Política / Eleições 2026
Após críticas na campanha, Caiado declara apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno
Ex-governador de Goiás promete participar da campanha contra Lula; PSD, porém, mantém neutralidade e libera filiados para escolher candidato
06/10/2026
14:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Depois de protagonizar embates com Flávio Bolsonaro (PL) durante o primeiro turno, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) declarou apoio ao candidato do PL na disputa presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O anúncio foi feito em Goiânia, durante encontro entre lideranças políticas nesta terça-feira (6).
Caiado afirmou que pretende participar diretamente da campanha de Flávio até o segundo turno, marcado para 25 de outubro. A decisão representa uma mudança em relação à postura adotada pelo ex-governador durante a campanha, quando fez críticas contundentes ao adversário.
“O que nós queremos é que você devolva o Brasil aos brasileiros. Vou entrar de corpo inteiro, por convicção”, declarou Caiado ao anunciar o apoio.
Durante a campanha presidencial, Caiado chegou a chamar Flávio de “um dos maiores assaltantes do Brasil”. Em outra manifestação, afirmou: “Tanto faz roubar com a mão esquerda ou a direita: quem rouba é ladrão”.
O então candidato do PSD também associou politicamente Flávio a questionamentos envolvendo o Banco Master e o chamado caso Dark Horse.
As declarações ocorreram durante a disputa eleitoral e integraram a ofensiva política de Caiado contra o candidato do PL. As referências feitas pelo ex-governador a supostas irregularidades devem ser entendidas como acusações e críticas apresentadas durante a campanha, e não como comprovação de responsabilidade criminal de Flávio Bolsonaro.
Encerrado o primeiro turno, Caiado deixou as divergências da campanha de lado e passou a defender a eleição do antigo adversário.
Durante o anúncio do apoio, Flávio afirmou que pretende incorporar propostas defendidas por Caiado na área de segurança pública.
Entre as medidas mencionadas pelo candidato estão a castração química de estupradores e a redução da maioridade penal. Flávio defendeu que adolescentes a partir dos 16 anos que pratiquem crimes sejam responsabilizados como adultos.
“A gente vai arregaçar com vagabundo”, afirmou o candidato.
As propostas, caso avancem em uma eventual administração, dependerão de análise jurídica e, conforme a matéria, de aprovação do Congresso Nacional. Mudanças constitucionais exigem quórum qualificado na Câmara e no Senado.
O ex-governador também procurou afastar, neste momento, as especulações de que o apoio estaria relacionado à possibilidade de ocupar um ministério em eventual governo de Flávio Bolsonaro.
Quando apoiadores gritaram “ministro” durante o evento, Caiado respondeu: “Nesse assunto, precisamos respeitar o presidente da República”.
Apesar da resposta, o nome do ex-governador tem sido mencionado em articulações políticas sobre uma eventual composição de governo.
Caiado também afirmou que sua mulher, a senadora eleita Gracinha Caiado (União), poderá contribuir no Congresso com propostas apresentadas por Flávio caso o candidato seja eleito.
“Gracinha estará no Senado para lhe ajudar a aprovar todas as matérias”, declarou.
Ao receber o apoio, Flávio Bolsonaro afirmou que o resultado das eleições legislativas fortaleceu partidos e parlamentares identificados com a direita.
Segundo ele, a nova composição poderá influenciar inclusive as futuras eleições para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
“A gente está unido porque o Brasil está sob ameaça. O Brasil não suportaria mais quatro anos do PT”, disse Flávio.
A afirmação representa a avaliação política do candidato sobre um eventual novo mandato de Lula e sobre a correlação de forças no Congresso. A eleição dos presidentes das duas Casas depende de votação entre deputados e senadores.
No primeiro turno de domingo (4), Flávio Bolsonaro terminou na primeira colocação nacional, com 47,03% dos votos válidos. Lula ficou em segundo, com 45,16%.
Caiado terminou na quinta colocação, com 2,18%, atrás também de Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão).
Com a diferença apertada entre os dois candidatos que avançaram, os apoios conquistados nesta etapa passam a fazer parte da estratégia das campanhas para ampliar suas bases eleitorais.
Apesar da decisão individual de Caiado, o PSD não anunciou apoio formal a Flávio Bolsonaro.
O partido decidiu manter neutralidade no segundo turno e liberar seus integrantes para escolher entre Flávio e Lula.
O presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, justificou a posição pelas diferentes alianças construídas pelo partido nos estados durante as eleições.
“Diante da diversidade de cenários eleitorais que tivemos nos Estados, em que as instâncias estaduais do PSD tiveram liberdade para construir suas alianças, a direção nacional entende como natural manter esta diretriz”, informou a legenda.
Outros partidos também passaram a discutir suas posições para a segunda etapa da eleição. O PP, que manteve neutralidade no primeiro turno, sinaliza aproximação com Flávio, enquanto o candidato do PL e aliados negociam apoio com o Republicanos, presidido por Marcos Pereira.
Com menos de três semanas até a votação decisiva, as campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula entram agora na fase de consolidação de alianças e busca pelos eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno.
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