Justiça / Eleições 2026
Nunes Marques afirma que Justiça Eleitoral não escolhe vencedores nem tem preferência por candidatos
Presidente do TSE defendeu independência e fiscalização do processo eleitoral durante lacração dos sistemas que serão utilizados nas eleições de 2026
04/09/2026
14:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, afirmou nesta sexta-feira (4) que a Justiça Eleitoral não interfere na decisão dos eleitores nem atua para favorecer candidaturas. A declaração foi feita durante a cerimônia de conclusão da lacração dos sistemas eleitorais que serão utilizados nas eleições de 2026.
Em seu discurso, Nunes Marques vinculou a atuação da Justiça Eleitoral ao cumprimento da Constituição e à preservação da escolha popular.
“A Justiça não escolhe vencedores, não interfere na escolha popular e não possui preferência por candidaturas. Nossa paixão é a democracia. Nossa missão é cumprir a Constituição”, declarou.
A manifestação ocorre durante a preparação para a votação deste ano e em um momento de forte exposição do Supremo Tribunal Federal (STF), que enfrenta uma crise interna relacionada aos desdobramentos das investigações sobre o Banco Master.
Nunes Marques também defendeu os mecanismos utilizados para proteger os sistemas de votação. Segundo o presidente do TSE, a segurança eleitoral não está concentrada em uma única ferramenta, mas em diferentes procedimentos de controle e auditoria.
“A segurança do processo eleitoral não decorre de um único mecanismo, mas da combinação de diferentes camadas de proteção, de controles independentes e de procedimentos rigorosos, e sobretudo da ampla possibilidade de fiscalização”, afirmou.
A lacração representa uma das etapas de preparação dos sistemas que serão empregados nas eleições. O procedimento ocorre antes da utilização definitiva dos programas e integra o conjunto de mecanismos de controle adotados pela Justiça Eleitoral.
O ministro afirmou ainda que o Tribunal permanecerá aberto ao acompanhamento das diferentes fases do processo eletrônico e sustentou que a confiança nas eleições depende de “compromissos coletivos”.
Embora o discurso tenha sido feito em uma cerimônia eleitoral, a manifestação acontece enquanto ministros do STF enfrentam divergências decorrentes das investigações relacionadas a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
A crise ganhou dimensão após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de material produzido pela Polícia Federal que contém mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro.
Na sequência, Moraes apresentou ao presidente do Supremo, Edson Fachin, um pedido para apuração de possíveis irregularidades atribuídas a Mendonça na condução de procedimentos relacionados ao caso.
Fachin abriu um procedimento próprio e estabeleceu prazo de cinco dias úteis para receber manifestações de Alexandre de Moraes, André Mendonça, Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal.
Nesta sexta-feira, Fachin também determinou que as questões apresentadas por Moraes contra Mendonça fossem tratadas fora do chamado Inquérito das Fake News, passando a tramitar no procedimento instaurado sob sua condução.
Em meio a esse cenário, Nunes Marques concentrou seu pronunciamento na missão institucional da Justiça Eleitoral e na defesa da transparência, fiscalização e segurança dos sistemas que serão empregados para registrar os votos dos brasileiros nas eleições de 2026.
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