Justiça / Investigação
PF aguarda Fachin para definir destino de menções a ministros no celular de Vorcaro
Material extraído do aparelho cita integrantes do STF; Polícia Federal pediu reunião para estabelecer como as informações deverão ser tratadas
02/10/2026
07:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Polícia Federal (PF) aguarda uma definição do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, sobre o tratamento que deverá ser dado às referências a integrantes da Corte encontradas nos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo informações publicadas nesta sexta-feira (2), a corporação solicitou uma reunião com Fachin, mas o encontro ainda não havia sido agendado.
O material contém referências a ministros do Supremo. A reportagem do Metrópoles aponta menções a Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça. Outra apuração publicada nesta sexta pelo UOL relata que conversas também fazem referências a Gilmar Mendes e, em alguns casos, a familiares de integrantes da Corte. A existência de uma menção, por si só, não significa participação em irregularidade ou prática de crime.
A questão a ser definida é como a Polícia Federal deverá proceder diante das referências encontradas durante a análise do aparelho. Segundo a apuração publicada pelo Metrópoles, entre as possibilidades estão produzir um relatório sobre o conteúdo, separar as menções e encaminhá-las sem análise ou não aproveitar determinadas informações.
A reportagem afirma que a PF pediu a reunião e ainda esperava uma resposta do gabinete da Presidência do Supremo. A informação de que o encontro não havia sido marcado é confirmada por outra apuração publicada nesta sexta-feira.
O ponto é juridicamente sensível porque o conteúdo do telefone reúne grande quantidade de informações e comunicações privadas. Eventuais referências a autoridades com foro no Supremo exigem definição sobre a forma adequada de processamento e sobre quais elementos possuem relevância para investigações.
A discussão sobre o aparelho de Vorcaro não começou agora. Em 12 de setembro, Fachin determinou que a PF informasse a situação e a custódia dos dados extraídos do telefone. No dia seguinte, a corporação comunicou ao Supremo que mantinha o conteúdo integral sob cadeia de custódia formalmente documentada e tinha condições técnicas de produzir cópias.
Posteriormente, dados integrais foram disponibilizados a gabinetes de ministros que solicitaram acesso. Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes receberam o material em 14 de setembro. Depois, André Mendonça e Luiz Fux também obtiveram cópias.
As informações passaram a integrar uma discussão mais ampla no Supremo sobre as apurações relacionadas ao caso Banco Master e sobre o tratamento de elementos que façam referência a integrantes da própria Corte.
Agora, a PF busca estabelecer qual procedimento deverá adotar especificamente diante das menções encontradas no material. Até a publicação das informações nesta sexta-feira, Fachin ainda não havia definido publicamente como esse conteúdo deverá ser processado.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Alcolumbre pauta PEC do fim da escala 6x1 para dois dias após primeiro turno
Leia Mais
PF investiga financiamento do BRB usado por Flávio Bolsonaro para comprar mansão
Leia Mais
Pedido que levou Gilmar a incluir Renan Santos em debate usou processo já existente no STF
Leia Mais
Fachin cria filtro no STF para impedir direcionamento de pedidos a ministros
Municípios