Política / Senado Federal
Alcolumbre defende Moraes e cita dinheiro de Vorcaro para filme sobre Bolsonaro
Presidente do Senado reagiu à pressão pelo impeachment do ministro do STF e lembrou pedido milionário feito para financiar a produção de “Dark Horse”
02/09/2026
18:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), reagiu nesta quarta-feira (2) às cobranças de parlamentares para que avance com pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a manifestação, o senador também direcionou críticas ao candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, ao mencionar os recursos solicitados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A declaração ocorreu no plenário depois que o senador Carlos Portinho (PL-RJ) cobrou uma posição de Alcolumbre sobre os pedidos contra Moraes. O presidente do Senado afirmou que vem recebendo críticas e que pretende apresentar, em outro momento, uma manifestação mais detalhada sobre o assunto.
Antes de retomar a pauta, porém, Alcolumbre relacionou a pressão contra Moraes às revelações envolvendo o financiamento da produção cinematográfica.
“Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para as mesmas pessoas para fazer um filme e, agora, o culpado só é o ministro Alexandre de Moraes”, declarou.
A referência feita pelo presidente do Senado está relacionada às mensagens e aos áudios que revelaram tratativas de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro para obter recursos destinados à produção de “Dark Horse”.
O projeto previa uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. Conforme as informações divulgadas sobre as negociações, o montante discutido para financiar a produção chegava a aproximadamente R$ 134 milhões.
Ao citar o episódio, Alcolumbre contrapôs a cobrança direcionada a Moraes às relações mantidas por integrantes do campo político bolsonarista com o próprio banqueiro investigado.
“Vou voltar para a pauta aqui, porque, senão, vou ter que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Eu acho... Apenas um comentário, no momento adequado, vou falar. Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para as mesmas pessoas para fazer um filme e, agora, o culpado só é o ministro Alexandre de Moraes. Mas vou fazer um relato de tudo o que quero falar”, afirmou Davi Alcolumbre.
Pouco antes da declaração, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) havia questionado Alcolumbre diretamente sobre a possibilidade de colocar em votação um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes.
A resposta do presidente do Senado foi curta.
“Não tenho”, respondeu ao ser perguntado se havia previsão para pautar algum dos requerimentos.
A posição de Alcolumbre é determinante porque compete à Presidência do Senado decidir sobre o encaminhamento inicial dos pedidos de impeachment apresentados contra ministros do Supremo.
Na terça-feira (1º), o senador já havia evitado avaliar o mérito das mensagens que passaram a ser relacionadas a Moraes no caso envolvendo Daniel Vorcaro.
“A decisão é que tem 109 pedidos. Eu não achei nada. Não devo achar nada. A minha percepção é que tem 109 pedidos. Isso não é normal. 109 pedidos de impeachment dos 10 ministros do STF”, declarou.
Alexandre de Moraes acumula 55 pedidos de impeachment apresentados ao Senado desde 2021, segundo os dados citados no material. As cobranças de parlamentares aumentaram após a divulgação de novas informações relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro.
Senadores passaram a defender publicamente o afastamento ou a renúncia do ministro.
O caso ganhou novo componente depois que o ministro André Mendonça encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) relatório da Polícia Federal contendo supostas mensagens relacionadas a Moraes e Vorcaro.
Em uma das conversas extraídas do telefone do banqueiro, Vorcaro teria indicado a necessidade de proteção de pessoas identificadas como “Paulo” e “Andrei”. Segundo a interpretação atribuída a investigadores, os nomes fariam referência ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A PGR, por sua vez, contestou a utilização do material e defendeu sua nulidade.
Com a nova pressão política sobre o Supremo, Alcolumbre sinalizou que pretende apresentar posteriormente uma manifestação mais ampla sobre os pedidos de impeachment e as críticas que vem recebendo. Por enquanto, não há indicação da Presidência do Senado de que algum requerimento contra Alexandre de Moraes será colocado em andamento.
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