Política / Governo Federal
Resistência a Rafael Fonteles amplia disputa pela Fazenda e coloca Alckmin entre alternativas de Lula
Governador do Piauí enfrenta objeções dentro do PT, enquanto Durigan tenta consolidar sua posição em meio às discussões sobre o Orçamento de 2027.
05/11/2026
19:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A definição de quem comandará o Ministério da Fazenda no próximo período do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu uma disputa entre integrantes da base governista. Considerado inicialmente uma das alternativas para a equipe econômica, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), passou a enfrentar resistência de aliados do presidente. Com isso, o nome do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ganhou espaço nas articulações políticas.
Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, Lula chegou a considerar Fonteles para a pasta, mas passou a avaliar os riscos políticos de sua eventual nomeação. Entre os principais obstáculos estão a necessidade de o governador renunciar ao mandato recém-renovado e a dificuldade de substituí-lo caso sua atuação no ministério não corresponda às expectativas.
A avaliação de interlocutores do presidente é que a renúncia ao governo do Piauí poderia transformar Fonteles em um ministro politicamente difícil de demitir. Também pesa contra ele, segundo esses relatos, a falta de experiência em cargos do primeiro escalão federal.
Fonteles nega articulações para assumir o ministério
Outro fator que teria provocado desconforto entre auxiliares de Lula foi a informação de que o governador estaria mantendo encontros com representantes do mercado financeiro antes de qualquer definição sobre seu futuro no governo federal.
Nos bastidores, aliados interpretaram essas movimentações como uma antecipação das discussões sobre a composição ministerial.
Fonteles, entretanto, negou à Folha de S.Paulo ter realizado reuniões com empresários e afirmou que não conversou com Lula sobre cargos ou sobre os rumos da política econômica.
As resistências relatadas não representam uma decisão definitiva do presidente, que continua avaliando alternativas para a Fazenda.
Alckmin ganha espaço, mas também enfrenta obstáculos
Com o enfraquecimento da possibilidade de nomeação de Fonteles, Geraldo Alckmin passou a ser mencionado com maior frequência entre os possíveis escolhidos.
O vice-presidente teria mantido conversas com empresários e integrantes do mercado financeiro para ouvir avaliações e sugestões sobre a economia, conforme relatos obtidos pela Folha.
Uma eventual indicação, porém, também envolveria dificuldades políticas. Por ocupar a Vice-Presidência da República, Alckmin teria uma posição institucional que tornaria especialmente delicada sua substituição no comando da Fazenda em caso de divergências com o presidente.
Entre os defensores de seu nome, existe a expectativa de que pudesse reunir economistas reconhecidos para compor a equipe econômica.
Procurado pelo jornal, Alckmin preferiu não comentar as especulações.
Camilo Santana e Haddad aparecem em outras articulações
As discussões sobre a Fazenda fazem parte de uma reorganização mais ampla do primeiro escalão federal.
O senador Camilo Santana (PT-CE) também é citado entre as possibilidades para a equipe ministerial, embora seu nome esteja relacionado a diferentes áreas, como Segurança Pública, Educação e Casa Civil.
Caso Camilo não seja escolhido para a Casa Civil, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) poderá ser considerado para a função.
De acordo com a reportagem, Haddad não está entre os nomes atualmente apontados como possíveis titulares da Fazenda.
As alternativas continuam no campo das articulações políticas, sem anúncio oficial sobre mudanças na composição do governo.
Durigan tenta se firmar diante das pressões econômicas
Enquanto as especulações avançam, o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, procura fortalecer sua posição no governo e concentrar as discussões nas medidas necessárias para organizar as contas públicas.
A pressão aumentou diante da necessidade de ajustes no Orçamento de 2027, que ainda dependem de decisões do Executivo e de aprovação pelo Congresso Nacional.
Durigan também precisou administrar divergências provocadas por discussões sobre a política de juros.
O episódio ganhou repercussão após rumores de que Lula receberia o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, para discutir propostas de redução das taxas de juros.
Autorizado pelo presidente, Durigan desmentiu a informação sobre o encontro e posteriormente criticou aspectos da proposta econômica defendida por Lara Resende.
A posição recebeu apoio do presidente nacional do PT, Edinho Silva, que afirmou, em nota, que Durigan era o responsável por representar oficialmente a política econômica do governo.
Apesar disso, integrantes do partido favoráveis às ideias de Lara Resende questionaram as críticas feitas pelo ministro, enquanto outros setores consideraram importante sua defesa da responsabilidade fiscal.
As divergências evidenciam a disputa interna sobre a condução da economia e o equilíbrio entre controle das despesas, crescimento econômico e redução dos juros.
Orçamento de 2027 é prioridade imediata
Para integrantes da área econômica, a principal preocupação neste momento é assegurar condições para que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o Orçamento de 2027 sejam analisados ainda em 2026.
O governo precisa definir medidas capazes de sustentar as metas fiscais e viabilizar a execução das despesas previstas para o próximo ano.
Uma eventual demora poderá transferir a votação para 2027, quando o Congresso terá uma composição renovada após as eleições de outubro, com maior presença de parlamentares de oposição.
Esse cenário aumenta a pressão sobre o Ministério da Fazenda e sobre o Palácio do Planalto para que as decisões econômicas sejam tomadas antes da definição completa da futura equipe ministerial.
Embora os nomes de Fonteles, Alckmin e Camilo Santana continuem circulando nas discussões políticas, Lula ainda não anunciou qualquer substituição no comando da Fazenda.
Por enquanto, Durigan permanece responsável pela condução da política econômica e pela elaboração das propostas fiscais que deverão orientar as negociações do governo com o Congresso.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Oposição rejeita saída voluntária de Peña e avança com impeachment no Paraguai
Leia Mais
Mastercard leva experiência da Fórmula 1 ao Brás com capacitação gratuita para pequenos empresários
Leia Mais
Durigan descarta solução imediata para contas públicas e prepara propostas fiscais para Lula
Leia Mais
Dívida técnica: o custo invisível que pode comprometer o futuro das empresas
Municípios