Saúde / Animais
Lambidas de cachorro exigem cuidado com rosto e feridas; entenda os riscos
Saliva dos cães pode conter bactérias capazes de causar infecções, principalmente quando entra em contato com mucosas, pele lesionada ou pessoas mais vulneráveis.
03/10/2026
07:45
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
As lambidas fazem parte da maneira como muitos cães interagem com seus tutores e, na maioria das situações cotidianas, não significam que haverá algum problema de saúde. O cuidado precisa aumentar, porém, quando a saliva do animal alcança boca, nariz, olhos, feridas ou outras áreas lesionadas da pele, locais que facilitam a entrada de microrganismos no organismo.
Segundo o médico-veterinário Felipe Alonso, a boca dos cães abriga diferentes microrganismos, alguns deles capazes de provocar infecções em seres humanos em determinadas circunstâncias.
“Nem toda lambida representa um perigo, mas é importante que os tutores entendam que a boca dos cães possui bactérias que podem causar doenças quando entram em contato com o organismo humano”, explica.
A presença dessas bactérias não significa que seja necessário impedir todo contato afetivo entre o cachorro e a família. A principal recomendação é adotar medidas simples de higiene e evitar situações que aumentem a exposição.
A pele saudável funciona como importante barreira contra microrganismos. A situação é diferente quando existe um corte, arranhão ou ferida aberta, ou quando a saliva entra em contato diretamente com mucosas.
Por isso, permitir que o cachorro lamba o rosto, principalmente próximo aos olhos, nariz e boca, não é recomendado.
“É importante evitar que o cachorro tenha contato com a saliva em regiões como a boca, os olhos e feridas abertas. Esses locais oferecem maior possibilidade de entrada de bactérias no organismo”, afirma Felipe Alonso.
Entre as bactérias que podem ser encontradas na boca de cães estão Capnocytophaga canimorsus e espécies de Pasteurella. Em determinadas condições, esses microrganismos podem provocar infecções.
O risco de complicações merece atenção especial entre idosos, pessoas imunossuprimidas e pacientes com condições que comprometem as defesas do organismo. Nesses casos, cuidados com exposição à saliva e com mordidas devem ser ainda maiores.
Outro ponto importante é a raiva, doença viral grave transmitida pela saliva de animais infectados. A exposição ocorre principalmente por mordidas, mas também pode envolver arranhaduras ou contato da saliva contaminada com mucosas ou pele lesionada.
A vacinação dos animais é, portanto, uma medida essencial para reduzir riscos. Além da imunização antirrábica, o acompanhamento periódico com um médico-veterinário permite avaliar a saúde geral do cachorro e manter atualizados os cuidados necessários.
“Manter a vacinação em dia, cuidar da saúde do animal e ter hábitos adequados de higiene são medidas fundamentais para prevenir doenças e garantir uma convivência segura”, orienta o veterinário.
O acompanhamento também deve incluir, conforme a indicação profissional, vermifugação e controle de parasitas.
Se a saliva atingir uma ferida ou região sensível, a primeira providência é lavar o local com água e sabão.
Também é recomendável lavar as mãos depois de determinadas situações de contato com os animais, manter limpos os locais onde eles permanecem e recolher adequadamente as fezes durante os passeios.
A atenção deve ser maior em caso de mordida, arranhadura ou contato da saliva com mucosas ou ferimentos, principalmente quando não se conhece a condição de saúde ou a situação vacinal do animal. Nessas circunstâncias, a orientação é procurar um serviço de saúde para avaliação e definição das medidas preventivas necessárias.
Alterações no próprio cachorro também não devem ser ignoradas. Feridas, mudanças repentinas de comportamento ou outros sinais de doença justificam uma avaliação veterinária.
Para Felipe Alonso, os cuidados não precisam interferir na relação de carinho entre o tutor e o animal.
“Não é necessário afastar o animal ou deixar de demonstrar carinho. O mais importante é conhecer os riscos, evitar as lambidas em regiões sensíveis e manter os cuidados com a saúde do pet”, reforça.
Assim, a regra prática é evitar os chamados “lambeijos” diretamente no rosto e em feridas, manter a vacinação e o acompanhamento veterinário em dia e higienizar rapidamente qualquer área vulnerável que tenha entrado em contato com a saliva do cachorro.
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