Eleições / Trabalho
Lula chama proposta alternativa à escala 6x1 de “acordo leonino” e desafia Flávio a apoiar PEC
Presidente cobra voto do adversário no texto que reduz jornada para 40 horas; Flávio defende maior liberdade de negociação e critica momento da votação
07/10/2026
13:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a colocar o fim da escala 6x1 no centro da disputa presidencial nesta quarta-feira (7). Durante encontro com parlamentares em Brasília, Lula criticou a alternativa defendida por Flávio Bolsonaro (PL) e desafiou o adversário a votar pela redução da jornada semanal sem corte de salário.
A discussão ocorre enquanto o Senado analisa a PEC que reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, estabelece dois dias de descanso e preserva a remuneração. Flávio, por sua vez, tem defendido outro modelo, baseado em maior flexibilidade para que empregado e empregador negociem a jornada, com remuneração correspondente às horas trabalhadas.
Ao falar aos aliados, Lula pediu acompanhamento da tramitação da PEC e direcionou a cobrança ao adversário no segundo turno.
“Eu quero ver como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Eu o desafio a votar favorável, e a pedir ao PL para votar favorável”, declarou.
Na sequência, o presidente criticou a possibilidade de substituir a mudança constitucional em discussão por um modelo baseado na negociação direta da jornada entre trabalhador e empregador.
“Eles estão inventando uma história de que ‘não, é melhor negociar com o patrão’. Como se, em um acordo leonino, o trabalhador tivesse alguma vantagem”, afirmou Lula.
A expressão “acordo leonino” foi utilizada pelo presidente para caracterizar, na avaliação dele, uma negociação marcada por desequilíbrio entre as partes. A classificação representa a posição política de Lula sobre a proposta alternativa, e não uma definição jurídica do modelo defendido por Flávio.
Flávio Bolsonaro tem evitado antecipar como votará especificamente na PEC que tramita no Senado, mas defende uma alternativa que amplia a possibilidade de negociação da carga horária.
Em declarações anteriores, o candidato afirmou que pretende permitir ao trabalhador escolher sua escala e receber conforme o número de horas trabalhadas.
“Você vai ter todos os seus direitos trabalhistas garantidos como estão na Constituição Federal. Mas vai trabalhar quantas horas você quiser. Você vai montar a sua escala de trabalho”, afirmou Flávio ao apresentar sua posição.
Nesta quarta-feira, o candidato voltou a criticar a condução da discussão pelo governo e associou a retomada da pauta ao calendário eleitoral. Ele também argumentou que a mudança precisa considerar os impactos sobre emprego e renda.
“É óbvio que eu sou a favor de que o trabalhador tenha um tempo de folga, para almoçar com a sua família, ir à praia no final de semana, viajar. Só que nada disso vai adiantar se estiver todo mundo endividado ou desempregado. Tem que ter responsabilidade”, declarou.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, afirmou nesta quarta que a oposição ainda não fechou uma posição sobre a PEC da escala 6x1. Marinho é autor de uma proposta alternativa que prevê contratos com remuneração por hora e maior espaço para negociação da jornada.
A proposta em discussão no Senado e a alternativa defendida por Flávio partem de modelos distintos.
A PEC 221/2019, apoiada pelo governo Lula, estabelece redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, dois dias de descanso e manutenção dos salários e benefícios.
Já a proposta defendida por integrantes da oposição amplia a possibilidade de contratação e negociação por horas trabalhadas, com remuneração e direitos proporcionais à carga horária.
O debate, portanto, envolve não apenas o número de dias trabalhados, mas também diferentes modelos para organizar jornada, remuneração e negociação entre empregados e empregadores.
Durante o encontro com parlamentares, Lula também voltou a defender a PEC da Segurança Pública e afirmou que o enfrentamento ao crime organizado exige maior participação da União.
O presidente reiterou ainda a intenção de criar um Ministério da Segurança Pública e apresentou uma frase que pretende incorporar ao discurso da campanha no segundo turno.
“O nosso lema é o seguinte: para o povo trabalhador, a proteção. Para o bandido, a prisão”, afirmou.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a discussão sobre a escala 6x1 passou a integrar diretamente o confronto político entre Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto o Senado avança no rito necessário para levar a PEC à votação.
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