Campo Grande (MS), Sexta-feira, 04 de Setembro de 2026

Justiça / Supremo

Mendonça deixa sociedade do Instituto Iter após questionamentos sobre contratos públicos

Ministro e esposa vão ceder todas as cotas sem receber contrapartida; instituição será transformada em entidade sem fins lucrativos e magistrado seguirá apenas como professor

03/09/2026

09:15

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu deixar o quadro societário do Instituto Iter, instituição de ensino fundada por ele em 2024 e que passou a enfrentar questionamentos relacionados a contratos firmados com órgãos públicos. A saída também envolve a esposa do magistrado, Janei Mendonça, e ocorrerá sem pagamento pelas participações.

A decisão foi tomada em 2 de setembro de 2026, segundo nota divulgada pela assessoria do ministro. Mendonça teria comunicado ao presidente do Iter, Victor Godoy, que deveriam ser adotadas as providências necessárias para sua retirada e a transformação da instituição em uma entidade sem fins lucrativos.

O ministro afirmou a interlocutores que a mudança tem como objetivo “evitar ruídos”. Depois da alteração societária, ele pretende manter somente atividades acadêmicas no instituto, na condição de professor.

Ministro e esposa deixarão quadro societário

Mendonça vai ceder a totalidade das cotas pertencentes a ele e à esposa aos demais integrantes da sociedade, sem contrapartida financeira.

De acordo com a assessoria, eventuais valores correspondentes às participações deverão permanecer integralmente destinados a finalidades sociais e educacionais.

A decisão ocorre em meio à ampliação dos questionamentos públicos sobre a atuação do Iter e seus contratos com administrações públicas.

O instituto oferece cursos jurídicos e programas de aperfeiçoamento profissional, inclusive conteúdos ministrados pelo próprio ministro.

Contratos públicos colocaram Iter sob questionamento

O debate sobre a instituição ganhou força após a divulgação de informações de que o Iter havia alcançado R$ 4,8 milhões em contratos públicos em 2025, aproximadamente um ano depois de iniciar suas atividades.

Nesta quinta-feira (3), a revista Fórum publicou levantamento segundo o qual o volume de contratos teria ultrapassado R$ 10,8 milhões.

Mendonça contesta esses números, segundo interlocutores citados na reportagem. O magistrado também sustenta que nunca recebeu lucros provenientes do instituto.

Conforme a versão apresentada por ele, a instituição registrou prejuízo no primeiro ano de funcionamento e teria encerrado o ano seguinte com resultado positivo próximo de R$ 200 mil.

A assessoria do Instituto Iter afirma que não houve distribuição de lucros aos sócios.

Governos e prefeituras contrataram instituição

Entre os contratantes mencionados estão o Governo de São Paulo, administrado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a Prefeitura de São Paulo, comandada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB).

A existência de contratos públicos, inclusive contratações sem licitação, passou a ser utilizada por críticos do ministro para levantar questionamentos sobre possível conflito de interesses ou eventual favorecimento.

As informações apresentadas, entretanto, não demonstram por si mesmas a existência de irregularidade, direcionamento de contratos ou interferência de Mendonça nas contratações.

A decisão de abandonar formalmente a sociedade ocorre justamente enquanto esses questionamentos ganham maior repercussão.

Mendonça já havia anunciado destinação social de eventual lucro

Antes de decidir pela saída, Mendonça havia anunciado publicamente que eventuais resultados financeiros correspondentes à participação de sua família no Iter seriam destinados a finalidades religiosas, sociais e educacionais.

Em vídeo divulgado anteriormente nas redes sociais, o ministro afirmou que 10% de eventual lucro seriam destinados ao dízimo e os 90% restantes a projetos sociais e de educação.

“Eu, a minha esposa, sob as bênçãos dos meus filhos, decidimos que a nossa parte do Instituto Iter será para a consagração de um altar a Deus. Tudo o que vier, possivelmente, a dar de lucro e resultado, eu vou separar 10% para o dízimo e os 90% restantes serão investidos em obras sociais e educação”, declarou Mendonça.

Com a nova decisão, o ministro não permanecerá como sócio e, segundo sua assessoria, não receberá compensação financeira pela transferência das cotas.

Instituto recebeu autorização para pós-graduação

Outro episódio que colocou o Iter em evidência ocorreu após o Ministério da Educação (MEC) autorizar a instituição a oferecer cursos de pós-graduação lato sensu, modalidade de especialização.

A autorização chamou a atenção de integrantes do setor educacional pela rapidez da tramitação diante da existência de outros pedidos semelhantes aguardando análise, conforme a reportagem original.

A instituição, por sua vez, mantém atuação voltada ao ensino e aperfeiçoamento profissional na área jurídica.

Com a transformação anunciada, o Iter deverá deixar o modelo empresarial atual e funcionar como entidade sem fins lucrativos.

Mendonça continuará como professor

A retirada da sociedade não representará o rompimento completo do ministro com o instituto.

Segundo a nota oficial, Mendonça continuará prestando exclusivamente serviços acadêmicos, na condição de professor.

A mudança separa formalmente a participação societária do magistrado das atividades educacionais que ele continuará exercendo.

A assessoria afirma ainda que Mendonça jamais recebeu lucro da instituição e que a transferência das cotas seguirá a destinação social e educacional anteriormente anunciada.

Nota de André Mendonça na íntegra

“O ministro André Mendonça decidiu deixar a sociedade do Instituto Iter, cedendo a totalidade de suas cotas e de sua esposa, sem qualquer contrapartida financeira.

As cotas, e eventuais valores a elas correspondentes, permanecerão integralmente destinados a fins sociais e educacionais, conforme o ministro já havia decidido e anunciado no início deste ano.

Criado em 2024, o Instituto Iter será transformado em entidade sem fins lucrativos, reforçando sua vocação exclusivamente educacional e social. O ministro jamais auferiu lucro do instituto.

A decisão foi tomada em 2 de setembro de 2026, quando o ministro, em conversa com o presidente do Instituto, Victor Godoy, orientou que se tomassem as providências necessárias nos termos aqui descritos.

Nessas condições, o ministro permanecerá prestando serviços exclusivamente acadêmicos, na qualidade de professor.”


Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Últimas Notícias

Veja Mais

Envie Sua Notícia

Envie pelo site

Envie pelo Whatsapp

Municípios

Rebouças Renascença Reserva Reserva do Iguaçu Ribeirão Claro Ribeirão do Pinhal Rio Azul Rio Bom Rio Bonito do Iguaçu Rio Branco do Ivaí Rio Branco do Sul Rio Negro Rolândia Roncador Rondon Rosário do Ivai Sabáudia Salgado Filho Salto do Itararé Salto do Lontra Santa Amélia Santa Cecília do Pavão Santa Cruz Monte Castelo Santa Fé Santa Helena Santa Inês Santa Isabel do Ivaí Santa Izabel do Oeste Santa Lúcia Santa Maria do Oeste Santa Mariana Santa Mônica Santa Tereza do Oeste Santa Terezinha de Itaipu Santana do Itararé Santo Antônio da Platina Santo Antônio do Caiuá Santo Antônio do Paraíso Santo Antônio do Sudoeste Santo Inácio Sapopema Sarandi Saudade do Iguaçu São Carlos do Ivaí São Jerônimo da Serra São João São João do Caiuá São João do Ivaí São João do Triunfo São Jorge d'Oeste São Jorge do Ivaí São Jorge do Patrocínio São José da Boa Vista São José das Palmeiras São José dos Pinhais São Manoel do Paraná São Mateus do Sul São Miguel do Iguaçu São Pedro do Iguaçu São Pedro do Ivaí São Pedro do Paraná São Sebastião da Amoreira São Tomé Sengés Serranópolis do Iguaçu Sertanópolis Sertaneja Siqueira Campos Sulina Tamarana Tamboara Tapejara Tapira Teixeira Soares Telêmaco Borba Terra Boa Terra Rica Terra Roxa Tibagi Tijucas do Sul Toledo Tomazina Três Barras do Paraná Tunas do Paraná Tuneiras do Oeste Tupãssi Turvo Ubiratã Umuarama União da Vitória Uniflor Uraí Ventania Vera Cruz do Oeste Verê Vila Alta Virmond Vitorino Wenceslau Braz Xambrê

ParanAgora © 2021 Todos os direitos reservados.

PROIBIDA A REPRODUÇÃO, transmissão e redistribuição sem autorização expressa.

Site desenvolvido por: