Economia / Comércio Exterior
Após conversa entre Lula e Trump, Brasil e EUA avançam em negociação sobre tarifas
Governos retomam reuniões técnicas para buscar acordo comercial; Brasil contesta sobretaxas e afirma que Pix não será objeto de negociação
31/08/2026
17:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Os governos do Brasil e dos Estados Unidos retomaram nesta segunda-feira (31) as negociações formais para tentar chegar a um acordo sobre as tarifas impostas pelos norte-americanos a produtos brasileiros. O movimento ocorre após conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, que reabriu o canal político entre os dois países.
Na reunião virtual desta segunda-feira, participaram os ministros Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e Mauro Vieira, das Relações Exteriores, além do representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. A composição do encontro foi confirmada em nota conjunta do MDIC e do Itamaraty.
Segundo Márcio Elias Rosa, a orientação recebida pela equipe norte-americana é trabalhar para alcançar um entendimento com o Brasil.
“Nós deixamos que o propósito do Brasil é que trabalhemos para que se tenha um acordo, o mais abrangente possível, que afasta essas tarifas indevidas. E, por outro lado, disseram que a recomendação do presidente Trump é para que trabalhemos para um acordo”, declarou.
Apesar da retomada das conversas, o governo brasileiro manteve a posição contrária às sobretaxas adotadas por Washington.
Na nota oficial divulgada depois da reunião, Brasil afirmou que as medidas unilaterais são incompatíveis com as regras multilaterais de comércio e classificou como injusto o tratamento dispensado aos produtos brasileiros. Os dois lados concordaram em realizar novas reuniões técnicas nas próximas semanas, com possibilidade de encontros virtuais ou presenciais.
As medidas adotadas pelos Estados Unidos em julho de 2026 estabeleceram sobretaxas de 25% e 12,5% sobre diferentes grupos de mercadorias brasileiras. Dependendo do produto, as cobranças podem ser acumuladas e alcançar 37,5%. Segundo levantamento do MDIC, aproximadamente 23,1% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estão sujeitas às novas sobretaxas decorrentes das investigações baseadas na Seção 301 da legislação norte-americana.
O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos também apareceu nas discussões comerciais. O Pix está entre os temas levantados pelos Estados Unidos no âmbito da investigação comercial que embasou parte das medidas tarifárias contra o Brasil.
Márcio Elias Rosa afirmou, entretanto, que o governo brasileiro não pretende negociar mudanças no funcionamento do sistema.
“O Pix é um patrimônio do Brasil, mais de 80% dos brasileiros usam Pix. Não há a possibilidade de negociarmos o Pix, isso foi ressaltado”, afirmou o ministro.
O governo brasileiro sustenta que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos nas investigações comerciais não correspondem às práticas adotadas pelo país e pretende manter essa posição durante as próximas rodadas.
A reunião desta segunda-feira marcou a retomada formal das tratativas depois do telefonema entre Lula e Trump, realizado em 21 de agosto. Na ocasião, os dois presidentes concordaram em restabelecer as negociações comerciais.
Agora, equipes técnicas deverão trabalhar nos pontos de divergência e nas possibilidades de composição. Depois dessa etapa, está prevista uma nova reunião em nível ministerial para avaliar os avanços alcançados.
“Teremos reuniões técnicas para acertar as bases. Não vamos seguir na linha do que vinha antes, era uma proposta de acordo muito genérica. O Brasil já recusou. Insistimos nesse ponto na negociação”, disse Márcio Elias Rosa.
Embora o ministro tenha demonstrado otimismo, nenhum acordo foi fechado nesta segunda-feira. A posição oficial divulgada pelos ministérios brasileiros é de que o país continuará buscando uma solução considerada equilibrada e mutuamente benéfica, preservando o diálogo e a soberania nacional.
Para o setor produtivo, o avanço das negociações é relevante porque os Estados Unidos permanecem entre os principais mercados das exportações brasileiras. No primeiro semestre de 2026, os embarques brasileiros para o mercado norte-americano somaram US$ 17,4 bilhões, queda de 13% na comparação com igual período de 2025.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Lula reúne empresários e banqueiros no Alvorada em meio à disputa pelo setor privado
Leia Mais
Candidatos à Presidência cumprem agendas em três estados e apresentam propostas
Leia Mais
Setembro abre prazo decisivo para empresas do Simples escolherem como pagar IBS e CBS
Leia Mais
Novas regras para ingressos ampliam proteção ao consumidor e garantem água gratuita em eventos
Municípios