Política / Judiciário
Após 1º turno, Lula critica STF e diz carregar “nas costas” desgaste provocado pelo caso Master
Presidente afirma que Suprema Corte está sob “desconfiança da sociedade” e defende discutir uma nova reforma do Judiciário durante o segundo turno
05/10/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (5) que sua campanha está carregando “nas costas” o desgaste provocado pelas denúncias e questionamentos envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e o caso Banco Master. A declaração ocorreu durante a primeira reunião da coordenação da campanha após o primeiro turno da eleição presidencial.
Lula usou o termo “promiscuidade” ao tratar da situação da Corte, embora não tenha citado diretamente o Banco Master nesse trecho de sua manifestação.
“Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessa denúncia”, afirmou.
O presidente também defendeu uma nova discussão sobre mudanças no Poder Judiciário e indicou que o assunto deverá entrar no debate político durante a campanha para o segundo turno.
“Quando você chega numa situação em que a Suprema Corte está sob a desconfiança da sociedade, algo é muito grave. Então, esses são temas que nós vamos ter que encarar nessa campanha”, declarou.
As manifestações ocorrem em meio aos questionamentos surgidos a partir das investigações relacionadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ministros como Alexandre de Moraes, André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli tiveram nomes mencionados em diferentes episódios e questionamentos relacionados ao caso. As situações envolvendo cada ministro, no entanto, são distintas e não significam, por si só, comprovação de irregularidades.
O assunto já vinha provocando preocupação na campanha petista. Em 1º de setembro, André Mendonça retirou o sigilo de documento da Polícia Federal (PF) que apontava encontros entre Vorcaro e Moraes. No dia seguinte, integrantes da campanha passaram a avaliar os possíveis efeitos políticos de uma associação entre Lula e o ministro do STF.
Também em 2 de setembro, Mendonça confirmou ter se reunido durante cerca de duas horas com Vorcaro, em março de 2025, antes de assumir a relatoria do caso Master. Dias depois, em 9 de setembro, o ministro Flávio Dino mencionou o encontro em uma decisão ao analisar questões relacionadas à atuação de integrantes da Corte.
A crise envolvendo o Supremo também entrou na campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Em 17 de setembro, durante passagem pelo Nordeste, o então candidato passou a relacionar Lula ao desgaste da Corte e a Alexandre de Moraes como parte de sua estratégia eleitoral.
Além das questões envolvendo o Judiciário, Lula discutiu nesta segunda-feira os próximos passos da campanha presidencial. O petista terá cerca de 20 dias para tentar reverter a vantagem obtida por Flávio no primeiro turno.
“São 20 dias, mas é melhor. Vamos dormir menos, vamos trabalhar mais”, afirmou.
No primeiro turno, realizado no domingo (4), Flávio Bolsonaro terminou em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula ficou em segundo, com 45,16%. A diferença entre os dois foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos.
Os dois candidatos voltam a se enfrentar no segundo turno, em 25 de outubro.
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