Saúde / Autoestima
Setembro Amarelo amplia debate sobre autoestima e relação das mulheres com o próprio corpo
Especialista defende moda praia mais confortável e inclusiva, enquanto estudos apontam relação entre insatisfação corporal e baixa autoestima
02/09/2026
12:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A discussão sobre saúde emocional durante o Setembro Amarelo também abre espaço para um problema presente na rotina de muitas mulheres e adolescentes: a insatisfação com o próprio corpo. Na moda praia, essa relação aparece de maneira ainda mais evidente, já que biquínis e maiôs historicamente estiveram associados a padrões estéticos que nem sempre representam a diversidade dos corpos femininos.
Estudo brasileiro sobre imagem corporal aponta que 30,2% das pessoas apresentam algum grau de insatisfação com o próprio corpo, situação mais frequente entre mulheres. Entre adolescentes, pesquisas também relacionam a percepção corporal negativa à redução da autoestima, especialmente entre meninas.
Nesse contexto, profissionais do setor defendem que o desenvolvimento das peças considere conforto, sustentação e diferentes formatos corporais. A proposta não é atribuir à roupa a capacidade de resolver questões emocionais, mas evitar que o vestuário se transforme em mais uma fonte de insegurança.
Para Karine Strapazzon, especialista em modelagem e fundadora da Arsie, uma das principais mudanças observadas na moda praia está justamente na maneira como as peças são desenvolvidas.
“Durante muito tempo, o biquíni foi tratado como uma peça feita para poucos corpos. Hoje entendemos que a função da modelagem não é fazer a mulher caber na roupa, mas fazer a roupa respeitar o corpo dela”, afirma.
Essa mudança envolve características como maior sustentação, diferentes níveis de cobertura, estabilidade e liberdade de movimento. Na avaliação da especialista, peças inadequadas podem fazer com que a preocupação com a roupa interfira até mesmo na experiência de lazer.
“Quando uma mulher passa o dia inteiro ajustando a alça, puxando a calcinha ou preocupada se a peça saiu do lugar, ela deixa de viver aquele momento. Uma boa modelagem devolve justamente essa tranquilidade: a roupa desaparece e a experiência vira protagonista”, explica Karine.
A preocupação com a imagem corporal ganha peso adicional durante a adolescência, fase marcada por mudanças físicas e emocionais. Para muitas meninas, é também o período dos primeiros contatos com peças de moda praia e com uma exposição maior do próprio corpo.
Karine avalia que produtos voltados ao público adolescente não devem ser simplesmente versões menores de modelos desenvolvidos para mulheres adultas.
A especialista defende que as peças destinadas a essa faixa etária priorizem proteção, estabilidade, conforto e liberdade de movimento, considerando um corpo que ainda passa por transformações.
“A menina não precisa escolher entre estar na moda e se sentir segura. Quando criamos uma peça com mais cobertura ou uma alça que oferece estabilidade, não estamos escondendo o corpo dela; estamos permitindo que ela tenha liberdade para brincar, nadar e aproveitar esse momento com confiança”, afirma.
A discussão proposta durante o Setembro Amarelo não coloca a moda como solução para problemas relacionados à saúde emocional. O ponto levantado é a possibilidade de reduzir estímulos que reforcem comparações, desconfortos e padrões corporais restritivos.
Na moda praia, isso significa desenvolver produtos pensando primeiro em quem irá utilizá-los, respeitando diferenças de tamanho, formato corporal, idade e necessidade de sustentação.
A transformação também modifica a antiga ideia de que seria necessário possuir determinado tipo físico para usar biquíni ou aproveitar ambientes como praias e piscinas. Nesse novo entendimento, a roupa passa a cumprir sua função sem estabelecer qual corpo estaria autorizado a ocupar esses espaços.
Assim, a discussão sobre autoestima deixa de se limitar à aparência e passa a envolver conforto, autonomia e liberdade para que mulheres e adolescentes possam vivenciar momentos de lazer sem transformar o próprio corpo em motivo permanente de preocupação.
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