Justiça / Banco Master
Vorcaro acusa chefe da PF de barrar delação e relata ameaças em depoimento ao STF
Banqueiro afirmou que Andrei Rodrigues seria citado em colaboração premiada, mencionou supostas viagens e despesas, mas não apresentou provas; PGR pediu arquivamento
03/09/2026
10:15
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
Preso preventivamente, o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, afirmou em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que recebeu ameaças e que integrantes de sua família estariam em risco. Durante a oitiva, ele também acusou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de ter resistido à sua tentativa de fechar um acordo de colaboração premiada porque seria mencionado nas declarações.
O depoimento ocorreu em 27 de agosto, diretamente da Papudinha, onde Vorcaro está preso, e foi conduzido pelo juiz auxiliar João Azambuja, integrante do gabinete de Mendonça.
Participaram ainda os advogados Daniel Bialski e Engels Muniz, responsáveis pela defesa do banqueiro, além de um representante do Ministério Público. A oitiva foi registrada em vídeo e documentada em ata.
As acusações feitas por Vorcaro contra autoridades constituem a versão apresentada pelo próprio banqueiro. No depoimento, conforme as informações divulgadas, ele não apresentou provas que sustentassem as afirmações envolvendo Andrei Rodrigues.
Ao relatar as supostas intimidações, Vorcaro afirmou que sua mãe e sua irmã corriam perigo.
O banqueiro também relatou ter sido submetido a intimidações, pressão psicológica e tratamento que classificou como desumano durante transferências entre unidades prisionais.
Foi nesse contexto que passou a falar sobre a tentativa de negociar um acordo de colaboração premiada e sobre sua relação com integrantes da Polícia Federal.
Segundo Vorcaro, Andrei Rodrigues seria citado caso a colaboração tivesse avançado.
Durante a oitiva, Vorcaro fez referências a viagens e despesas que teriam sido pagas em benefício de Andrei Rodrigues.
O material apresentado, entretanto, não informa valores, datas, destinos ou circunstâncias desses supostos pagamentos. Também não aponta documentos, comprovantes ou outros elementos apresentados pelo banqueiro durante o depoimento capazes de confirmar a acusação.
Vorcaro atribuiu ao diretor-geral da PF resistência à formalização de sua colaboração premiada e alegou que isso teria ocorrido porque Rodrigues seria exposto no acordo.
A afirmação é particularmente relevante por atingir diretamente o chefe da instituição responsável por parte das investigações sobre o Banco Master, mas permanece, até aqui, como uma acusação do banqueiro sem comprovação apresentada na oitiva.
A versão de Vorcaro sobre os motivos que impediram o avanço da delação foi contestada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Nesta quarta-feira (2), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se pelo arquivamento da petição aberta após os relatos de ameaças e intimidações apresentados pelo banqueiro.
Segundo Gonet, o depoimento prestado ao gabinete de Mendonça não trouxe fatos concretos nem elementos mínimos suficientes para justificar a abertura de novas medidas investigativas.
O procurador-geral informou ainda que a proposta de colaboração premiada apresentada anteriormente pela defesa já havia sido rejeitada tanto pela Polícia Federal quanto pela PGR.
O motivo, segundo a manifestação, foi a ausência de informações inéditas e suficientemente relevantes para justificar o acordo.
No parecer encaminhado ao STF, Gonet sustentou que a decisão da Polícia Federal de rejeitar a colaboração foi fundamentada e posteriormente confirmada pela própria Procuradoria-Geral da República após análise do conteúdo oferecido.
“Na espécie, o indeferimento formalizado pela autoridade policial em ato fundamentado respaldou-se justamente na ausência de acréscimo informativo de natureza inédita, conclusão reiterada por esta Procuradoria-Geral da República, que, ao examinar o acervo ofertado, igualmente recusou o pacto ante a manifesta debilidade de seu conteúdo”, escreveu Paulo Gonet.
Para o procurador-geral, portanto, a recusa ao acordo ocorreu pela avaliação do conteúdo apresentado, e não pelos motivos atribuídos por Vorcaro ao diretor-geral da Polícia Federal.
Gonet também ressaltou que cabe aos órgãos responsáveis pela investigação e pela acusação avaliar a conveniência de uma colaboração premiada, considerando principalmente a utilidade e a capacidade das informações oferecidas de produzir novas provas.
A manifestação da Procuradoria também analisou as declarações mais recentes feitas pelo banqueiro ao gabinete de Mendonça.
Segundo Gonet, o depoimento de 27 de agosto não apresentou provas capazes de modificar os fundamentos utilizados anteriormente para rejeitar a proposta de colaboração.
O procurador-geral observou ainda que Vorcaro não possui acesso a todo o conjunto probatório reunido pelas autoridades.
Dessa forma, uma informação que o banqueiro considere inédita pode já ter sido identificada ou documentada pelos investigadores, diminuindo sua relevância para justificar um acordo de colaboração.
A avaliação da PGR representa um contraponto direto à alegação de Vorcaro de que sua delação teria sido impedida porque atingiria Andrei Rodrigues.
Com o parecer, a PGR defende que a petição originada pelas declarações de Vorcaro seja encerrada por falta de elementos mínimos que sustentem novas providências investigativas.
A manifestação, porém, não encerra automaticamente o procedimento. Caberá ao ministro André Mendonça, responsável pelo caso no Supremo, decidir sobre o pedido de arquivamento.
As acusações envolvendo ameaças à família, supostos pagamentos de despesas e viagens e a atuação atribuída ao diretor-geral da PF permanecem, com base nas informações apresentadas, como declarações de Daniel Vorcaro sem comprovação documental indicada no depoimento.
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