Política / Supremo
Dino reage à crise no STF e afirma que Corte é maior que qualquer um de seus ministros
Em meio ao embate entre Moraes e Mendonça no caso Master, ministro defende respeito aos procedimentos, diálogo e atuação institucional para superar tensão
04/09/2026
07:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou-se nesta sexta-feira (4) sobre a crise instalada na Corte e defendeu que a resposta às divergências internas deve ocorrer dentro dos procedimentos institucionais. Em nota, afirmou que “o STF é maior do que qualquer um que o integra”.
A manifestação ocorre em meio ao embate envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, que ganhou força após a divulgação de informações da investigação relacionada ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Dino recordou seus 37 anos de serviço público e afirmou já ter acompanhado diferentes momentos de crise institucional. Para o ministro, a superação do episódio atual exige respeito aos procedimentos, disposição para ouvir os envolvidos e tempo para que os fatos sejam avaliados.
Ao longo da manifestação, Dino recorreu a referências bíblicas, incluindo passagens relacionadas a Adão e Eva, para desenvolver sua argumentação sobre responsabilidade e comportamento diante de situações de conflito.
Dino sustentou que a observância dos procedimentos judiciais não deve ser confundida com tentativa de ignorar a dimensão da crise enfrentada pelo Supremo.
Segundo ele, seguir os ritos institucionais também não representa uma demonstração de “autossuficiência” ou uma forma de “fingir que não há crise”.
O ministro defendeu que a resposta deve partir das próprias instituições e afirmou esperar que a toga “fale mais alto do que as armas ou eventuais gritos de hipócritas”.
A posição reforça a defesa de que as divergências sejam processadas pelos mecanismos internos do Supremo, especialmente diante da possibilidade de análise colegiada dos acontecimentos relacionados às investigações.
A crise ganhou nova dimensão na terça-feira (1º), quando André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) produzido no contexto das investigações sob sua relatoria.
O documento revelou mensagens e contatos envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A divulgação provocou forte repercussão e expôs divergências sobre a condução das investigações. Desde então, o episódio passou a envolver questionamentos sobre procedimentos adotados nas apurações, prerrogativa de foro e os limites de atuação de magistrados e investigadores.
O presidente do STF, Edson Fachin, abriu procedimento para esclarecer os fatos e solicitou manifestações de Moraes, Mendonça, do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Entre os elementos revelados pelo relatório estão conversas atribuídas a Vorcaro e Moraes.
Em uma mensagem de 30 de outubro de 2025, segundo o material divulgado, Vorcaro teria pedido ao ministro que reforçasse junto a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet uma preocupação relacionada à atuação de delegados e procuradores no caso do Banco Master.
Na mensagem, o empresário teria solicitado que “ninguém de baixo” fizesse uma “sacanagem” com o banco.
A existência das conversas aumentou a pressão por esclarecimentos sobre a relação entre autoridades e o ex-controlador da instituição financeira. As mensagens, isoladamente, não comprovam a prática de crime, e os fatos relacionados ao conteúdo e ao contexto dos contatos ainda estão sujeitos à apuração.
Com a manifestação de Dino, cresce dentro da Corte a defesa de uma resposta institucional à crise, com observância dos procedimentos e eventual análise colegiada dos pontos que envolvem integrantes do próprio Supremo Tribunal Federal.

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