Justiça / Banco Master
PGR fecha acordo de delação com empresário que intermediou dinheiro de Vorcaro para filme sobre Bolsonaro
Antonio Carlos Freixo Júnior detalhou repasses ao fundo Havengate, nos Estados Unidos; colaboração ainda depende de homologação do ministro André Mendonça
03/09/2026
08:45
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A Procuradoria-Geral da República (PGR) fechou acordo de colaboração premiada com o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, proprietário da Entre Investimentos e Participações. A empresa aparece nas investigações como intermediária de repasses de Daniel Vorcaro relacionados ao financiamento de Dark Horse, produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo as informações divulgadas, Freixo apresentou aos investigadores detalhes de pagamentos realizados a pedido do ex-controlador do Banco Master. A colaboração já foi encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por decidir se homologa o acordo.
Não há prazo definido para essa análise. A homologação judicial é necessária para que a colaboração produza os efeitos jurídicos previstos no acordo.
Um dos pontos apresentados por Freixo envolve remessas destinadas ao Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos.
A estrutura é administrada pelo advogado Paulo Calixto, apontado na apuração como próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL).
Os investigadores procuram esclarecer o destino integral dos recursos e apuram se todo o dinheiro transferido foi efetivamente empregado na produção de Dark Horse ou se parte dos valores teria sido utilizada para despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Até o momento, as informações apresentadas não demonstram que tenha ocorrido desvio dos recursos para essa finalidade. A questão permanece sob investigação.
A participação de Antonio Carlos Freixo Júnior ganhou relevância porque sua empresa aparece no caminho financeiro utilizado para fazer chegar recursos de Vorcaro ao fundo norte-americano relacionado à produção.
Com o acordo de colaboração, a PGR passa a ter a versão de um dos empresários diretamente envolvidos nas transferências, além de informações que poderão ser confrontadas com registros bancários, documentos empresariais, mensagens e outros elementos reunidos na investigação.
O conteúdo integral do depoimento e as condições negociadas entre Freixo e a Procuradoria-Geral da República não foram divulgados.
As movimentações financeiras relacionadas a Dark Horse passaram a receber maior atenção depois da divulgação de um áudio no qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicita recursos a Daniel Vorcaro para financiar a produção.
O caso havia sido revelado inicialmente pelo Intercept Brasil.
Segundo a apuração citada pela reportagem, Vorcaro teria desembolsado aproximadamente R$ 61 milhões para o projeto cinematográfico após o pedido de Flávio. A negociação teria contado com a participação do publicitário Thiago Miranda.
A investigação busca reconstruir o percurso desses recursos e determinar quanto efetivamente chegou à produção e como os valores foram utilizados.
Dark Horse aborda episódios da trajetória de Jair Bolsonaro, incluindo o atentado a faca sofrido durante a campanha eleitoral de 2018, sua candidatura à Presidência da República e a vitória naquele pleito.
Bolsonaro é interpretado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido internacionalmente pelo papel de Jesus Cristo no filme A Paixão de Cristo.
A direção é do cineasta Cyrus Nowrasteh. O deputado federal Mario Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, também participou da elaboração do roteiro.
A delação de Antonio Carlos Freixo Júnior abre uma nova frente para o esclarecimento do fluxo financeiro envolvendo Vorcaro e a produção. O próximo passo será a análise de André Mendonça, que poderá homologar o acordo no STF antes do avanço das diligências baseadas nas informações apresentadas pelo colaborador.
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