Política / Segurança
Lula anuncia criação do Ministério da Segurança Pública por medida provisória para reforçar combate ao crime organizado
Nova pasta deverá coordenar ações com estados e municípios, ampliar a integração das forças de segurança e discutir recursos para enfrentar facções criminosas.
06/11/2026
08:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta quinta-feira (5 de novembro), que pretende criar o Ministério da Segurança Pública por meio de uma medida provisória (MP). A iniciativa busca fortalecer o enfrentamento às organizações criminosas e ampliar a atuação conjunta do governo federal com estados e municípios.
O anúncio foi feito durante uma transmissão ao vivo com o deputado federal André Janones (Rede-MG), dois dias depois da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública pelo Senado Federal.
A criação da nova pasta é defendida por Lula desde fevereiro e ganhou destaque durante a campanha eleitoral deste ano. A proposta prevê uma estrutura específica no governo federal para coordenar políticas de segurança e melhorar a integração entre os diferentes órgãos responsáveis pelo combate à criminalidade.
Presidente anuncia discussão sobre recursos para segurança
Durante a transmissão, Lula comemorou a aprovação da PEC da Segurança Pública, que recebeu 73 votos favoráveis no Senado, e afirmou que o próximo passo será discutir a medida provisória responsável pela criação do ministério.
“Alcolumbre cumpriu com a palavra dele e botou para votar a PEC da Segurança Pública. E foi aprovada por 73 votos. Agora, amanhã já vamos fazer a primeira discussão porque eu vou mandar a Medida Provisória criando o Ministério da Segurança Pública, discutindo dinheiro para a gente investir”, declarou.
A referência foi ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, responsável pela condução da votação da proposta.
Segundo Lula, a discussão sobre a nova estrutura também envolverá a definição de recursos para financiar as políticas de segurança pública.
O governo ainda não apresentou detalhes sobre o orçamento previsto, a composição da futura pasta ou quem poderá assumir seu comando.
Combate às facções será prioridade do novo ministério
A criação do Ministério da Segurança Pública faz parte da estratégia do governo para ampliar o enfrentamento ao crime organizado.
A nova estrutura deverá contribuir para a execução do Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio de 2026, que reúne medidas destinadas a combater organizações criminosas e suas fontes de financiamento.
Entre as prioridades anunciadas estão o enfrentamento ao tráfico de armas, munições, acessórios e explosivos, além de ações para atingir o patrimônio e os recursos financeiros de facções e milícias.
O programa também prevê o fortalecimento da segurança nos estabelecimentos prisionais e a adoção de medidas para dificultar a atuação de organizações criminosas dentro e fora dos presídios.
Uma das principais preocupações é impedir que grupos criminosos continuem administrando atividades ilegais, movimentando dinheiro e coordenando operações a partir do sistema penitenciário.
Integração entre União, estados e municípios
A proposta do governo é que o novo ministério tenha papel central na coordenação das políticas nacionais de segurança pública, em articulação com os governos estaduais e as administrações municipais.
A intenção é melhorar o compartilhamento de informações e fortalecer a cooperação entre as instituições responsáveis pela prevenção e repressão ao crime.
A medida poderá ter reflexos em estados como Mato Grosso do Sul, que possui extensa faixa de fronteira com Paraguai e Bolívia e enfrenta desafios relacionados ao tráfico internacional de drogas, armas e outras atividades criminosas.
Nesse contexto, a integração entre órgãos federais e estaduais é considerada importante para o enfrentamento de organizações que atuam em diferentes regiões do país.
Entretanto, os efeitos concretos da criação do ministério sobre as operações policiais e os investimentos em Mato Grosso do Sul dependerão das atribuições, dos recursos e da estrutura que forem definidos pelo governo federal.
Medida provisória terá efeito imediato
Lula pretende utilizar uma medida provisória para instituir o novo ministério.
Esse instrumento permite ao presidente da República editar normas com força de lei em situações de relevância e urgência, conforme previsto na Constituição Federal.
A principal característica é que a medida provisória passa a produzir efeitos jurídicos a partir de sua publicação, sem depender de aprovação prévia do Congresso Nacional.
Assim, caso o governo publique a MP com a estrutura necessária para a criação da pasta, o ministério poderá ser formalmente instituído antes da conclusão da análise parlamentar.
No entanto, para que a medida seja convertida definitivamente em lei, será necessária a aprovação da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
O prazo inicial de vigência é de 60 dias, com possibilidade de prorrogação automática por mais 60 dias, caso a votação não seja concluída no período.
Se não for aprovada dentro do prazo constitucional, a medida provisória perde sua eficácia, observadas as regras aplicáveis aos efeitos jurídicos produzidos durante sua vigência.
PEC da Segurança Pública abre caminho para nova estrutura
O anúncio ocorre após a aprovação da PEC da Segurança Pública, considerada pelo governo uma etapa importante para ampliar a cooperação entre as diferentes esferas administrativas.
A proposta foi aprovada pelo Senado na terça-feira (3), sem a inclusão da redução da maioridade penal.
Para Lula, o avanço da emenda constitucional permite dar continuidade às mudanças planejadas para o setor, incluindo a criação de uma pasta dedicada exclusivamente à segurança pública.
A iniciativa representa uma tentativa de conferir maior prioridade administrativa e política ao enfrentamento da criminalidade organizada.
Apesar do anúncio, o Ministério da Segurança Pública ainda depende da edição e publicação da medida provisória para ser oficialmente criado.
A expectativa é que as primeiras discussões sobre o texto, a estrutura administrativa e as fontes de financiamento ocorram nesta sexta-feira (6).
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