Política / Banco Master
Deputadas acionam STF e pedem investigação sobre contatos entre Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro
Parlamentares querem apuração de áudio sobre ativo de minério, eventual custeio de voos e possíveis relações financeiras entre o deputado e o dono do Banco Master
04/09/2026
12:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Deputadas federais do PSOL acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (3) para pedir a apuração da relação entre o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O pedido foi apresentado após a divulgação de um áudio atribuído ao parlamentar em conversa com o banqueiro.
Entre as parlamentares que levaram o caso ao Supremo estão Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PSOL-MG).
Em documento encaminhado ao gabinete do ministro André Mendonça, responsável por procedimentos relacionados ao caso Master, Sâmia cita reportagem do ICL Notícias sobre uma mensagem de áudio que teria sido enviada por Nikolas a Vorcaro.
Segundo o material apresentado ao STF, o deputado teria procurado o banqueiro para solicitar auxílio em uma questão envolvendo a liberação de um “ativo de minério” em favor de Thiago Rodrigues de Faria, identificado na reportagem como advogado e ex-assessor do gabinete do parlamentar.
O pedido das deputadas representa uma solicitação de investigação. Até o momento, os elementos mencionados não significam que Nikolas Ferreira tenha cometido crime ou irregularidade.
No documento, Sâmia pede que o material seja incorporado ao Inquérito nº 5.026 e que as informações sejam encaminhadas à autoridade policial responsável pelas investigações da Operação Compliance Zero.
Entre as diligências solicitadas estão a obtenção das mensagens, áudios e demais comunicações entre Vorcaro, Nikolas e Thiago Rodrigues de Faria relacionadas ao ativo minerário.
A deputada também solicita que seja identificada a natureza do ativo citado nas conversas, sua titularidade, eventuais transferências, empresas envolvidas e beneficiários econômicos.
Outro ponto do requerimento busca esclarecer se houve alguma providência efetivamente adotada por Vorcaro depois do contato atribuído ao deputado. Para isso, são sugeridas análises de agendas, reuniões, comunicações, documentos empresariais e, se considerado necessário pelas autoridades, movimentações financeiras.
O documento relaciona Thiago Rodrigues de Faria a empresas e pessoas investigadas na Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2025 para investigar suspeitas envolvendo exploração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Minas Gerais.
Conforme a própria representação, Faria afirmou atuar no setor de mineração, negou irregularidades e declarou que nunca foi chamado pela Polícia Federal para prestar depoimento no âmbito da operação.
A menção ao nome do advogado em investigações envolvendo terceiros, portanto, não comprova participação dele em atividade criminosa.
As parlamentares querem ainda que as autoridades confrontem os novos elementos com informações relacionadas a um suposto custeio de voos utilizados por Nikolas Ferreira.
A intenção declarada é verificar se existiu alguma relação continuada de apoio material ou financeiro entre o parlamentar e Vorcaro.
Mensagens atribuídas ao banqueiro divulgadas anteriormente indicariam uma afirmação de Vorcaro de que teria bancado voos de Nikolas. O deputado, entretanto, nega ter recebido dinheiro ou benefício financeiro do empresário e já afirmou publicamente não ter cometido irregularidade.
As deputadas também pedem que seja avaliada a necessidade de ouvir Nikolas Ferreira, Daniel Vorcaro e Thiago Rodrigues de Faria.
Outro pedido é para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) seja comunicada dos fatos e avalie eventuais consequências jurídicas.
As parlamentares sugerem ainda que, caso o STF considere pertinente, informações relacionadas ao eventual custeio de voos ou outras vantagens sejam encaminhadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para análise de possíveis reflexos na legislação eleitoral.
Caberá agora às autoridades competentes avaliar se os elementos apresentados justificam a abertura ou ampliação de diligências. A representação, por si só, não estabelece responsabilidade criminal, eleitoral ou administrativa de Nikolas Ferreira, que somente poderá ser definida após investigação e eventual processo com direito de defesa.
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