Trânsito / CNH
Novas CNHs crescem 17% após flexibilização das regras para primeira habilitação
Cerca de 2 milhões de brasileiros obtiveram a primeira carteira entre janeiro e agosto; número de pessoas que iniciaram o processo saltou de 2,3 milhões para 7,3 milhões
10/09/2026
17:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para novos motoristas aumentou 17,1% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (10) pelo Ministério dos Transportes, aproximadamente 2 milhões de pessoas conquistaram a primeira habilitação no período.
O crescimento ocorreu após a flexibilização das regras para obtenção do documento, implementada pelo governo federal com o objetivo de reduzir custos e simplificar o processo de formação dos novos condutores.
O aumento mais expressivo, porém, apareceu na quantidade de brasileiros que deram entrada na primeira habilitação. Esse número passou de 2,3 milhões para 7,3 milhões, avanço de 216%, segundo o Ministério dos Transportes.
O resultado indica forte crescimento na procura pelo documento, embora parte significativa desses processos ainda não tenha sido concluída.
Os dados mostram que a expansão da primeira CNH foi proporcionalmente maior entre candidatos das faixas etárias mais elevadas.
Entre jovens de 18 a 20 anos, o número de novas habilitações aumentou 11,9%. Na faixa de 21 a 24 anos, o crescimento foi de 6,6%.
Já entre pessoas de 45 a 54 anos, o avanço chegou a 37,4%. Para candidatos com 55 anos ou mais, a emissão aumentou 53,4%, maior crescimento entre as faixas etárias destacadas pelo levantamento.
Entre as mulheres, houve alta de 18%, chegando a aproximadamente 1,2 milhão de novas habilitadas no período.
Outro efeito apontado pelo governo foi a redução do tempo necessário para concluir o processo de habilitação.
A mediana nacional passou de 210 dias, entre janeiro e agosto de 2025, para 147 dias no mesmo período de 2026. O Ministério dos Transportes informou que houve redução em todos os estados.
O balanço, contudo, não apresentou o tempo médio de conclusão dos processos, utilizando como referência a mediana.
No ano passado, dois em cada três candidatos demoravam aproximadamente seis meses para obter a habilitação. Em 2026, essa proporção caiu para 40,6%, menor patamar da série histórica iniciada em 2009.
Apenas 3,69% dos candidatos conseguiram concluir todas as etapas e receber a CNH em até um mês.
Entre as principais mudanças implementadas pelo governo está o fim da obrigatoriedade de frequentar uma autoescola para obter a primeira habilitação.
Também houve redução da carga mínima obrigatória de aulas práticas, que passou de 20 para 2 horas-aula, conforme as novas regras.
A flexibilização foi defendida pelo então ministro dos Transportes Renan Filho (MDB), que posteriormente deixou o cargo para disputar o Governo de Alagoas nas eleições deste ano.
Segundo estimativas apresentadas pelo governo, antes das mudanças o custo para obtenção da primeira CNH ficava entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, dependendo do estado.
O Ministério dos Transportes estima ainda que aproximadamente 20 milhões de brasileiros dirigem sem habilitação. A meta anunciada pelo governo é aumentar em 25% o número de novos habilitados nos próximos cinco anos.
Entre os estados, a Paraíba apresentou o maior crescimento na emissão da primeira CNH, com 77%. Na sequência aparecem Sergipe, com 69,5%, e Acre, com 55,4%.
Quatro unidades da Federação registraram redução: Tocantins (-2,8%), Goiás (-5,9%), Minas Gerais (-6%) e Rio de Janeiro (-25,6%).
Segundo o secretário nacional de Trânsito, Adrualdo Catão, parte dessas diferenças está relacionada ao período necessário para adaptação dos estados às novas regras.
“Todos esses foram estados que demoraram um pouco a se adaptar ao modelo da nova resolução”, afirmou.
O Rio de Janeiro, segundo Catão, foi o último estado a concluir o processo de adesão ao novo modelo.
Quando considerado o número de pessoas que iniciaram o processo, os maiores aumentos foram registrados no Amapá, com 485,8%, Sergipe, com 472,5%, e Pernambuco, com 468%.
Mesmo entre os estados que tiveram as menores variações, o crescimento da procura foi expressivo: Santa Catarina registrou 114%, Tocantins, 138,5%, e Minas Gerais, 154,9%.
O governo também reformulou o aplicativo CNH do Brasil e passou a disponibilizar gratuitamente pela internet o conteúdo teórico necessário para preparação dos candidatos.
Com a mudança, a quantidade de cursos teóricos realizados passou de aproximadamente 2 milhões para 4,4 milhões.
Os números apresentados pelo Ministério dos Transportes mostram que a flexibilização foi acompanhada por forte aumento na entrada de candidatos no sistema. A diferença entre os 7,3 milhões que iniciaram o processo e os cerca de 2 milhões efetivamente habilitados, entretanto, demonstra que o impacto completo das novas regras sobre a emissão de CNHs ainda deverá aparecer nos próximos meses.
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