Campo Grande (MS), Sexta-feira, 04 de Setembro de 2026

Justiça / Banco Master

Vorcaro acusa chefe da PF de barrar delação e relata ameaças em depoimento ao STF

Banqueiro afirmou que Andrei Rodrigues seria citado em colaboração premiada, mencionou supostas viagens e despesas, mas não apresentou provas; PGR pediu arquivamento

03/09/2026

10:15

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

Preso preventivamente, o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, afirmou em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que recebeu ameaças e que integrantes de sua família estariam em risco. Durante a oitiva, ele também acusou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de ter resistido à sua tentativa de fechar um acordo de colaboração premiada porque seria mencionado nas declarações.

O depoimento ocorreu em 27 de agosto, diretamente da Papudinha, onde Vorcaro está preso, e foi conduzido pelo juiz auxiliar João Azambuja, integrante do gabinete de Mendonça.

Participaram ainda os advogados Daniel Bialski e Engels Muniz, responsáveis pela defesa do banqueiro, além de um representante do Ministério Público. A oitiva foi registrada em vídeo e documentada em ata.

As acusações feitas por Vorcaro contra autoridades constituem a versão apresentada pelo próprio banqueiro. No depoimento, conforme as informações divulgadas, ele não apresentou provas que sustentassem as afirmações envolvendo Andrei Rodrigues.

Vorcaro diz que mãe e irmã estariam ameaçadas

Ao relatar as supostas intimidações, Vorcaro afirmou que sua mãe e sua irmã corriam perigo.

O banqueiro também relatou ter sido submetido a intimidações, pressão psicológica e tratamento que classificou como desumano durante transferências entre unidades prisionais.

Foi nesse contexto que passou a falar sobre a tentativa de negociar um acordo de colaboração premiada e sobre sua relação com integrantes da Polícia Federal.

Segundo Vorcaro, Andrei Rodrigues seria citado caso a colaboração tivesse avançado.

Banqueiro cita viagens e despesas relacionadas a Andrei

Durante a oitiva, Vorcaro fez referências a viagens e despesas que teriam sido pagas em benefício de Andrei Rodrigues.

O material apresentado, entretanto, não informa valores, datas, destinos ou circunstâncias desses supostos pagamentos. Também não aponta documentos, comprovantes ou outros elementos apresentados pelo banqueiro durante o depoimento capazes de confirmar a acusação.

Vorcaro atribuiu ao diretor-geral da PF resistência à formalização de sua colaboração premiada e alegou que isso teria ocorrido porque Rodrigues seria exposto no acordo.

A afirmação é particularmente relevante por atingir diretamente o chefe da instituição responsável por parte das investigações sobre o Banco Master, mas permanece, até aqui, como uma acusação do banqueiro sem comprovação apresentada na oitiva.

Colaboração já havia sido recusada pela PF e pela PGR

A versão de Vorcaro sobre os motivos que impediram o avanço da delação foi contestada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Nesta quarta-feira (2), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se pelo arquivamento da petição aberta após os relatos de ameaças e intimidações apresentados pelo banqueiro.

Segundo Gonet, o depoimento prestado ao gabinete de Mendonça não trouxe fatos concretos nem elementos mínimos suficientes para justificar a abertura de novas medidas investigativas.

O procurador-geral informou ainda que a proposta de colaboração premiada apresentada anteriormente pela defesa já havia sido rejeitada tanto pela Polícia Federal quanto pela PGR.

O motivo, segundo a manifestação, foi a ausência de informações inéditas e suficientemente relevantes para justificar o acordo.

Gonet aponta fragilidade das informações

No parecer encaminhado ao STF, Gonet sustentou que a decisão da Polícia Federal de rejeitar a colaboração foi fundamentada e posteriormente confirmada pela própria Procuradoria-Geral da República após análise do conteúdo oferecido.

“Na espécie, o indeferimento formalizado pela autoridade policial em ato fundamentado respaldou-se justamente na ausência de acréscimo informativo de natureza inédita, conclusão reiterada por esta Procuradoria-Geral da República, que, ao examinar o acervo ofertado, igualmente recusou o pacto ante a manifesta debilidade de seu conteúdo”, escreveu Paulo Gonet.

Para o procurador-geral, portanto, a recusa ao acordo ocorreu pela avaliação do conteúdo apresentado, e não pelos motivos atribuídos por Vorcaro ao diretor-geral da Polícia Federal.

Gonet também ressaltou que cabe aos órgãos responsáveis pela investigação e pela acusação avaliar a conveniência de uma colaboração premiada, considerando principalmente a utilidade e a capacidade das informações oferecidas de produzir novas provas.

Novo depoimento não mudou avaliação da PGR

A manifestação da Procuradoria também analisou as declarações mais recentes feitas pelo banqueiro ao gabinete de Mendonça.

Segundo Gonet, o depoimento de 27 de agosto não apresentou provas capazes de modificar os fundamentos utilizados anteriormente para rejeitar a proposta de colaboração.

O procurador-geral observou ainda que Vorcaro não possui acesso a todo o conjunto probatório reunido pelas autoridades.

Dessa forma, uma informação que o banqueiro considere inédita pode já ter sido identificada ou documentada pelos investigadores, diminuindo sua relevância para justificar um acordo de colaboração.

A avaliação da PGR representa um contraponto direto à alegação de Vorcaro de que sua delação teria sido impedida porque atingiria Andrei Rodrigues.

Arquivamento depende de decisão no STF

Com o parecer, a PGR defende que a petição originada pelas declarações de Vorcaro seja encerrada por falta de elementos mínimos que sustentem novas providências investigativas.

A manifestação, porém, não encerra automaticamente o procedimento. Caberá ao ministro André Mendonça, responsável pelo caso no Supremo, decidir sobre o pedido de arquivamento.

As acusações envolvendo ameaças à família, supostos pagamentos de despesas e viagens e a atuação atribuída ao diretor-geral da PF permanecem, com base nas informações apresentadas, como declarações de Daniel Vorcaro sem comprovação documental indicada no depoimento.


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