Artigo / Opinião
Manifesto Nacional pela Educação Empreendedora
“Educar para empreender é preparar cidadãos capazes de transformar suas vidas, fortalecer suas comunidades e construir um Brasil mais próspero, inovador e justo.”
01/10/2026
14:00
Janguiê Diniz*
Janguiê Diniz*
O Brasil vive um dos momentos mais decisivos de sua história. As profundas transformações econômicas, tecnológicas, sociais e ambientais que caracterizam o século XXI impõem ao país um novo desafio: preparar sua população não apenas para ocupar empregos, mas para criar oportunidades, desenvolver soluções inovadoras, gerar riqueza, promover inclusão social e liderar a construção de um futuro mais sustentável.
As mudanças provocadas pela inteligência artificial, pela economia digital, pela automação, pela transição demográfica e pela transformação das relações de trabalho estão redefinindo o conceito de empregabilidade. Milhões de profissões estão sendo reinventadas, novas ocupações surgem em ritmo acelerado e competências antes consideradas diferenciais tornaram-se requisitos básicos para a vida pessoal e profissional.
Nesse novo cenário, a educação precisa evoluir. Não basta transmitir conhecimentos. É necessário formar cidadãos capazes de pensar criticamente, resolver problemas complexos, inovar, colaborar, liderar equipes, adaptar-se às mudanças e transformar ideias em soluções que gerem valor para a sociedade.
É nesse contexto que a educação empreendedora deixa de ser uma disciplina complementar para assumir um papel estratégico no desenvolvimento nacional.
Empreender significa identificar oportunidades, mobilizar recursos, assumir responsabilidades, criar soluções e gerar impacto positivo. Trata-se de uma competência humana aplicável em qualquer profissão, organização ou projeto de vida.
O empreendedorismo não pertence exclusivamente ao mundo dos negócios. Ele está presente na educação, na ciência, na cultura, na saúde, na gestão pública, no terceiro setor e em todas as atividades que exigem criatividade, protagonismo e capacidade de transformar desafios em oportunidades.
O fortalecimento dessa cultura representa uma das mais importantes estratégias para enfrentar problemas históricos do Brasil, como a baixa produtividade, o desemprego estrutural, a desigualdade social, a informalidade econômica, a evasão escolar e a dificuldade de transformar conhecimento em inovação. Markdown colado
O Instituto Êxito de Empreendedorismo, organização da sociedade civil formada por empresários, educadores, pesquisadores, executivos, reitores, mantenedores de instituições de ensino e lideranças comprometidas com o desenvolvimento do país, por meio de seu presidente Janguiê Diniz, apresenta este Manifesto Nacional pela Educação Empreendedora como uma contribuição à construção de uma agenda permanente para o futuro do Brasil.
Este documento não representa interesses partidários. Não defende governos. Não apoia candidaturas. Defende uma causa.
Acreditamos que o empreendedorismo, quando associado à educação de qualidade, à inovação, à ética, à responsabilidade social e à cooperação entre os diversos setores da sociedade, constitui uma poderosa ferramenta de transformação econômica e social.
Por essa razão, convidamos os candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais, o Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas, os prefeitos, os vereadores, os gestores públicos, as universidades, as empresas, os educadores e toda a sociedade civil a assumirem um compromisso coletivo com a construção de uma política nacional de educação empreendedora.
Uma política capaz de preparar crianças, adolescentes, jovens e adultos para os desafios do presente e para as oportunidades do futuro.
Acreditamos em um Brasil onde:
Este manifesto nasce com um propósito claro:
Transformar a educação empreendedora em uma prioridade nacional.
Não como uma política de governo.
Mas como uma política de Estado.
Não para uma geração.
Mas para todas as gerações.
Porque acreditamos que nenhuma nação alcança desenvolvimento sustentável sem investir na capacidade de sua população criar, inovar, empreender e transformar realidades.
A educação empreendedora não é um fim em si mesma. Ela é o caminho para construir um Brasil mais competitivo, mais inclusivo, mais inovador e mais preparado para enfrentar os desafios do século XXI.
O Brasil precisa formar uma nova geração capaz não apenas de procurar oportunidades, mas de criá-las.
Durante muito tempo, nosso sistema educacional foi organizado para transmitir conhecimentos e preparar pessoas para ocupar posições relativamente previsíveis no mundo do trabalho. Esse mundo mudou.
A inteligência artificial, a transformação tecnológica, as novas profissões e a velocidade das mudanças econômicas exigem outra formação. Precisamos desenvolver pessoas capazes de aprender continuamente, tomar decisões, assumir responsabilidades, colaborar, inovar e transformar ideias em realizações.
Por isso, defendemos que a educação empreendedora se transforme em uma política nacional de educação e desenvolvimento.
Empreender não significa apenas abrir uma empresa. Significa desenvolver autonomia, protagonismo, criatividade, coragem, perseverança e capacidade de realização.
Propomos dez compromissos para os próximos governos.
Instituir uma estratégia nacional de educação empreendedora, articulando educação básica, educação profissional e educação superior.
O empreendedorismo deve ser entendido como uma competência transversal para a vida, para o trabalho e para a cidadania, e não apenas como uma disciplina isolada do currículo.
A educação empreendedora precisa acontecer pela experiência.
Projetos, desafios reais, oficinas, laboratórios, empresas juniores, hackathons, competições, resolução de problemas e atividades junto às comunidades devem ocupar espaço crescente nos currículos.
O estudante precisa deixar de ser apenas receptor de conhecimento para tornar-se autor de projetos e soluções.
Criatividade, iniciativa, colaboração, liderança, comunicação, educação financeira, negociação e resolução de problemas devem começar a ser desenvolvidas desde a educação básica.
Mais importante do que ensinar crianças e jovens a abrir empresas é ensiná-los a acreditar que podem transformar a realidade ao seu redor.
Não haverá educação empreendedora sem professores preparados para estimulá-la.
Precisamos criar um grande programa nacional de formação docente em metodologias ativas, aprendizagem baseada em projetos, inovação, tecnologia e empreendedorismo.
O professor continuará sendo essencial, mas cada vez mais como mentor, orientador e provocador da aprendizagem.
Toda instituição de ensino deve construir pontes permanentes com o mundo real.
Empresas, startups, organizações sociais, governos e empreendedores podem apresentar problemas concretos para que estudantes desenvolvam soluções.
A cidade e a comunidade precisam se transformar também em ambientes de aprendizagem.
Todo jovem deveria concluir sua formação tendo vivido pelo menos uma experiência concreta de empreendedorismo.
Pode ser uma startup, um projeto social, uma solução tecnológica, uma iniciativa cultural, um negócio local ou uma proposta de inovação dentro de uma organização.
O importante é experimentar o percurso completo: identificar um problema, imaginar uma solução, testar, errar, corrigir, apresentar e realizar.
A inteligência artificial está reduzindo dramaticamente as barreiras para transformar ideias em projetos.
Um estudante hoje pode pesquisar mercados, criar protótipos, desenvolver software, produzir conteúdo, analisar dados e testar modelos de negócio com recursos antes disponíveis apenas para grandes organizações.
Precisamos ensinar nossos jovens não apenas a utilizar inteligência artificial, mas a empreender com inteligência artificial.
Escolas, universidades e institutos devem se transformar em ambientes onde novas ideias possam nascer.
Laboratórios de inovação, incubadoras, aceleradoras, hubs, espaços maker e programas de pré-incubação devem aproximar estudantes, professores, pesquisadores, investidores e empreendedores.
Cada instituição educacional pode se tornar um polo de desenvolvimento econômico e social de sua região.
Projetos promissores precisam ter oportunidades reais de sair do papel.
Propomos a criação e expansão de fundos, bolsas, editais e programas de capital-semente para projetos desenvolvidos por estudantes e recém-formados.
Além de crédito, esses jovens precisam de mentoria, redes de relacionamento e acesso a mercados.
O Brasil deve transformar suas instituições educacionais em um dos maiores celeiros de novos empreendedores do mundo.
A maior transformação necessária é cultural.
Precisamos de uma educação que não penalize quem tenta, que compreenda o erro como parte da aprendizagem e que estimule perguntas, experimentação e iniciativa.
Uma educação que diga ao jovem:
“Você não precisa apenas esperar que o futuro lhe ofereça uma oportunidade. Você pode ajudar a construí-la.”
Janguiê Diniz
Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular; fundador, controlador e presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.
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