Eleições / Debate
Globo cancela último debate presidencial após decisões do TSE e STF
Emissora cita insegurança jurídica após veto ao púlpito vazio de Lula e determinação para incluir Renan Santos no encontro desta quinta-feira
01/10/2026
19:45
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A TV Globo cancelou, na noite desta quinta-feira (1º), o último debate entre candidatos à Presidência da República antes do primeiro turno das Eleições 2026. A decisão foi anunciada poucas horas antes do programa, que estava previsto para começar às 21h30, após duas determinações judiciais que alteraram as regras e a composição do encontro. O cancelamento foi confirmado pela imprensa na noite desta quinta.
Em comunicado, a emissora atribuiu a decisão à sequência de determinações recebidas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF). A Globo afirmou que as medidas tomadas às vésperas do programa provocaram “insegurança jurídica” e classificou as intervenções como indevidas na liberdade dos veículos de comunicação para organizar debates. Essa avaliação representa a posição manifestada pela própria emissora.
As duas decisões que antecederam o cancelamento foram tomadas pela ministra Estela Aranha, do TSE, e pelo ministro Gilmar Mendes, do STF.
A primeira decisão atendeu a pedido da coligação do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já havia informado que não participaria do debate.
Pelas regras acertadas anteriormente com as campanhas, quando um candidato convidado não comparecesse, o púlpito reservado a ele permaneceria no cenário, identificado com seu nome.
O regulamento também previa que, em uma das rodadas de tema livre, os candidatos presentes poderiam utilizar 30 segundos para apresentar a pergunta que fariam ao concorrente ausente.
A decisão de Estela Aranha impediu tanto a exibição do púlpito vazio identificado com o nome de Lula quanto a formulação dessas perguntas ao candidato ausente.
A ministra considerou que a participação em debates é facultativa e entendeu que a exposição do espaço vazio poderia produzir efeito que ultrapassaria a simples informação ao eleitor sobre a ausência do candidato.
Depois da determinação do TSE, Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que também não participaria do debate.
O senador atribuiu sua decisão ao que classificou como “censura imposta ao evento pelo TSE”. A expressão corresponde à avaliação do próprio candidato sobre a decisão judicial.
Até então, Flávio pretendia comparecer mesmo com a ausência de Lula.
Com a desistência dos dois candidatos, o encontro ficaria sem os dois primeiros colocados na pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira.
A segunda mudança ocorreu quando Gilmar Mendes determinou que a Globo permitisse a participação de Renan Santos (Missão).
A ordem foi expedida na noite desta quinta-feira, depois de decisões anteriores desfavoráveis ao candidato.
Na quarta-feira (30), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, havia rejeitado pedido do Missão para obrigar a emissora a incluir Renan. O entendimento era de que o partido não preenchia o requisito de representação parlamentar para convite obrigatório e que a possibilidade prevista nas regras da Globo para convidar outro candidato não obrigava a emissora a fazê-lo.
Nesta quinta-feira, a ministra Cármen Lúcia, do STF, também havia indeferido pedido apresentado pelo Missão.
Horas depois, porém, Gilmar determinou a inclusão de Renan após uma nova iniciativa judicial, desta vez apresentada pelo Solidariedade.
A legislação eleitoral estabelece critérios mínimos de representação no Congresso para que candidatos tenham participação obrigatoriamente assegurada em debates promovidos por emissoras de rádio e televisão.
Com base nas regras inicialmente adotadas, a Globo havia convidado Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante).
A composição já havia sofrido outra alteração judicial antes desta quinta-feira.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, decidiu que Romeu Zema (Novo) também deveria participar, após controvérsia sobre a forma de contabilizar a representação parlamentar para aplicação das regras do debate.
Renan, por sua vez, não estava inicialmente entre os participantes porque o Missão possui apenas um parlamentar no Congresso, segundo as informações apresentadas no processo. Gilmar determinou posteriormente sua inclusão.
Ao comunicar o cancelamento, a Globo afirmou ter tradição na organização de debates e declarou que o objetivo desses encontros é permitir a discussão de propostas e a comparação dos projetos apresentados pelos candidatos.
A emissora, entretanto, sustentou que as decisões judiciais recebidas momentos antes do programa alteraram elementos relevantes do regulamento e comprometeram a segurança jurídica necessária para realizar o encontro.
A classificação das decisões como interferência indevida é uma manifestação institucional da Globo, e não uma conclusão jurídica definitiva sobre a atuação do TSE ou do STF.
Com o cancelamento, não haverá o debate que estava programado pela emissora para encerrar a sequência de confrontos televisivos do primeiro turno.
A votação para presidente e os demais cargos das Eleições 2026 ocorre neste domingo, 4 de outubro.
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