Campo Grande (MS), Quinta-feira, 10 de Setembro de 2026

Política / Banco Master

Vorcaro diz que ACM Neto e Rueda receberiam 10% de aportes feitos no Banco Master

Proposta de delação atribui aos dirigentes do União Brasil atuação para atrair recursos de fundos públicos; ambos negam irregularidades e classificam acusações como falsas

10/09/2026

08:00

ICL

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou em uma proposta de colaboração premiada que ACM Neto e Antônio Rueda, dirigentes do União Brasil, teriam direito a 10% dos valores investidos no banco por institutos de previdência e outras instituições públicas.

As informações foram reveladas pelo UOL e reproduzidas pelo ICL Notícias. Segundo o relato atribuído a Vorcaro, os dois políticos teriam atuado para aproximar o Master de instituições como Rioprevidência, fundos previdenciários do Amapá e Amazonas, além da Cedae, no Rio de Janeiro.

Vorcaro teria estimado em aproximadamente R$ 2 bilhões os investimentos relacionados a essa atuação. Aplicada a comissão de 10% mencionada na proposta, o montante poderia alcançar R$ 200 milhões. O documento, porém, não informa quanto desse valor teria sido efetivamente pago.

As declarações precisam ser tratadas como alegações de Vorcaro. A proposta de colaboração não foi aceita pela Polícia Federal nem pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e não há, nas informações apresentadas, comprovação de que ACM Neto ou Rueda tenham recebido os valores mencionados.

Proposta de delação foi rejeitada

As tentativas de colaboração apresentadas pelo banqueiro foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela PGR. Segundo as informações divulgadas, os investigadores avaliaram que faltavam fatos inéditos e garantias suficientes para a recuperação de recursos relacionados às fraudes investigadas.

Vorcaro estaria tentando reabrir as negociações.

A rejeição da proposta significa que as declarações atribuídas ao banqueiro não integram, até o momento, um acordo de colaboração premiada homologado. Mesmo em uma eventual delação formal, as afirmações precisariam ser corroboradas por provas independentes.

Vorcaro descreve suposta forma de pagamento

Na versão apresentada pelo ex-controlador do Master, ACM Neto receberia recursos por meio de dinheiro em espécie e contratos de consultoria com empresas ligadas a ele.

No caso de Antônio Rueda, os pagamentos teriam ocorrido em espécie e também por contratos com o escritório Rueda & Rueda Advogados. Segundo Vorcaro, esses contratos alcançariam aproximadamente R$ 3 milhões mensais.

O banqueiro teria entregue mensagens trocadas com funcionários do Master e contratos que, em sua versão, estariam relacionados aos dois dirigentes partidários.

Vorcaro também afirmou ter participado de reuniões com ACM Neto e Rueda para discutir o andamento dos negócios e aquilo que chamou de “contrapartidas”.

Novamente, a existência de contratos ou pagamentos não comprova, isoladamente, que os recursos tenham natureza ilícita. É necessário demonstrar se os serviços contratados existiram, foram efetivamente prestados e se houve alguma vinculação com atos praticados em benefício do Master.

Relato também envolve operações com o BRB

A proposta de colaboração aborda ainda uma negociação envolvendo o Banco de Brasília (BRB).

Segundo Vorcaro, Rueda e o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, teriam solicitado ajuda para uma operação de aumento de capital de aproximadamente R$ 1 bilhão.

Vorcaro afirma que seu grupo investiu cerca de R$ 750 milhões no BRB. No mesmo período, o banco teria adquirido aproximadamente R$ 6 bilhões em carteiras do Master.

De acordo com o relato do banqueiro, Rueda e Paulo Henrique Costa teriam pedido 10% de comissão sobre os valores desembolsados pelo BRB na aquisição de ativos do Master.

O material apresentado não permite concluir que essa cobrança tenha ocorrido ou que pagamentos dessa natureza tenham sido realizados.

Fundos públicos fizeram aportes bilionários

Investigações sobre o Banco Master já identificaram aplicações realizadas por fundos previdenciários e outras instituições públicas.

Segundo os dados apresentados na reportagem, o Rioprevidência aplicou R$ 2,97 bilhões entre 2023 e 2025. O fundo previdenciário do Amapá teria investido R$ 400 milhões, enquanto a Cedae teria aplicado R$ 200 milhões e o Amazonprev, outros R$ 50 milhões.

A proposta atribuída a Vorcaro, entretanto, não detalha quanto cada uma dessas instituições teria investido em razão de eventual atuação de ACM Neto ou Antônio Rueda.

Também não é apresentado, no material divulgado, um ato específico praticado pelos dois dirigentes que comprove interferência direta para viabilizar esses aportes.

Contratos já apareceram nas investigações

Dados obtidos a partir da quebra de sigilo do Master teriam identificado contratos de consultoria envolvendo empresas ligadas a ACM Neto, além de contratos de advocacia relacionados a Antônio Rueda.

Relatórios bancários e informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontariam que escritórios ligados a Rueda receberam R$ 6,4 milhões do Master entre 2022 e 2025.

Uma empresa de consultoria ligada a ACM Neto teria recebido R$ 5,4 milhões entre 2023 e 2025.

Vorcaro sustenta que esses documentos teriam sido utilizados para justificar parte dos pagamentos mencionados por ele. A existência das transferências, contudo, não estabelece automaticamente que os contratos fossem fictícios ou servissem para pagamento de vantagens indevidas.

Rueda e ACM Neto negam acusações

Antônio Rueda afirmou não ter tido acesso ao documento atribuído a Vorcaro e negou qualquer irregularidade. Segundo ele, os contratos mantidos por seu escritório com instituições relacionadas ao caso são lícitos e correspondem a serviços efetivamente prestados.

ACM Neto, por sua vez, classificou as acusações como “absurdas, completamente fantasiosas e mentirosas”.

Ele também destacou que a proposta atribuída a Vorcaro não foi aceita, assinada nem homologada e questionou a origem e a autenticidade dos trechos divulgados.

Os dois dirigentes afirmaram ainda que não exerciam cargos públicos no período mencionado e negaram qualquer atuação ilícita destinada a favorecer o Banco Master.

 


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