Saúde / Prevenção
Câncer de mama: informação e diagnóstico precoce ampliam chances de cura
Outubro Rosa reforça importância do acompanhamento médico, da atenção às alterações nas mamas e do acesso aos exames e tratamentos
06/10/2026
12:00
Cristina Guimarães Inocêncio*
Cristina Guimarães Inocêncio*
O Outubro Rosa volta a colocar o câncer de mama no centro das discussões sobre saúde da mulher. A campanha, iniciada na década de 1990, busca ampliar o acesso à informação, incentivar a prevenção possível e, principalmente, favorecer o diagnóstico precoce, etapa decisiva para aumentar as possibilidades de sucesso do tratamento.
A preocupação acompanha o crescimento projetado da doença no mundo. Estudo publicado na The Lancet Oncology estima que o número global de novos casos poderá passar de 2,3 milhões, em 2023, para mais de 3,5 milhões em 2050. Paralelamente, avanços no diagnóstico e no tratamento têm contribuído para melhorar os resultados obtidos pelas pacientes.
No Brasil, estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam para cerca de 78 mil novos casos por ano no triênio 2026-2028, acima dos aproximadamente 73 mil estimados para o período anterior.
Além da quantidade de diagnósticos, profissionais de saúde têm chamado atenção para a ocorrência da doença entre mulheres mais jovens. Diferentes fatores podem estar relacionados a esses casos, incluindo características genéticas e aspectos associados ao estilo de vida.
Para a oncologista clínica Cristina Guimarães Inocêncio, sócio-fundadora da Oncomed-MT e presidente do Grupo de Apoio ao Paciente Oncológico (Gapcan), disseminar informações confiáveis é uma das principais ferramentas para estimular a procura por atendimento.
Segundo a médica, quando identificado em estágio inicial, o câncer de mama pode apresentar elevadas chances de cura, dependendo do tipo do tumor, do estágio da doença e de outros fatores clínicos.
A especialista destaca que o desafio brasileiro vai além da conscientização. É necessário ampliar o acesso a consultas, exames, diagnóstico e tratamento, garantindo que a paciente consiga percorrer todas as etapas da assistência.
“Muitos de nós, profissionais da área da saúde, militamos permanentemente pela melhoria da saúde da mulher e pelo acesso a consultas, exames e tratamentos”, afirma.
Os mutirões realizados durante o Outubro Rosa são uma das estratégias utilizadas em diferentes regiões do país para ampliar o atendimento às mulheres.
Na Oncomed, em Mato Grosso, por exemplo, são realizadas ações com oferta gratuita de consultas e exames, além da participação em iniciativas promovidas por instituições parceiras. Segundo a médica, quando uma alteração suspeita é identificada, também é necessário garantir encaminhamento e continuidade da assistência.
As ações concentradas em outubro, entretanto, não substituem a necessidade de manter o cuidado durante todo o ano.
A orientação atual é que a mulher esteja atenta ao próprio corpo e procure atendimento médico ao perceber alterações persistentes nas mamas ou nas axilas.
Entre os sinais que merecem avaliação estão caroços ou nódulos nas mamas e axilas, alterações na pele ou no mamilo e presença de secreção.
Conhecer a aparência e a textura habituais das próprias mamas pode ajudar a mulher a perceber mudanças. Esse cuidado, porém, não substitui a avaliação médica nem os exames de rastreamento indicados de acordo com idade e fatores individuais de risco.
A atenção aos sintomas também contribui para reduzir atrasos no diagnóstico, já que determinadas alterações podem inicialmente apresentar características semelhantes às de outros problemas mamários.
Para Cristina Guimarães Inocêncio, a conscientização não deve ficar restrita ao mês dedicado à campanha.
A informação permite reconhecer sinais de alerta, compreender fatores de risco e saber quando procurar assistência. Da mesma forma, políticas públicas e serviços de saúde precisam garantir que a orientação seja acompanhada pelo acesso efetivo ao diagnóstico e ao tratamento.
O Outubro Rosa, portanto, funciona como período de mobilização, mas o cuidado com a saúde das mamas deve permanecer durante os 12 meses do ano.
*Cristina Guimarães Inocêncio é oncologista clínica, sócio-fundadora da Oncomed-MT e presidente do Grupo de Apoio ao Paciente Oncológico (Gapcan).
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Eleita com quase 2 milhões de votos, Eduarda Campopiano diz que feminicídio “não existe”
Leia Mais
Marinho cobra atuação do Senado em casos envolvendo ministros do STF
Leia Mais
Nunes Marques avalia analisar revisão da condenação de Bolsonaro após segundo turno
Leia Mais
Senado inicia debate sobre fim da escala 6×1, mas votação ainda não tem data
Municípios