Justiça / Banco Master
Fundador da Reag diz em delação que fundos foram usados para ocultar propina de Vorcaro
João Carlos Mansur fechou acordo de colaboração com a PGR, apontou supostos laranjas ligados ao ex-dono do Banco Master e se comprometeu a pagar multa de R$ 40 milhões
10/09/2026
07:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, afirmou em acordo de colaboração premiada firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) que fundos administrados pela gestora teriam sido utilizados para ocultar recursos destinados ao pagamento de propina atribuída a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, Mansur apresentou aos investigadores detalhes sobre a movimentação do dinheiro e identificou pessoas que, segundo seu depoimento, teriam atuado como laranjas de Vorcaro. O ex-banqueiro é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero.
As declarações integram uma colaboração premiada e, portanto, não constituem por si só prova definitiva dos fatos narrados. As informações fornecidas pelo colaborador precisam ser confrontadas com documentos, movimentações financeiras e outros elementos independentes reunidos durante a investigação.
No depoimento, o fundador da Reag teria explicado como os recursos circularam pelos fundos administrados pela gestora, além de indicar valores remetidos para o exterior e possíveis caminhos para a recuperação do dinheiro.
A investigação trabalha com a suspeita de que estruturas financeiras administradas pela Reag tenham sido utilizadas por Vorcaro para retirar recursos do Banco Master, posteriormente destinados, segundo a linha investigativa, a pagamentos ilícitos ou ao próprio ex-controlador.
O Banco Central identificou operações consideradas irregulares realizadas entre julho de 2023 e julho de 2024.
Parte do dinheiro investigado estaria, segundo as informações atribuídas à colaboração, depositada em offshores no exterior.
Mansur teria fornecido elementos que podem auxiliar na identificação e recuperação desses ativos. A expectativa dos investigadores é que as informações entregues permitam localizar recursos e viabilizar sua devolução ao Brasil.
Esse ponto também dependerá da confirmação da existência, titularidade, origem e localização dos valores mencionados pelo colaborador.
Mansur se comprometeu no acordo de colaboração a pagar R$ 40 milhões em multa.
A proposta foi encaminhada à PGR em agosto e teria sido estruturada em 17 temas, tendo Daniel Vorcaro como um dos principais focos das informações apresentadas.
Depois de assinar o acordo, a Procuradoria encaminhou o material, em 2 de setembro, ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações relacionadas ao caso Master.
A Polícia Federal teria participado somente da etapa inicial das negociações da colaboração.
As informações apresentadas por Mansur podem abrir novas frentes para o rastreamento do dinheiro investigado no caso, principalmente se os documentos e dados bancários confirmarem a utilização de fundos de investimento para dificultar a identificação dos beneficiários finais dos recursos.
A colaboração também poderá ajudar os investigadores a reconstruir a eventual cadeia de movimentações financeiras, identificar intermediários e esclarecer a participação das pessoas apontadas como supostos laranjas.
O acordo de delação, entretanto, não transforma automaticamente as acusações feitas por Mansur em fatos comprovados. Pela legislação brasileira, nenhuma condenação pode ser fundamentada exclusivamente nas declarações de um colaborador, sendo necessária a existência de elementos de corroboração para sustentar as informações fornecidas às autoridades.
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