Lula no pronunciamento.
Outro eixo da manifestação será a autonomia brasileira nas relações econômicas internacionais. Lula defenderá o livre comércio e sustentará que decisões sobre parceiros comerciais devem ser tomadas pelo próprio país.
“Nenhum país estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar, e para quem podemos vender. Somos um país soberano, e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém”, diz o presidente.
A mensagem associa soberania não apenas à proteção territorial e dos recursos naturais, mas também às condições econômicas e sociais oferecidas à população.
Lula abordará educação, emprego, saúde pública, combate à fome, pobreza e desigualdade. Também fará referência à necessidade de o trabalhador dispor de mais tempo para a vida pessoal e familiar, em meio ao debate nacional sobre mudanças na jornada de trabalho e o fim da escala 6×1.
“Um país soberano é aquele capaz de criar as oportunidades que seu povo precisa para conquistar a própria independência”, afirma.
Por ocorrer durante o período eleitoral, a veiculação da mensagem foi submetida previamente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) solicitou autorização e informou ao tribunal que foram adotadas medidas para impedir que o pronunciamento assumisse caráter de propaganda eleitoral.
Segundo a Secom, o texto foi preparado para manter “a impessoalidade, a sobriedade e a neutralidade político-eleitoral da manifestação”, sem referências a candidatos ou partidos, slogans governamentais, promoção pessoal ou exaltação de realizações administrativas.
O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, autorizou a transmissão.
A íntegra da mensagem aborda ainda personagens históricos ligados à Independência, defesa do meio ambiente, transição energética, emergência climática e a posição brasileira favorável à paz e à cooperação internacional.
Minhas amigas e meus amigos,
Amanhã, 7 de setembro, é dia de celebrarmos a Independência do Brasil. Para além do grito de Dom Pedro I às margens do Ipiranga, a independência do Brasil foi uma dura conquista de homens e mulheres que deram suas vidas nas batalhas contra a tirania, a escravidão e a injustiça social. De Tiradentes, herói da Inconfidência Mineira, a Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica, heroínas do 2 de julho da Bahia.
Defender a independência do Brasil é defender nossa soberania e nossa democracia. Mais do que nunca, é preciso lutar pelo que é nosso. Temos a segunda maior reserva de Terras Raras do mundo, e a maior fonte de água doce. No último mês, descobrimos uma nova e rica reserva de petróleo. Essas riquezas devem servir ao futuro do povo brasileiro. Foi aprovado no Congresso Nacional o marco legal que permitirá ao Brasil transformar as enormes reservas de minerais críticos e terras raras em desenvolvimento e riqueza para o povo brasileiro.
Recursos naturais que, assim como o nosso petróleo, devem ser usados para o desenvolvimento de tecnologia de ponta e gerando empregos de qualidade no Brasil.
Por isso, precisamos nos manter fortes e altivos, sem baixar a cabeça, para não deixarmos que o Brasil se transforme, novamente, em colônia de outras potências estrangeiras. Não somos e não seremos colônia de ninguém. Minhas amigas e meus amigos, um país soberano é aquele capaz de defender seu território, suas fronteiras, seu meio ambiente, suas riquezas e seu povo de quaisquer interesses estrangeiros.
Um país soberano é aquele capaz de criar as oportunidades que seu povo precisa para conquistar a própria independência. A independência financeira, a independência de poder estudar, pensar livremente, escolher a melhor profissão e o melhor emprego. Ter mais tempo para si mesmo e para sua família.
A independência de contar, como previsto na Constituição Federal, com saúde pública de qualidade e a melhor educação gratuita para seus filhos. E de viver, em um país livre da fome, da pobreza e de todas as formas de desigualdade, com mais direitos para todos, e menos privilégios. Minhas amigas e meus amigos, o Brasil trabalha pela paz mundial e a harmonia entre as nações. Defendemos o livre comércio. Nenhum país estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar, e para quem podemos vender. Somos um país soberano, e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém. Temos motivos de sobra para nos orgulharmos do nosso país. Temos a Amazônia, e uma das maiores biodiversidades do planeta. Somos exemplo na defesa do meio ambiente.
Nossa riqueza cultural encanta o mundo. Somos referência mundial em transição energética e no enfrentamento da emergência climática que ameaça o futuro da humanidade. E temos, cada um e cada uma de vocês, a consciência de que formamos, juntos, um dos povos mais admirados em todo o planeta. Um feliz Dia da Independência, e que Deus continue abençoando o Brasil.
O pronunciamento termina vinculando a celebração da Independência à defesa das riquezas nacionais e à capacidade do Brasil de definir seus próprios rumos econômicos, políticos e diplomáticos.
A mensagem também busca ampliar o conceito de independência para a vida cotidiana, associando soberania nacional a emprego, renda, educação, saúde, direitos sociais e qualidade de vida.
Com a autorização do TSE, o discurso poderá ser exibido em cadeia nacional durante as comemorações do 7 de Setembro, preservando, conforme a decisão eleitoral, o caráter institucional da manifestação presidencial.
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