Política / Eleições 2026
Eleita com quase 2 milhões de votos, Eduarda Campopiano diz que feminicídio “não existe”
Deputada estadual mais votada de São Paulo se declara antifeminista e promete levar à Alesp oposição a pautas relacionadas ao feminismo e ao aborto
06/10/2026
12:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Eleita deputada estadual com 1.956.238 votos, Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, chegará à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) com o antifeminismo entre as principais bandeiras de sua atuação política. A parlamentar já declarou que não considera o feminicídio uma categoria que deveria existir e afirma que pretende combater propostas que associa ao movimento feminista.
Campopiano foi a candidata a deputada estadual mais votada de São Paulo nas eleições de domingo (4). A votação representa uma ascensão eleitoral rápida: em 2024, havia sido eleita vereadora de Praia Grande, no litoral paulista, com 3.583 votos.
A parlamentar ganhou projeção principalmente pelas redes sociais e por participações em debates e podcasts, nos quais passou a defender posições conservadoras sobre aborto, feminismo, segurança pública e costumes.
Uma das declarações de maior repercussão ocorreu durante discussão com a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) sobre uma proposta de criminalização da misoginia.
“Eu não acho que feminicídio seja algo que exista”, declarou Campopiano.
A deputada eleita defende que homicídios dessa natureza sejam tratados como crimes passionais. Ao discutir o tema, afirmou ser favorável à aplicação de agravantes quando um homem utiliza superioridade física contra uma mulher, mas argumentou que uma regra semelhante deveria alcançar outras vítimas em situações equivalentes.
A posição política de Campopiano, entretanto, não altera a existência jurídica do feminicídio no Brasil. A legislação brasileira prevê tratamento penal específico para o assassinato de mulheres relacionado à violência doméstica e familiar ou ao menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
Portanto, quando Campopiano afirma que o feminicídio “não existe”, trata-se de uma posição política contrária à tipificação específica, e não de uma descrição da legislação vigente.
Campopiano se apresenta publicamente como antifeminista. Em uma das discussões que ganhou repercussão nas redes sociais, afirmou: “Sou antifeminista. E não vou dar para trás”. Em outra participação, declarou ser uma mulher conservadora e antifeminista.
Depois da eleição, ela indicou que pretende manter essa linha no mandato estadual. Ao falar sobre o embate político que espera travar na Assembleia, declarou que “a guerra tá só começando”.
Entre as propostas às quais pretende fazer oposição está a criminalização da misoginia, tema discutido no Congresso Nacional.
Como deputada estadual, porém, Campopiano não terá competência para alterar diretamente a legislação penal brasileira, atribuição da União e, consequentemente, matéria tratada no Congresso Nacional. A parlamentar poderá, contudo, apresentar propostas dentro das competências estaduais e utilizar o mandato para participar do debate político sobre essas questões.
Outra pauta destacada pela deputada eleita é o aborto. Campopiano se declara contrária à prática e afirma que pretende desenvolver iniciativas destinadas a convencer mulheres a levar a gestação adiante, inclusive em situações de violência sexual.
Ela também se posiciona contra a ampliação das hipóteses atualmente admitidas pela legislação brasileira.
Assim como ocorre com a legislação penal, uma Assembleia Legislativa não pode modificar, por conta própria, as regras nacionais que disciplinam as situações em que o aborto não é punido. A atuação estadual pode alcançar, entretanto, políticas públicas e serviços que estejam dentro das competências do Estado, respeitados os limites constitucionais e legais.
Apesar de se opor a políticas que considera vinculadas ao feminismo, Campopiano defende medidas específicas direcionadas à proteção das mulheres.
Uma delas é facilitar o acesso feminino a armas de fogo. A deputada eleita argumenta que uma mulher armada teria melhores condições de reagir a situações de violência.
Ela também já manifestou posições contrárias às cotas raciais e ao reconhecimento da prostituição como profissão, além de defender o endurecimento de políticas de segurança pública.
Maria Eduarda Campopiano Monteiro nasceu em Campinas e construiu parte significativa de sua projeção pública nas redes sociais. Antes de chegar à política institucional, produziu conteúdo digital e participou de programas de debate.
Em 2024, aos 21 anos, conquistou seu primeiro mandato eletivo ao receber 3.583 votos para vereadora de Praia Grande. Dois anos depois, saltou para 1.956.238 votos na disputa estadual.
O crescimento foi de aproximadamente 546 vezes em números absolutos, embora as duas votações não sejam diretamente comparáveis, já que uma ocorreu em uma eleição municipal restrita a Praia Grande e a outra envolveu eleitores de todo o Estado de São Paulo.
Agora, aos 23 anos, Campopiano deixa a Câmara Municipal para assumir uma das cadeiras da Alesp. O resultado das urnas dá à deputada eleita uma votação expressiva, enquanto suas declarações sobre feminicídio, aborto e feminismo colocam essas pautas entre os temas que deverão acompanhar o início de seu mandato.
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