Internacional / Política Americana
Democratas conquistam maioria no Congresso dos EUA e ampliam pressão sobre governo Trump
Oposição avança em estados tradicionalmente republicanos, assume o controle do Senado e da Câmara e ganha força para investigar o Executivo
04/11/2026
07:15
VEJA
DA REDAÇÃO
James Talarico celebra vitória para o senado no Texas: primeiro democrata a vencer no estado neste século
O Partido Democrata conquistou o controle do Senado e da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3 de novembro), segundo projeções eleitorais atribuídas à Associated Press (AP). O resultado representa uma derrota política para o presidente Donald Trump e deverá modificar a relação entre a Casa Branca e o Congresso durante os dois últimos anos de seu mandato.
O avanço da oposição ocorreu em meio à insatisfação de parte do eleitorado com o custo de vida, a guerra contra o Irã e questionamentos sobre a atuação do governo federal. Os democratas venceram disputas em estados tradicionalmente conservadores e conquistaram cadeiras anteriormente ocupadas pelos republicanos.
No Senado, a oposição assegurou, conforme os números apresentados na apuração, pelo menos 53 das 100 cadeiras, superando as 51 necessárias para formar maioria. Na Câmara, os democratas também ultrapassaram o número de assentos exigido para assumir o comando da Casa.
A mudança poderá dificultar a aprovação de propostas defendidas por Trump, além de ampliar a fiscalização parlamentar sobre integrantes de sua administração.
O caminho dos democratas até a maioria passou por vitórias em estados onde os republicanos mantinham posições importantes.
Entre os resultados apontados pelas projeções estão:
Texas: o democrata James Talarico derrotou o republicano Ken Paxton, em uma disputa de grande repercussão nacional.
Iowa: Josh Turek venceu a republicana Ashley Hinson.
Kansas: Adam Hamilton superou o senador republicano Roger Marshall, em uma vitória apresentada como histórica para o Partido Democrata no estado.
Carolina do Sul: Annie Andrews derrotou a senadora republicana Darline Graham.
Ohio: o democrata Sherrod Brown venceu o senador Jon Husted.
Carolina do Norte: Roy Cooper conquistou uma cadeira anteriormente ocupada pelos republicanos.
Maine: Troy Jackson derrotou a senadora Susan Collins, conhecida por sua capacidade de vencer disputas eleitorais difíceis.
Além das conquistas, os democratas conseguiram preservar assentos considerados estratégicos.
Na Geórgia, o senador Jon Ossoff foi reeleito após enfrentar o republicano Mike Collins.
Em New Hampshire, o deputado democrata Chris Pappas venceu a disputa contra o ex-senador republicano John Sununu.
Os resultados indicam que o crescimento democrata não ficou restrito aos estados tradicionalmente favoráveis ao partido.
Apesar da maioria já projetada, algumas eleições para o Senado permaneciam sem resultado definitivo na apuração apresentada.
As disputas em aberto envolviam Alasca, Michigan, Mississippi e Nebraska.
No Alasca, uma controvérsia judicial relacionada à identificação de candidatos na cédula eleitoral acrescentou incerteza à disputa envolvendo o senador republicano Dan Sullivan.
Em Michigan, o republicano Mike Rogers enfrentava o democrata Abdul El-Sayed em uma das disputas ainda acompanhadas pelas equipes eleitorais.
Segundo a contagem atribuída à NBC News, os democratas haviam vencido 19 das 35 eleições para o Senado, enquanto os republicanos conquistaram 12. Outras quatro permaneciam indefinidas.
Somados aos parlamentares cujos mandatos continuam em andamento, os democratas e independentes alinhados ao partido chegariam a pelo menos 53 cadeiras, contra 43 dos republicanos, com possibilidade de alteração desses números após a conclusão da apuração.
Na Câmara dos Representantes, os democratas conseguiram reverter disputas em distritos considerados decisivos para a formação da maioria.
Entre os republicanos derrotados, conforme os resultados relatados, estão:
Tom Kean Jr., em Nova Jersey.
Ryan Mackenzie, na Pensilvânia.
Scott Perry, na Pensilvânia.
Rob Bresnahan, na Pensilvânia.
O partido também conquistou cadeiras na Carolina do Norte, com Jamie Ager, e em Iowa, com Lindsay James.
O desempenho ocorreu apesar das mudanças nos mapas eleitorais promovidas por republicanos em estados como Flórida e Texas, onde a legenda esperava ampliar sua representação.
Com a nova maioria, o líder democrata Hakeem Jeffries passa a ser o principal nome para assumir a presidência da Câmara, podendo se tornar o primeiro negro a ocupar o cargo.
A escolha formal da liderança, entretanto, dependerá dos procedimentos internos da próxima legislatura.
A mudança no Senado terá consequências diretas sobre a capacidade do presidente Donald Trump de obter aprovação para indicações a cargos federais.
Nos Estados Unidos, cabe ao Senado analisar e votar indicações presidenciais, incluindo nomes escolhidos para a Suprema Corte e outros tribunais federais.
Com a maioria democrata, o governo poderá enfrentar resistência maior caso precise preencher vagas no Judiciário.
A nova composição também permitirá à oposição exercer influência sobre a agenda legislativa e o funcionamento das comissões parlamentares.
Na Câmara, o controle democrata poderá dificultar a aprovação de projetos defendidos pela Casa Branca, especialmente aqueles que dependam de negociações entre os dois partidos.
Lideranças democratas já sinalizaram interesse em ampliar a fiscalização sobre a administração Trump.
Entre os possíveis alvos de investigações parlamentares estão decisões relacionadas à guerra contra o Irã, contratos governamentais e eventuais conflitos de interesse envolvendo integrantes do Executivo.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o empresário Elon Musk, que atuou como assessor do presidente, aparecem entre os nomes mencionados nas discussões sobre futuras apurações.
Também poderá haver questionamentos sobre negócios e atividades financeiras associados à família Trump.
Uma maioria na Câmara permitiria aos democratas iniciar procedimentos de impeachment, caso fossem apresentados fundamentos para isso.
Entretanto, a abertura de um processo não significaria a destituição automática do presidente. A condenação em julgamento político exige o apoio de dois terços dos senadores presentes.
O presidente americano procurou reduzir o impacto político do resultado e atribuiu parte do desempenho republicano à ausência de seu nome nas urnas.
Durante a campanha, Trump havia pedido apoio aos candidatos de seu partido, buscando transformar a eleição legislativa em uma demonstração de força de seu governo.
Após os resultados desfavoráveis, passou a destacar que não era candidato e afirmou que os eleitores estavam insatisfeitos com determinados nomes republicanos.
Em publicações nas redes sociais, sinalizou que poderá recorrer ao poder de veto presidencial para barrar propostas aprovadas pela nova maioria democrata.
O presidente também declarou que aceitará os resultados eleitorais.
Mesmo com o Congresso sob controle da oposição, Trump continuará podendo vetar projetos de lei. Para derrubar um veto presidencial, são necessários dois terços dos votos em cada uma das Casas legislativas.
O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, classificou o resultado como uma transformação importante na distribuição das forças políticas americanas.
Segundo ele, as vitórias representam uma mudança no mapa eleitoral e demonstram a capacidade do partido de conquistar apoio em regiões antes consideradas pouco competitivas.
Do lado republicano, John Thune afirmou que sua legenda continuará resistindo às propostas democratas que considere incompatíveis com sua agenda política.
Apesar das derrotas, os republicanos preservaram algumas cadeiras importantes.
Na Flórida, a senadora Ashley Moody venceu a eleição especial para completar o mandato anteriormente ocupado por Marco Rubio, atual secretário de Estado.
Em Wyoming, a deputada Harriet Hageman conquistou a vaga deixada pela aposentadoria da senadora Cynthia Lummis.
O Senado dos Estados Unidos possui 100 integrantes, sendo dois representantes de cada estado, com mandatos de seis anos.
Diferentemente da Câmara dos Representantes, que renova suas 435 cadeiras a cada dois anos, o Senado passa por uma renovação parcial.
Nas eleições de 2026, estavam em disputa 35 cadeiras, sendo 33 correspondentes a mandatos regulares e duas relacionadas a eleições especiais.
Antes da votação, os republicanos ocupavam 22 desses assentos, enquanto os democratas detinham 13.
A conquista de cadeiras anteriormente controladas pelos republicanos foi determinante para a mudança da maioria.
A vitória democrata estabelece um novo cenário para os dois anos finais do segundo mandato de Donald Trump.
Com a oposição controlando as duas Casas, o governo deverá enfrentar maior resistência para aprovar projetos, realizar determinadas nomeações e conduzir sua agenda legislativa.
Ao mesmo tempo, os democratas terão mais instrumentos para fiscalizar decisões da Casa Branca e investigar possíveis irregularidades administrativas.
O resultado não altera a permanência de Trump na Presidência, mas reduz sua margem de atuação no Congresso e amplia o poder político da oposição.
A definição das disputas ainda pendentes determinará o tamanho final das bancadas e a extensão da vantagem democrata na próxima legislatura.
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