Campo Grande (MS), Domingo, 06 de Setembro de 2026

Política / Banco Master

Alckmin defende investigação sobre suposta relação de Tarcísio com caso Master: “Traga a verdade”

Vice-presidente diz que doações eleitorais são legais, mas cobra apuração sobre eventual contrapartida; Tarcísio e Kassab negam irregularidades

06/09/2026

09:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O vice-presidente da República e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSB), defendeu a investigação das suspeitas envolvendo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o caso Banco Master. Em entrevista publicada neste domingo (6), Alckmin afirmou que eventuais relações entre doações eleitorais e benefícios concedidos pelo poder público precisam ser esclarecidas.

A manifestação ocorre após Daniel Vorcaro relatar, em proposta de colaboração premiada, uma suposta negociação envolvendo doações feitas durante as eleições de 2022. As declarações de Vorcaro ainda dependem de investigação e eventual comprovação por elementos independentes.

“Não tem problema as pessoas fazerem doações para a campanha; a lei permite, pessoa física, não jurídica. Agora, o que não pode é vincular isso a benefícios de governo, então cabe a investigação”, afirmou Alckmin ao Metrópoles.

Vorcaro cita R$ 5 milhões em doações

Segundo o relato atribuído a Vorcaro, doações que somaram R$ 5 milhões para as campanhas de Tarcísio e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teriam integrado uma negociação de propina envolvendo Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e ex-secretário do governo paulista.

Do total mencionado, R$ 2 milhões teriam sido destinados à campanha de Tarcísio e R$ 3 milhões à de Bolsonaro.

O dinheiro foi doado em 2022 por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado na Operação Compliance Zero.

A existência de uma doação eleitoral declarada, por si só, não comprova pagamento de propina ou concessão de vantagem indevida. O ponto sob questionamento é justamente a alegação de Vorcaro sobre uma eventual contrapartida, versão negada pelos citados.

Alckmin cobra apuração “doa a quem doer”

Na entrevista, Alckmin também comentou a crise envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e as investigações relacionadas ao Banco Master.

O vice-presidente classificou o momento vivido pela Corte como “muito triste” e defendeu que as instituições esclareçam os fatos.

“Acho que tem que ter o que a sociedade espera, a população brasileira espera. Espera que haja investigação e que a investigação traga a verdade. Traga a verdade e que tenha consequências. Ninguém está acima da lei”, declarou.

Alckmin acrescentou que ocupantes de cargos de maior responsabilidade precisam estar submetidos a um nível igualmente elevado de cobrança.

“Quanto mais alto o cargo, mais alta a responsabilidade, maior o dever de cumprir a lei e de dar exemplo. Então, defendo que se apure, doa a quem doer.”

O vice-presidente também elogiou a autonomia dos órgãos responsáveis pelas investigações durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), citando a Polícia Federal e o Ministério Público.

Kassab classifica relato como “fantasioso”

Procurado, Gilberto Kassab rejeitou as acusações atribuídas a Vorcaro e afirmou não ter tratado de doações eleitorais com o ex-banqueiro.

“Refuto com veemência”, declarou.

Kassab classificou o relato como “absolutamente fantasioso” e afirmou nunca ter mantido relação pessoal ou telefônica com Daniel Vorcaro.

O dirigente do PSD disse conhecer Augusto Lima e Thiago Botelho, mas negou ter discutido com eles assuntos relacionados ao Credcesta.

Também afirmou que nunca recebeu valores de Vorcaro, Lima ou Botelho e que as acusações não teriam sustentação factual.

Tarcísio nega vínculo com doador

A assessoria de Tarcísio de Freitas também rejeitou qualquer relação irregular.

Segundo a manifestação, a campanha de 2022 recebeu recursos de mais de 600 doadores e foi realizada em conformidade com a legislação eleitoral.

A equipe do governador afirmou que Tarcísio não possui vínculo com o doador citado e não tinha conhecimento prévio de eventuais condutas externas à campanha.

A defesa política do governador também destacou que a prestação de contas eleitoral foi apresentada e aprovada pela Justiça Eleitoral.

Governo paulista contesta relação com Credcesta

Outro ponto da controvérsia envolve a PKL One Participações S.A., responsável pelo cartão Credcesta.

Segundo o governo paulista, o credenciamento da empresa para atuar como consignatária ocorreu em maio de 2022, portanto antes da posse de Tarcísio como governador.

A administração estadual argumenta ainda que esse credenciamento não constitui contrato com o governo e não envolve repasse de recursos públicos.

Em nota, o governo de São Paulo afirmou repudiar “de forma categórica” qualquer insinuação de favorecimento relacionado à operação da PKL/Credcesta.

A gestão estadual sustenta que o credenciamento de instituições para operações consignadas segue requisitos objetivos e que, uma vez preenchidas as condições legais, a administração deve conceder a habilitação.

Segundo os números apresentados pelo próprio governo paulista, a PKL representa atualmente 3,4% dos R$ 634 milhões movimentados nas operações consignadas do Estado, aproximadamente R$ 21,5 milhões. Antes da liquidação determinada pelo Banco Central, a participação teria alcançado 5,26%, equivalente a cerca de R$ 33 milhões.

Vice-presidente também critica ato de 7 de Setembro

Alckmin aproveitou a entrevista para comentar a manifestação convocada por Flávio Bolsonaro (PL) e apoiadores para 7 de Setembro, na Avenida Paulista.

O vice-presidente afirmou considerar legítima a realização de campanhas e manifestações políticas, mas criticou eventuais discursos de ruptura institucional.

“O que não pode é no dia da Pátria, que é o 7 de Setembro, você ter saudade de golpe militar, isso não é possível”, declarou.

Alckmin também afirmou que a defesa da democracia deve ser um dos critérios centrais para avaliar a atuação de agentes públicos.

No caso envolvendo Tarcísio, Kassab e Banco Master, entretanto, as acusações permanecem no terreno investigativo. A posição manifestada pelo vice-presidente é de que os relatos sejam formalmente apurados e confrontados com documentos e outras provas, enquanto Tarcísio e Kassab negam qualquer irregularidade ou favorecimento.


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