Eleições / Ceará
Ciro diz ter sido “roubado” e anuncia contestação judicial após derrota no Ceará
Derrotado por Elmano de Freitas no primeiro turno, ex-ministro questiona decisões judiciais; coordenação petista rebate e acusa tucano de desrespeitar resultado das urnas
07/10/2026
09:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) anunciou que pretende recorrer à Justiça contra fatos relacionados à eleição para o governo do Ceará, vencida no primeiro turno pelo governador Elmano de Freitas (PT). Em manifestação publicada nesta terça-feira (6), Ciro afirmou sentir que sua candidatura foi “roubada” e informou ter autorizado sua equipe jurídica a apresentar uma reclamação judicial.
A declaração provocou reação da campanha vencedora. Chagas Vieira (PDT), coordenador da campanha de Elmano, classificou a postura do adversário como antidemocrática e afirmou que questionar o resultado desrespeita a decisão dos eleitores.
No texto intitulado “Manifesto ao povo cearense”, Ciro afirmou que não cumprimentou Elmano após a apuração e atribuiu o resultado, entre outros fatores, à estrutura política de seus adversários e a decisões judiciais tomadas durante a campanha.
“Meu sentimento, pela primeira vez na vida, é de que fomos roubados”, escreveu.
A afirmação representa a avaliação de Ciro Gomes sobre o processo eleitoral. O relato apresentado não traz comprovação de fraude na votação ou na apuração.
Elmano de Freitas foi reeleito governador do Ceará com 53,19% dos votos válidos. Ciro terminou a disputa com 46,22%.
Ao anunciar que pretende levar a discussão ao Judiciário, Ciro afirmou ter consultado os advogados da campanha antes de concordar com a apresentação da medida.
As principais críticas do ex-ministro foram direcionadas ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), por uma decisão relacionada à propaganda eleitoral de Elmano nos últimos dias antes da votação.
Segundo Ciro, a autorização para reposição de inserções da campanha adversária interferiu nas condições da disputa. A alegação deverá ser analisada pela Justiça caso a medida anunciada pela defesa seja efetivamente apresentada.
Chagas Vieira contestou a interpretação de Ciro e afirmou que a decisão judicial não concedeu propaganda adicional à campanha de Elmano.
De acordo com o coordenador, houve apenas a compensação de tempo que anteriormente havia sido retirado da candidatura do governador.
Vieira também afirmou que Ciro tenta se apresentar como prejudicado pela Justiça apesar de uma decisão anterior do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter sido desfavorável à sua campanha por unanimidade.
“Quando questiona o resultado eleitoral, Ciro insulta a democracia e desrespeita o povo”, declarou Chagas.
Ex-secretário da Casa Civil do Ceará, Vieira foi eleito primeiro suplente da senadora Luizianne Lins (Rede).
Com a manifestação de Ciro, a disputa política que terminou nas urnas passa a ter um possível desdobramento judicial. A eventual contestação, no entanto, dependerá da formalização do pedido e da análise dos argumentos e provas apresentados à Justiça Eleitoral.
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