Entretenimento / Televisão
Globo demite Manuel Belmar após estratégia da Copa de 2026 favorecer avanço de concorrentes
Executivo estava no grupo desde 2003 e teria sido responsabilizado internamente pela perda da exclusividade do Mundial, que abriu espaço para CazéTV e SBT
04/09/2026
12:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A Globo demitiu nesta quinta-feira (3) o executivo Manuel Belmar, que ocupava uma das principais posições na estrutura administrativa do grupo. A saída ocorre após críticas internas à estratégia adotada para os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2026, especialmente pela decisão de não manter a exclusividade em determinadas plataformas.
Segundo informações divulgadas pela revista Veja, Belmar passou a ser apontado nos bastidores como um dos principais responsáveis pela decisão que permitiu maior participação de concorrentes na cobertura do Mundial, principalmente CazéTV e SBT.
O executivo estava na Globo desde 2003 e construiu uma trajetória que passou por Infoglobo e Globosat. Mais recentemente, acumulava responsabilidades nas áreas financeira, produtos digitais, jurídico, infraestrutura e agenda ESG.
A avaliação interna sobre a estratégia ganhou peso diante da mudança na distribuição da audiência durante a Copa.
A CazéTV havia iniciado sua participação nas transmissões do Mundial em 2022, utilizando principalmente plataformas digitais como YouTube e Twitch. Naquela edição, segundo os números apresentados pelas publicações, a Globo concentrou 98% do público dos jogos na televisão aberta, enquanto o SporTV alcançou 22% na TV por assinatura.
Na Copa de 2026, os dados citados apontam uma redução desse alcance. A Globo teria registrado 82% na televisão aberta, enquanto sua presença na TV fechada teria ficado em 15%.
Ao mesmo tempo, a CazéTV teria alcançado 44% de audiência, ampliando significativamente sua presença na cobertura do torneio e fortalecendo sua posição no mercado esportivo digital.
Nos bastidores da emissora, conforme a reportagem, a avaliação foi de que abrir mão de parte dos direitos relacionados à Copa criou uma oportunidade estratégica para o fortalecimento das concorrentes.
A publicação relata que integrantes da empresa chegaram a considerar a decisão suficientemente grave para justificar uma saída anterior do executivo. Belmar também teria discordado da avaliação de que a estratégia representou um erro.
A demissão encerra uma trajetória de mais de duas décadas no grupo.
Em 2025, Manuel Belmar havia sido escolhido Executivo do Ano pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF) e recebeu o prêmio O Equilibrista, uma das principais distinções da área financeira empresarial.
A saída ocorre em um momento de transformação do mercado de transmissões esportivas, no qual emissoras tradicionais passaram a disputar audiência e direitos com plataformas digitais e novos produtores de conteúdo. O desempenho da Copa de 2026 evidenciou essa mudança e, segundo as informações divulgadas, pesou diretamente na decisão da Globo de reformular sua estrutura executiva.
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