Política / Trabalho
Governo tenta acelerar PEC da escala 6x1 para votar texto antes do segundo turno
Teresa Leitão busca assinaturas para calendário especial, enquanto Alcolumbre afirma que eventual requerimento será submetido ao plenário do Senado
07/10/2026
16:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articula uma mudança no calendário do Senado para tentar concluir a votação da PEC 221/2019, que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. A oposição, por outro lado, defende o cumprimento integral dos prazos regimentais.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), começou a recolher assinaturas para apresentar um requerimento de calendário especial. A expectativa é protocolar o documento nesta quinta-feira (8) e tentar colocá-lo em votação na próxima semana.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta quarta-feira (7) que, até aquele momento, nenhum pedido para acelerar a tramitação havia sido formalizado. Ele garantiu, porém, que levará o requerimento ao plenário caso seja apresentado.
“Se o requerimento aparecer, eu vou colocar para deliberação, e o Plenário é soberano, a vontade da maioria vai prevalecer”, declarou Alcolumbre.
A PEC começou a ser discutida pelo plenário na terça-feira (6). Nesta quarta, o Senado realizou a segunda sessão de discussão em primeiro turno. Pelo rito normal, são necessárias cinco sessões de debate antes da primeira votação e outras três antes da votação em segundo turno. Para ser aprovada, uma PEC precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis, equivalentes a três quintos dos 81 senadores, nos dois turnos.
A estratégia governista é utilizar o calendário especial para abreviar etapas regimentais e permitir que a votação seja concluída antes de os eleitores voltarem às urnas.
Teresa Leitão mantém conversas com líderes partidários em busca das assinaturas e dos votos necessários para aprovar o requerimento. A apresentação do calendário especial, entretanto, não significa que a aceleração já esteja aprovada. Caberá ao plenário decidir.
Aliados do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) se movimentam em sentido contrário. O grupo pretende defender o cumprimento dos prazos regimentais e evitar que todas as etapas sejam concluídas antes do segundo turno.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, afirmou que a oposição pretende insistir em uma tramitação sem “atropelos”. Ele também criticou a forma como a redução da jornada está sendo discutida.
A disputa pelo calendário acrescenta um componente eleitoral à tramitação da PEC, que passou a ocupar espaço no confronto entre Lula e Flávio durante a campanha presidencial.
Alcolumbre afirmou que senadores haviam pedido anteriormente que a discussão não avançasse durante o primeiro turno das eleições, para evitar que a proposta interferisse nas campanhas parlamentares.
Segundo o presidente do Senado, o compromisso assumido foi colocar a PEC no plenário depois do primeiro turno, o que ocorreu nesta semana.
Na terça-feira, ao abrir a primeira sessão de discussão, Alcolumbre havia afirmado que a proposta seguiria o rito constitucional “sem atropelos e sem acelerar nada”. Um dia depois, esclareceu que, se senadores apresentarem requerimento para modificar o calendário, o pedido será submetido à decisão do plenário.
O texto em análise reduz gradualmente a jornada máxima semanal, atualmente limitada a 44 horas. A primeira redução será para 42 horas semanais, após o período de transição previsto na proposta, chegando posteriormente a 40 horas.
A PEC também estabelece dois dias de repouso remunerado por semana, sem redução salarial. Um deles deverá ocorrer preferencialmente aos domingos.
Convenções e acordos coletivos continuarão podendo organizar a distribuição da jornada, desde que respeitados os limites estabelecidos pela Constituição.
Com o calendário especial ainda em articulação, não está definido se o Senado conseguirá concluir os dois turnos antes de 25 de outubro. O primeiro passo será a apresentação do requerimento e, posteriormente, a decisão dos senadores sobre acelerar ou manter o rito normal da PEC 221/2019.
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