Justiça / Supremo
Fachin aguarda explicações de Moraes e Mendonça antes de decidir rumo da crise no STF
Prazo de cinco dias termina na sexta-feira (11); presidente do Supremo poderá avaliar levar controvérsia ao plenário ou buscar solução interna entre ministros
07/09/2026
09:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, aguarda as manifestações dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça antes de definir como será conduzida a crise que colocou os dois integrantes da Corte em lados opostos nos desdobramentos do caso Banco Master.
O prazo de cinco dias concedido por Fachin termina na próxima sexta-feira (11). Somente depois de receber as explicações dos ministros, o presidente do STF deverá decidir os próximos passos, entre eles a possibilidade de submeter a controvérsia ao plenário da Corte, em sessão aberta ou reservada.
A disputa ganhou dimensão institucional na última semana, depois da divulgação de documentos com questionamentos recíprocos e da apresentação de pedidos relacionados à atuação dos dois ministros.
No desdobramento mais recente, André Mendonça liberou para apreciação do plenário um relatório da Polícia Federal (PF) que aponta elementos considerados indicativos de proximidade entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.
Vorcaro é investigado por suspeitas relacionadas a fraudes financeiras e outros possíveis crimes. As referências existentes nos documentos da investigação, entretanto, devem ser tratadas como elementos sob apuração e não como comprovação de eventual irregularidade praticada pelas pessoas citadas.
Mesmo com a liberação do material por Mendonça, Fachin deve aguardar o encerramento do prazo concedido aos dois ministros antes de definir a forma de processamento da controvérsia.
Outra alternativa seria a convocação de uma reunião reservada entre os ministros do STF, no gabinete da Presidência, para discutir uma saída institucional para o impasse.
Uma solução interna semelhante foi adotada em fevereiro deste ano, quando surgiram questionamentos envolvendo o ministro Dias Toffoli e o caso Banco Master. Na ocasião, a relatoria das investigações acabou transferida de Toffoli para Mendonça.
A situação atual apresenta uma diferença importante. Fachin decidiu concentrar em procedimento próprio, sob sua relatoria, os documentos e requerimentos relacionados à crise entre Moraes e Mendonça.
Com isso, o presidente do Supremo passou a centralizar a análise das medidas apresentadas sobre o episódio.
Entre os documentos submetidos a Fachin está um pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para que seja anulado o relatório da Polícia Federal liberado por Mendonça.
A argumentação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) é de que somente o plenário do Supremo teria competência para autorizar o avanço de uma investigação envolvendo um integrante da própria Corte.
O nome de Gonet também aparece no relatório policial em referências que levantam possíveis vínculos com Vorcaro. A existência dessas menções, por si só, não comprova irregularidade ou participação do procurador-geral em eventual ilícito.
Do outro lado da disputa, Alexandre de Moraes encaminhou a Fachin um pedido para que a atuação de André Mendonça seja investigada por possíveis práticas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
Moraes apresentou como fundamento um relatório de inteligência da Polícia Federal que trabalha com a hipótese de que Mendonça poderia estar direcionando atos da investigação do caso Master para atingir adversários políticos.
O próprio documento, contudo, traz uma ressalva relevante: trata-se de material de inteligência baseado em conjecturas e sem valor probatório. Dessa forma, seu conteúdo não equivale à comprovação das suspeitas levantadas contra o ministro.
A definição de Fachin também deverá considerar as regras internas do Supremo para situações envolvendo seus próprios integrantes.
O Regimento Interno do STF estabelece que compete ao plenário processar e julgar membros da Corte. As normas, porém, não detalham todos os procedimentos necessários diante de uma situação com as características da atual disputa.
Embora exista a possibilidade de decisões individuais no procedimento sob sua relatoria, Fachin terá de avaliar a extensão de sua competência e quais questões necessariamente precisam ser submetidas aos demais ministros.
Até lá, o ponto central é o prazo concedido aos envolvidos. Moraes e Mendonça têm até sexta-feira (11) para apresentar suas manifestações. A partir dessas respostas, Fachin deverá definir se a crise será encaminhada formalmente ao plenário ou se o Supremo buscará inicialmente uma solução institucional interna.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Lula participa de desfile de 7 de Setembro ao lado de chefes dos Três Poderes em Brasília
Leia Mais
Oportunismo político nos tribunais de contas - TCU
Leia Mais
Lula reforça soberania no 7 de Setembro e diz que Brasil não será “colônia de ninguém”
Leia Mais
Os brasileiros estão saturados do bate-boca da polarização
Municípios