Justiça / Crise no STF
Segunda Turma forma maioria para manter Andrei afastado da PF, mas Gilmar suspende julgamento
Fux e Nunes Marques acompanham Mendonça e consolidam três votos pelo afastamento; pedido de vista interrompe análise, mas decisão continua em vigor
08/09/2026
10:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta terça-feira (8) para referendar a decisão do ministro André Mendonça que afastou preventivamente Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal (PF). O julgamento, porém, foi interrompido depois de um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
Apesar da paralisação, a medida determinada por Mendonça continua valendo. Andrei permanece afastado enquanto o colegiado não concluir a análise.
O julgamento virtual começou às 10h, quando Mendonça apresentou voto pela manutenção de sua própria decisão. Na sequência, Gilmar pediu mais tempo para examinar o processo.
Mesmo com o pedido de vista, os demais integrantes puderam antecipar seus votos. Luiz Fux acompanhou o relator e, posteriormente, Kassio Nunes Marques também votou pela manutenção das medidas. Com isso, foram registrados três votos no mesmo sentido, número suficiente para formar maioria entre os cinco integrantes da Turma.
As manifestações ocorreram em um intervalo de aproximadamente nove minutos.
Embora a maioria já esteja formada, o pedido de vista de Gilmar Mendes impede, neste momento, a proclamação do resultado definitivo.
Pelas regras do Supremo, o ministro poderá permanecer com o processo por até 90 dias antes de devolvê-lo para continuidade do julgamento. Quando a análise for retomada, os ministros que já se manifestaram ainda poderão alterar seus votos antes da conclusão.
Além de Gilmar, falta a manifestação de Dias Toffoli, que já foi relator de processos relacionados ao Banco Master e tem se declarado impedido em julgamentos vinculados ao caso desde que deixou a relatoria.
O afastamento de Andrei foi determinado depois de Mendonça afirmar ter identificado um “monitoramento sistemático” realizado pela área de inteligência da Polícia Federal sobre sua atuação.
Segundo o ministro, foram produzidos pelo menos seis relatórios de inteligência entre 3 e 31 de agosto de 2026, contendo análises sobre sua atuação e sobre a relação institucional com o advogado-geral da União, Jorge Messias.
“Ao menos há mais de 30 dias este relator tem sido monitorado pela Polícia Federal. Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação”, escreveu Mendonça.
O ministro sustenta que os documentos mencionam “monitoramento e coleta dirigida” sobre ele e Messias.
A conclusão de que houve monitoramento ilegal é apresentada por Mendonça em sua decisão. A natureza, finalidade e regularidade dos relatórios estão no centro da controvérsia institucional e ainda são objeto de análise.
Um dos documentos, segundo a decisão, avaliou a hipótese de que a Advocacia-Geral da União (AGU) teria deixado de apresentar recursos em determinadas situações para preservar uma suposta relação política entre Messias e Mendonça.
O próprio relatório, entretanto, teria classificado como baixa a confiança na cadeia de inferências utilizada para sustentar essa hipótese.
Apesar dessa ressalva, o documento teria mencionado a possibilidade de “monitoramento e coleta dirigida”.
Para Mendonça, referências a informações não registradas em documentos anteriores e a retomada de avaliações já produzidas indicariam continuidade no acompanhamento.
“Verifica-se que o monitoramento e coleta dirigida de informações deste Ministro relator e do Advogado-Geral da União ocorria ao menos há mais de um mês”, afirmou.
Mendonça sustenta ainda que o ministro Alexandre de Moraes teria recebido informações sobre a existência dos relatórios antes do encaminhamento formal do material.
Segundo a decisão, Andrei Rodrigues enviou documentos a Moraes em 1º de setembro, às 18h45. Mendonça relaciona esse episódio à posterior inclusão de seu nome no Inquérito das Fake News.
A crise entre os ministros ganhou dimensão pública depois que Mendonça retirou o sigilo de documentos da investigação do Banco Master que continham mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e referências a integrantes de diferentes instituições.
Moraes, por sua vez, pediu a apuração de possíveis irregularidades praticadas por Mendonça na condução de investigações sob sua relatoria. As suspeitas levantadas nesse episódio permanecem sob análise e não equivalem à comprovação de crimes.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, abriu procedimento separado para reunir esclarecimentos sobre o confronto institucional.
Foram chamados a se manifestar André Mendonça, Alexandre de Moraes, Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues.
Ao comentar a crise, Fachin afirmou que a resposta institucional deverá ser firme, mas sem decisões precipitadas, e ressaltou que a gravidade dos fatos não autoriza atalhos.
Com o pedido de vista de Gilmar Mendes, a Segunda Turma ainda não encerrou formalmente o julgamento. Na prática, porém, Mendonça, Fux e Nunes Marques já formaram maioria para referendar o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues, e a decisão permanece produzindo efeitos enquanto o processo aguarda a retomada da votação.
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