Política / Justiça
Flávio cobra saída de Moraes do STF e Zema defende prisão do ministro
Reações ocorrem após divulgação de análise da PF sobre contrato de R$ 131 milhões e mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro envolvendo Alexandre de Moraes
01/09/2026
16:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira (1º) que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não teria condições de permanecer no cargo caso sejam confirmadas as suspeitas surgidas nas investigações relacionadas ao Banco Master. Também candidato ao Planalto, Romeu Zema (Novo) adotou discurso mais duro e defendeu a prisão do magistrado.
As manifestações ocorreram após a divulgação de informações atribuídas a uma análise da Polícia Federal sobre documentos encontrados no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo reportagens citadas no material, metadados indicariam que Moraes realizou edições em um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, antes da assinatura do documento.
As informações fazem parte das apurações que envolvem o banco e ainda deverão ser submetidas à análise das autoridades competentes. A existência de registros ou menções ao ministro não significa, isoladamente, comprovação de crime ou irregularidade.
Ao comentar o caso, Flávio Bolsonaro sustentou que Moraes deveria deixar o Supremo caso as suspeitas sejam comprovadas.
“Acho que o Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem a menor condição de ele continuar sendo ministro do Supremo”, afirmou.
Outro ponto citado pelo senador envolve mensagens atribuídas a Vorcaro. Conforme as informações divulgadas, o ex-banqueiro teria perguntado a Moraes, dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal, se deveria deixar o Brasil.
Os novos elementos também chegaram ao ministro André Mendonça, do STF. Nesta terça-feira, ele pediu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre documento da Polícia Federal contendo mensagens nas quais Vorcaro solicita a um interlocutor uma suposta atuação de “Andrei e Paulo” em seu favor.
As referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República. Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, a PF trabalha com a suspeita de que o interlocutor dessas mensagens possa ser Alexandre de Moraes.
Flávio afirmou que os fatos precisam ser esclarecidos antes de uma conclusão definitiva.
“Se ele não esclarecer e se comprovar essas suspeitas [...], ele não tem a menor condição de continuar sendo ministro”, declarou.
O senador acrescentou que é necessário “aguardar o andamento das investigações” e defendeu que Gonet e Andrei Rodrigues também prestem esclarecimentos sobre as referências feitas nas mensagens.
Romeu Zema, candidato do Novo à Presidência, também reagiu às informações e elevou o tom contra o ministro. Em publicação nas redes sociais, lembrou ter apresentado um pedido de impeachment contra Moraes quando ainda ocupava o governo de Minas Gerais.
“Impeachment é pouco. Ele merece é cadeia. Chega de intocável enriquecendo às custas do povo. Prisão pra ele e que devolva todo o dinheiro”, escreveu Zema.
A declaração representa a posição política do candidato e não uma conclusão judicial sobre a existência de crime cometido pelo ministro.
Na mesma entrevista, Flávio Bolsonaro foi questionado sobre novos repasses atribuídos a Vorcaro para o filme “Dark Horse”. O senador afirmou não possuir informações sobre a prestação de contas e direcionou os questionamentos à produtora responsável pelo projeto, a Go Up Entertainment.
“Essas informações eu não tenho como saber porque eu não trato disso. Tem que perguntar para a produtora. Desculpa”, respondeu.
O questionamento ocorreu porque mensagens anteriormente divulgadas indicariam que o próprio senador participou de negociações com Vorcaro sobre recursos destinados à produção. Flávio, porém, reiterou que os esclarecimentos financeiros devem ser fornecidos pela produtora.
A repercussão política das revelações aumenta a pressão para que os documentos e mensagens reunidos pela Polícia Federal sejam formalmente analisados pelas instituições responsáveis. Eventuais consequências para Moraes ou outros agentes mencionados dependerão da comprovação dos fatos e das decisões tomadas nas instâncias competentes.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
TSE julga limites para deepfakes e decisão pode atingir mais de 50 ações eleitorais
Leia Mais
TSE julga limites para deepfakes e decisão pode atingir mais de 50 ações eleitorais
Leia Mais
PGR pede anulação de apuração sobre Moraes e contesta ordem de André Mendonça
Leia Mais
Senado aprova Rodrigo Pacheco para vaga no TCU por 63 votos
Municípios