Eleições / Investigação
Malafaia e Rodovalho mantêm apoio a Flávio, mas demonstram preocupação com caso Dark Horse
Lideranças evangélicas avaliam impacto da Operação Make Up na reta final da campanha; Flávio Bolsonaro não é alvo da ação da PF
10/09/2026
12:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (10) para investigar suspeitas envolvendo recursos destinados a entidades relacionadas à produção de “Dark Horse”, aumentou a preocupação de lideranças evangélicas que apoiam a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Os pastores Silas Malafaia e Robson Rodovalho, dois aliados da família Bolsonaro, afirmaram que continuam apoiando o senador, mas fizeram ressalvas sobre os possíveis efeitos políticos das investigações na reta final da campanha.
Flávio não é alvo da Operação Make Up. O senador, entretanto, participou da busca por financiamento privado para o filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro e aparece no contexto de outra investigação envolvendo a captação de recursos para a produção.
Fundador da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia considera que Flávio Bolsonaro não está respondendo adequadamente aos questionamentos sobre o financiamento do filme.
Na avaliação do pastor, o candidato deveria deixar mais clara a diferença entre participar da captação de recursos e administrar o dinheiro posteriormente utilizado pela produção.
“Acho que Flávio responde isso errado. Eu pedi dinheiro, mas não administrei. Querer colocar isso no colo dele é palhaçada”, afirmou Malafaia ao jornal O Globo.
O pastor também atribuiu motivação política à operação autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificando a investigação como uma “cortina de fumaça”.
A avaliação representa a opinião de Malafaia. A operação foi autorizada judicialmente e busca reunir elementos para confirmar ou afastar suspeitas de irregularidades relacionadas ao destino de recursos públicos.
Fundador da Sara Nossa Terra, o bispo Robson Rodovalho também demonstrou preocupação, mas ponderou que o cumprimento de mandados de busca e apreensão não significa, isoladamente, que tenham sido encontradas provas contra Flávio Bolsonaro.
“Ao mesmo tempo que temos esse problema do Dark Horse, que está bastante confuso, a busca e apreensão não significa que necessariamente tenha encontrado alguma coisa e, ao mesmo tempo, tem desgaste de Lula. Os dois lados estão muito ruins. Ainda não apareceu nada de forma objetiva do Flávio”, declarou.
Rodovalho afirmou que, apesar das dificuldades observadas na campanha, não pretende mudar seu voto.
“Eu vou votar com Flávio, mesmo que seja para perder. Não tem outra opção. Não conseguimos construir diálogos com Lula, nem pontes. Infelizmente não conseguimos, ficou muito distante. Se tivesse feito um governo para todos, poderíamos estar juntos”, afirmou.
As manifestações ocorrem em um momento em que o eleitorado evangélico permanece como uma das principais bases eleitorais de Flávio Bolsonaro.
Segundo os números da pesquisa Quaest citados na reportagem original, o senador aparece com 42% das intenções de voto entre os evangélicos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva registra 22%. Outros 12% desse segmento ainda não teriam definido candidato.
No cenário nacional de eventual segundo turno mencionado pelo levantamento, Lula e Flávio aparecem empatados com 41%.
Os dados ajudam a explicar a preocupação de aliados com possíveis reflexos políticos do caso justamente entre eleitores considerados estratégicos para a candidatura do PL.
A Operação Make Up cumpre 49 mandados de busca e apreensão e tem entre os principais alvos o deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo de “Dark Horse”, e a empresária Karina Gama, ligada à Go Up Entertainment, produtora do longa.
A investigação apura, entre outros pontos, o destino de emendas parlamentares indicadas por Frias e se recursos públicos foram desviados.
A eventual utilização desses valores no financiamento do filme é uma das hipóteses investigadas e não está estabelecida como fato comprovado.
Embora não seja alvo da operação desta quinta-feira, Flávio participou da captação privada de recursos para “Dark Horse”.
Em outra investigação, conduzida sob a relatoria do ministro André Mendonça, mensagens obtidas pelos investigadores indicaram que o senador solicitou recursos ao então banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para ajudar no financiamento da produção.
O novo caso também colocou sob análise movimentações envolvendo Marcello de Oliveira Lopes, conhecido como Marcelão, amigo de Flávio e ex-integrante de sua equipe de campanha.
Segundo as informações apresentadas na investigação, Marcelão transferiu R$ 1 milhão à Go Up. A movimentação está entre as operações financeiras analisadas pela PF.
A produtora teria movimentado aproximadamente R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025. A classificação de uma movimentação como atípica, porém, não significa por si só que o dinheiro tenha origem ilícita ou represente a prática de crime.
Marcelão deixou a campanha presidencial de Flávio em maio, após as primeiras revelações sobre o financiamento do filme, embora mantenha relação pessoal antiga com o senador.
A nova operação ocorre no momento em que aliados do candidato buscavam concentrar o debate eleitoral na crise institucional envolvendo integrantes do STF e da Polícia Federal.
Após a deflagração da Make Up, Flávio afirmou que “Dark Horse” não recebeu dinheiro público e acusou Dino de tentar interferir no processo eleitoral.
As declarações fazem parte da reação política à operação. A investigação continua em andamento e caberá à Polícia Federal estabelecer, com base nas provas reunidas, se houve desvio de recursos públicos e qual foi o destino efetivo do dinheiro investigado.
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