Justiça / Crise no STF
Cármen Lúcia procura Moraes após caso Master e posição pode ser decisiva no STF
Ministra manifestou solidariedade após divulgação de conversas com Vorcaro, mas mantém cautela e não antecipou como votará sobre eventual investigação
03/09/2026
13:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), procurou Alexandre de Moraes para manifestar solidariedade diante da repercussão provocada pela divulgação de informações da investigação sobre o Banco Master. Apesar do gesto, ela não indicou como pretende votar caso o plenário seja chamado a decidir sobre a situação do colega.
Segundo informações divulgadas pela coluna de Andreza Matais, Cármen teria demonstrado discordância com a exposição de Moraes após a retirada do sigilo de relatório da Polícia Federal (PF) que revelou mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro.
A manifestação pessoal, porém, não representa antecipação de voto. A ministra costuma sustentar que somente define sua posição depois de conhecer formalmente o conteúdo dos processos submetidos ao julgamento.
O nome de Alexandre de Moraes surgiu no material depois que o relator das apurações envolvendo o Banco Master, ministro André Mendonça, determinou que a PF identificasse o interlocutor de Vorcaro em uma sequência de mensagens.
O número identificado seria de Moraes. As respostas do ministro, contudo, não aparecem no material porque teriam sido enviadas pelo recurso de visualização única. Dessa forma, o relatório permite conhecer as mensagens encaminhadas por Vorcaro, mas não o conteúdo das eventuais respostas.
A presença de integrantes de diferentes instituições no material ampliou a tensão em Brasília. Além de Moraes, aparecem no contexto das apurações o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, avalia a possibilidade de submeter ao plenário a definição sobre os próximos passos do caso. A iniciativa teria sido solicitada por André Mendonça.
Uma das questões centrais é saber se elementos envolvendo um integrante do próprio Supremo poderiam ter sido obtidos e analisados sem autorização prévia da Corte. Parte dos ministros entende que uma investigação envolvendo membro do STF deveria passar pelo colegiado.
Outra possibilidade seria permitir que a apuração em andamento fosse concluída antes de qualquer decisão do plenário.
O tribunal está atualmente com 10 ministros, diante da existência de uma cadeira ainda não preenchida. Nesse cenário, eventual divisão equilibrada entre os integrantes da Corte aumenta o peso da posição de Cármen Lúcia, apontada nos bastidores como potencialmente decisiva.
A discussão também alcança referências a outros integrantes do Supremo relacionados, de maneiras distintas, ao banqueiro ou a pessoas próximas a ele.
Entre os nomes mencionados estão Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, além do próprio André Mendonça.
Mendonça confirmou ter recebido Vorcaro em março de 2025, antes de assumir a relatoria das investigações do Banco Master. Segundo o ministro, a conversa tratou de uma questão jurídica relacionada a precatórios que estava em discussão no Supremo.
A eventual análise pelo plenário deverá definir não apenas o tratamento dado às informações referentes a Moraes, mas também estabelecer os limites jurídicos para o uso de dados que alcancem integrantes da própria Corte durante investigações conduzidas pela Polícia Federal.
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