Justiça / Banco Master
Delação de fundador da Reag avança no STF e entra na fase de análise de Mendonça
João Carlos Mansur passou por audiência de voluntariedade nesta quinta-feira; acordo com a PGR poderá fornecer elementos para investigações sobre o Banco Master
03/09/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A proposta de colaboração premiada de João Carlos Mansur, fundador da gestora de fundos Reag, avançou nesta quinta-feira (3) no Supremo Tribunal Federal (STF). O empresário foi ouvido por um juiz auxiliar do gabinete do ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master, em uma audiência destinada a confirmar a voluntariedade do acordo firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O procedimento representa uma das etapas necessárias antes da eventual homologação judicial da colaboração. Durante a audiência, Mansur declarou que decidiu prestar as informações à PGR de maneira espontânea, sem coação.
Com essa fase concluída, caberá a André Mendonça examinar o acordo e os anexos apresentados pela defesa para decidir se estão presentes os requisitos legais para a homologação.
A homologação pelo STF não significa confirmação automática das acusações ou informações apresentadas pelo colaborador. Nessa etapa, o Judiciário analisa aspectos como regularidade, legalidade e voluntariedade do acordo.
Caso Mendonça homologue a colaboração, os relatos e elementos fornecidos por João Carlos Mansur poderão ser utilizados pela PGR no aprofundamento das investigações, observadas as exigências legais para comprovação das informações.
Em contrapartida, o empresário poderá receber os benefícios penais negociados no acordo, condicionados aos termos estabelecidos e ao cumprimento das obrigações assumidas.
A assinatura da colaboração entre Mansur e a PGR havia sido revelada na quarta-feira (2) pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Um dos principais personagens abordados na proposta de Mansur é Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e alvo central das investigações que alcançaram o STF.
A importância da Reag nas apurações está relacionada à estruturação e administração de fundos associados a operações investigadas no chamado Caso Master.
Segundo as informações divulgadas sobre a colaboração, Mansur pretende detalhar às autoridades a estrutura dos fundos utilizados em negócios relacionados a Vorcaro e explicar como essas operações eram organizadas.
As declarações do empresário ainda precisarão ser confrontadas com documentos, registros financeiros e outros elementos independentes. Pela legislação brasileira, uma condenação não pode ser fundamentada exclusivamente nas declarações de um colaborador.
A decisão de André Mendonça sobre a homologação será, portanto, o próximo passo para definir se a colaboração de Mansur passará formalmente a integrar as investigações conduzidas no âmbito do STF.
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