Mundo / Imigração
Defensor de deportações, Milo Yiannopoulos é expulso dos EUA e diz se arrepender de apoiar Trump
Britânico foi detido pelo ICE em aeroporto de Nova Orleans e enviado ao Reino Unido; governo diz que ele permaneceu no país após vencer autorização migratória
01/10/2026
08:00
NAOM
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O comentarista britânico de extrema direita Milo Yiannopoulos, de 41 anos, que apoiou Donald Trump e defendeu publicamente deportações em massa nos Estados Unidos, acabou submetido ao sistema migratório que defendia. Ele foi detido por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) no Aeroporto Internacional Louis Armstrong, em Nova Orleans, em 27 de agosto, e deportado para o Reino Unido no dia seguinte. A remoção foi confirmada pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS).
O episódio ganhou repercussão não apenas pela trajetória política de Yiannopoulos, mas também pela mudança de discurso apresentada por ele depois da deportação. Em entrevista ao programa Piers Morgan Uncensored, divulgada em 1º de setembro, o britânico afirmou estar envergonhado pelo apoio que deu a Trump e relatou medo durante o período em que permaneceu sob custódia das autoridades migratórias.
“Não acho que alguma vez tenha sentido tanto medo antes”, declarou Yiannopoulos. Ele também descreveu a experiência como “humilhante e desorientadora”, “fisicamente degradante” e assustadora.
Segundo o DHS, Yiannopoulos entrou legalmente nos Estados Unidos em maio de 2019, mas permaneceu no país além do período autorizado. O governo informou ainda que um juiz de imigração emitiu uma ordem definitiva de remoção em 22 de julho de 2026, depois que ele não compareceu a uma audiência migratória.
Yiannopoulos contesta parte dessa versão. Na entrevista a Piers Morgan, afirmou que era casado com uma cidadã americana e alegou possuir um green card que vinha renovando periodicamente. Também disse que não teria recebido adequadamente as notificações relacionadas ao processo migratório. Essas declarações representam a versão apresentada por ele e não alteram o fato de que havia uma ordem judicial de remoção, conforme informado pelo DHS.
A situação chamou atenção porque o próprio comentarista havia defendido uma política migratória ainda mais rigorosa.
Em uma publicação feita em junho de 2025, Yiannopoulos escreveu que os Estados Unidos precisavam deportar “milhões e milhões e milhões de pessoas”. Também havia defendido a instalação de postos de fiscalização do ICE em entradas de supermercados, com remoção de pessoas que não conseguissem comprovar residência legal no país.
O britânico ganhou projeção nacional nos Estados Unidos durante a campanha presidencial de 2016, quando se tornou um apoiador público de Trump. Na época, trabalhava no site conservador Breitbart News e alcançou notoriedade pelas posições provocativas sobre imigração, Islã e outros temas políticos.
Depois da deportação, Yiannopoulos disse que sua experiência pessoal mudou a maneira como enxergava o funcionamento do sistema.
“Eu realmente não compreendia a realidade física de quão institucionalizada é a brutalidade na América”, afirmou ao comentar sua passagem pela custódia migratória.
Ele também afirmou que não teria apoiado Trump se soubesse anteriormente que poderia vivenciar uma situação semelhante. Ao falar diretamente sobre sua atuação política passada, declarou estar “muito envergonhado” pelo apoio dado ao presidente.
Algumas das acusações feitas por Yiannopoulos sobre as condições de sua detenção são contestadas ou não foram confirmadas de maneira independente. Entre elas estão alegações de que teria sido privado de alimentação por determinado período e transferido repetidamente entre instalações para dificultar o contato com seus advogados.
A permanência de Yiannopoulos sob custódia foi curta. Depois de ser detido no aeroporto de Nova Orleans em 27 de agosto, ele foi enviado ao Reino Unido em 28 de agosto.
O responsável pela política de fronteira da Casa Branca, Tom Homan, negou posteriormente que a rapidez da deportação tenha representado tratamento privilegiado. Segundo ele, o caso envolvia uma pessoa com ordem definitiva de remoção e condições que permitiam executar a medida rapidamente.
Com a deportação, Yiannopoulos passou da condição de defensor público de uma política migratória rigorosa à de estrangeiro efetivamente removido pelos Estados Unidos. O caso também expôs a divergência entre sua versão sobre a própria situação migratória e a posição oficial do governo americano: enquanto o comentarista afirma que acreditava estar legalmente amparado, o DHS sustenta que ele permaneceu no país irregularmente e deixou de comparecer à audiência que resultou na ordem final de remoção.
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