Justiça / Banco Master
Operador de Vorcaro diz à PGR ter vídeos de entregas de malas de dinheiro
Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, afirma em delação que fazia entregas a emissários indicados pelo banqueiro; acordo ainda depende de homologação no STF
04/09/2026
12:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, afirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) possuir vídeos que registrariam entregas de malas com dinheiro em espécie a pessoas indicadas por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A informação consta da proposta de colaboração premiada apresentada pelo empresário às autoridades.
Freixo é proprietário da Entre Investimentos e, segundo as informações apresentadas na investigação, teria atuado como operador financeiro de Vorcaro. Ele fechou acordo de colaboração com a PGR, mas a validade do compromisso ainda depende da análise do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
No relato aos investigadores, Mineiro teria admitido que recebia orientações para providenciar dinheiro em espécie e realizar entregas a destinatários definidos pelo banqueiro.
Segundo as informações divulgadas sobre a colaboração, o empresário também teria mencionado um ex-ministro do governo Jair Bolsonaro entre os supostos destinatários das malas. O nome não foi informado no material apresentado, e a alegação ainda precisa ser confrontada com as provas que eventualmente forem entregues às autoridades.
A afirmação de que existem gravações das entregas pode assumir relevância na análise da colaboração. Em acordos desse tipo, o relato do colaborador precisa ser acompanhado e posteriormente confrontado com elementos capazes de corroborar as informações prestadas.
Por enquanto, o conteúdo integral dos vídeos, as datas das supostas entregas, os valores transportados e a identificação de todos os destinatários não foram detalhados publicamente.
Também não é possível concluir, apenas com a existência de uma entrega de dinheiro alegada pelo colaborador, qual seria a origem dos recursos, sua finalidade ou se os destinatários cometeram alguma irregularidade.
Outro capítulo da colaboração envolve o financiamento de Dark Horse, produção cinematográfica sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Freixo afirmou ter participado da operacionalização dos recursos que Vorcaro teria destinado ao projeto. Segundo o relato divulgado, o empresário diz não saber qual foi o destino final de todo o dinheiro movimentado.
Parte dos recursos destinados ao filme teria sido enviada para um fundo nos Estados Unidos, administrado por um advogado relacionado ao projeto.
As autoridades investigam o caminho percorrido pelo dinheiro e se os valores tiveram efetivamente a destinação declarada. Até o momento, os elementos divulgados não demonstram que Jair Bolsonaro ou seus familiares tenham recebido irregularmente recursos destinados à produção cinematográfica.
A colaboração de Mineiro foi negociada com a PGR e encaminhada ao gabinete de André Mendonça para análise da homologação.
Antes dessa decisão, está prevista para terça-feira (8) uma audiência conduzida por um juiz auxiliar do gabinete do ministro. O objetivo é verificar, entre outros requisitos, se o empresário decidiu colaborar de forma livre e voluntária.
A homologação pelo STF não representa confirmação automática das acusações feitas pelo colaborador. Ela valida os aspectos jurídicos do acordo, enquanto as informações fornecidas por Mineiro ainda precisarão ser investigadas e confrontadas com documentos, registros financeiros, vídeos e outros elementos de prova.
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