Trabalho / Congresso
Lula pressiona PL por escala 6x1: “Vai demonstrar se tem coragem ou não de votar”
Presidente diz confiar que Senado votará redução da jornada sem corte salarial e transforma posicionamento dos partidos em tema da disputa do segundo turno
06/10/2026
18:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou nesta terça-feira (6) a pressão sobre o PL durante a discussão da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. Candidato à reeleição, Lula afirmou que a votação no Senado Federal mostrará quais partidos apoiam a redução da jornada sem diminuição dos salários.
As declarações foram dadas no QG da campanha de Lula, após gravações de peças eleitorais para o segundo turno. O presidente disse estar confiante de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), colocará a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em votação.
“Estou confiando que o Senado vai repetir a decisão que já foi tomada pela Câmara. E estou confiante que o PL vai demonstrar se tem coragem ou não de votar a favor do fim dessa escala que faz as pessoas trabalharem seis dias e ficar só um em casa”, afirmou.
A proposta defendida por Lula estabelece uma jornada de cinco dias de trabalho e dois dias de descanso por semana, sem redução salarial.
Sem mencionar Flávio Bolsonaro (PL) pelo nome em parte da declaração, Lula afirmou que seu adversário no segundo turno terá de decidir qual orientação dará à bancada do partido.
Flávio tem se manifestado contra o modelo apresentado no Congresso e defende maior flexibilidade para negociação da carga horária entre trabalhador e empregador.
Para Lula, o registro dos votos no Senado permitirá que a população acompanhe diretamente a posição de cada parlamentar.
“A gente vai ver quem efetivamente quer que o povo tenha uma vida mais digna, que descanse mais, que possa cuidar mais da família, ou se vai estabelecer essa jornada em que as pessoas só têm um dia para descansar”, declarou.
O presidente endureceu o discurso ao afirmar que a análise da matéria representará um momento de definição para governo e oposição.
“Ou seja, quem mentiu até agora, quem não falou a verdade, quem brincou de falar a verdade, agora chegou o dia D. Vai ter que dizer se vai ou não votar. E é simples a votação no Senado, é só digitar que aparece na tela se votou sim ou não, e o povo vai ficar sabendo amanhã”, disse.
As afirmações sobre quem teria mentido ou deixado de falar a verdade fazem parte do discurso político-eleitoral de Lula.
Lula afirmou ainda ter recebido informações de que integrantes da oposição estariam tentando impedir ou retardar a análise da proposta. Ele não apresentou, nessa declaração, detalhes sobre quais parlamentares estariam adotando essa estratégia.
“A sociedade brasileira está de olho, porque é um tema de muita vontade da sociedade brasileira”, afirmou.
A tramitação ganhou importância adicional porque ocorre durante a campanha para o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.
Lula e Flávio apresentam posições diferentes sobre como deve funcionar a jornada de trabalho. Enquanto o presidente defende a redução para cinco dias de trabalho e dois de descanso sem redução salarial, Flávio propõe maior liberdade para negociação da carga horária.
Durante a declaração, Lula estava acompanhado do ex-ministro e senador eleito pela Bahia Rui Costa (PT), do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e do candidato ao governo do Distrito Federal, Leandro Grass (PT).
O presidente classificou o início da discussão no Senado como um momento favorável à campanha do segundo turno.
“Essa campanha está começando em um bom momento, quando hoje o Senado da República começa a discutir a aprovação do fim da escala 6x1, que nada mais é do que garantir que as pessoas trabalhem cinco dias e fiquem dois dias em casa para cuidar da família, para cuidar dos seus afazeres. É um desejo muito grande da sociedade brasileira”, afirmou.
Lula também antecipou que pretende intensificar sua agenda nas próximas três semanas, com viagens pelo país e maior contato com jornalistas durante a campanha.
Com a escala 6x1 incorporada ao debate eleitoral, a eventual votação no Senado passa a ter dois efeitos simultâneos: define o avanço de uma mudança constitucional nas regras da jornada de trabalho e expõe publicamente o posicionamento dos partidos sobre uma das principais pautas trabalhistas discutidas no segundo turno.
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