Política / Bastidores
Lula é orientado a evitar crise envolvendo Moraes e Vorcaro
Aliados recomendam que presidente não comente mensagens reveladas pela PF e mantenha governo e campanha afastados da controvérsia envolvendo o ministro do STF
01/09/2026
16:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido aconselhado por aliados a não entrar publicamente na controvérsia envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A orientação ganhou força nesta terça-feira (1º), após a divulgação de novas mensagens extraídas do celular do antigo controlador do Banco Master.
Parlamentares do PT, integrantes da campanha pela reeleição e pessoas próximas ao presidente avaliam que Lula não deve comentar o conteúdo revelado pela investigação. A estratégia defendida nos bastidores é tratar o episódio como uma questão relacionada ao Supremo e às instituições responsáveis pela apuração.
“Nossa avaliação é de que o PT ou a nossa campanha não estão relacionados a nada disso. Os últimos acontecimentos podem até animar a turma bolsonarista e o discurso de impeachment dos ministros do STF, mas não tem nada a ver com a campanha do presidente Lula”, afirmou, sob reserva, um integrante da campanha presidencial.
A cautela também ocorre em meio à repercussão política das informações sobre Moraes. O ministro teve participação recente na reaproximação entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), depois de um período de distanciamento. Um encontro entre os dois ocorreu na residência de Moraes em 4 de agosto.
O novo capítulo do caso surgiu com a divulgação de informações contidas em relatório da Polícia Federal. As mensagens recuperadas do aparelho de Daniel Vorcaro indicariam contatos e encontros entre o ex-banqueiro e Moraes, inclusive no apartamento do ministro em São Paulo.
Os registros também mencionariam a participação dos dois na organização de um fórum jurídico em Londres. Outro diálogo que passou a ser analisado é atribuído a Vorcaro e teria ocorrido dois dias antes da prisão do ex-banqueiro.
Segundo as informações divulgadas, Vorcaro teria consultado Moraes sobre a possibilidade de deixar o Brasil. Posteriormente, ele foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior.
Os diálogos atribuídos aos envolvidos e as interpretações sobre seu conteúdo ainda dependem da análise das autoridades responsáveis. A existência das mensagens, isoladamente, não representa comprovação de prática criminosa.
Outro ponto que aumentou a repercussão do caso envolve contratos entre empresas relacionadas a Vorcaro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Um dos contratos previa pagamento de 36 parcelas de R$ 3 milhões, o equivalente a R$ 108 milhões ao longo do período. Entre os serviços previstos estaria a atuação do escritório em procedimentos e inquéritos perante as polícias Federal e Civil, além de processos administrativos.
Outro acordo, firmado com a Viking Participações, estabelecia remuneração que poderia alcançar R$ 50 milhões em 36 meses. O documento também admitia que os honorários fossem pagos por meio de bens, incluindo imóveis.
Com o aumento da pressão política e jurídica em torno das revelações, a avaliação entre aliados do presidente é de que uma manifestação de Lula poderia inserir o Palácio do Planalto em uma controvérsia que hoje está concentrada no STF, na Polícia Federal e nas demais instituições envolvidas nas investigações. Por isso, a orientação é manter distância e evitar que o episódio seja incorporado diretamente à campanha presidencial.
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