Política / Eleições 2026
Presidenciáveis reagem ao afastamento da cúpula da PF determinado por Mendonça
Flávio Bolsonaro, Caiado, Renan Santos e Zema comentaram decisão contra Andrei Rodrigues e Leandro Almada; Lula e Augusto Cury não se manifestaram
08/09/2026
19:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar preventivamente Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal e Leandro Almada da Diretoria de Inteligência provocou reações entre candidatos à Presidência da República nesta terça-feira (8).
Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema (Novo) se manifestaram sobre a medida. Até a divulgação das declarações, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Augusto Cury não haviam se pronunciado.
O afastamento foi determinado por Mendonça após pedido apresentado pelo Partido Novo. O ministro também ordenou que a Corregedoria da PF instaure procedimentos de natureza penal e administrativo-disciplinar para investigar o que classificou como “graves fatos identificados” na produção de relatórios de inteligência da corporação.
A decisão foi submetida à Segunda Turma do STF. Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam Mendonça, formando maioria provisória de três votos pela manutenção da medida. O julgamento, entretanto, foi interrompido após pedido de vista de Gilmar Mendes.
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro comemorou o afastamento e fez críticas à atuação da atual direção da Polícia Federal.
“Que a honrosa e gloriosa Polícia Federal volte a ter autonomia para ir atrás de bandidos, e não de adversários políticos de Lula”, escreveu nas redes sociais.
Flávio também afirmou que um suposto “grupo especial de Lula na Polícia Federal” teria sido “desmascarado oficialmente”. A declaração representa a avaliação política do candidato e não uma conclusão estabelecida pelas investigações em andamento.
Em nota assinada pelo coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), a candidatura classificou a decisão como um “passo a caminho da retomada da normalidade no funcionamento das instituições”.
A campanha informou ainda que já havia solicitado ao presidente da República o afastamento de Andrei diante das suspeitas relacionadas à condução de investigações envolvendo o Banco Master.
Após visitar as instalações do Laboratório Sirius, em Campinas, Ronaldo Caiado também elogiou a decisão de Mendonça.
Segundo o presidenciável, não cabe à Polícia Federal realizar “patrulhamento” de autoridades. Para Caiado, o afastamento pode permitir que a instituição recupere sua função de combate ao crime.
O candidato também defendeu maior transparência nas investigações relacionadas ao Banco Master e cobrou explicações de Lula e Flávio Bolsonaro sobre suspeitas e informações que os relacionariam, direta ou indiretamente, ao banqueiro Daniel Vorcaro.
As eventuais relações mencionadas por Caiado integram o debate político e investigações em andamento e não significam, por si só, comprovação de irregularidades atribuíveis aos candidatos.
Renan Santos também apoiou o afastamento, mas direcionou suas críticas tanto aos grupos ligados a Lula quanto aos apoiadores de Flávio Bolsonaro.
“Vocês estão comemorando que caiu o Andrei Rodrigues porque ele tinha ligações com o Daniel Vorcaro? Então tinha que cair o candidato de vocês também, né?”, declarou, em referência a Flávio.
Na sequência, Renan criticou apoiadores do presidente Lula e afirmou que denúncias e suspeitas devem ser submetidas ao mesmo padrão de cobrança independentemente da posição política das pessoas envolvidas.
Para o candidato, a crise evidencia uma tendência de grupos políticos protegerem seus próprios aliados enquanto exigem responsabilização dos adversários.
O candidato Romeu Zema, filiado ao partido responsável pelo pedido que antecedeu a decisão de Mendonça, também comemorou os afastamentos.
“Enquanto muitos falam, a gente faz. E seguiremos firmes contra os intocáveis. CHEGA DE INTOCÁVEIS!”, publicou Zema.
O candidato afirmou ainda que o Novo está ao lado de Mendonça no que chamou de “luta contra os intocáveis de Brasília”.
“Seguiremos firmes no enfrentamento daqueles que se acham acima da lei. Peço orações por André Mendonça e reforço que o Novo vai batalhar para que os intocáveis sejam investigados e punidos. É só o começo”, declarou.
Embora a Segunda Turma tenha formado maioria provisória para referendar o afastamento, Gilmar Mendes interrompeu o julgamento ao pedir vista. O ministro levantou dúvidas sobre a competência do colegiado, a origem da solicitação apresentada por partido político e possíveis efeitos da medida sobre a disputa eleitoral.
Enquanto o julgamento não é concluído ou outra decisão não modificar a situação, Andrei Rodrigues e Leandro Almada permanecem afastados dos cargos.
A crise também chegou à Presidência do STF, comandada por Edson Fachin, após a Advocacia-Geral da União (AGU) pedir a suspensão dos afastamentos. O órgão sustenta que a medida determinada por Mendonça interfere em prerrogativas constitucionais do presidente da República relacionadas ao comando da Polícia Federal.
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