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Trump enfrenta teste decisivo nas urnas e pesquisas apontam vantagem dos democratas
Eleitores americanos votam nesta terça-feira (3) para renovar o Congresso; eventual vitória da oposição poderá limitar a atuação do presidente até 2029
02/11/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrentará nesta terça-feira (3 de novembro) um dos principais testes políticos de seu segundo mandato. Embora seu nome não esteja nas cédulas, o resultado das eleições legislativas poderá enfraquecer a maioria republicana no Congresso e dificultar a aprovação de propostas da Casa Branca nos próximos dois anos.
As chamadas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, ocorrem na metade do período presidencial e funcionam como um importante termômetro da avaliação dos eleitores sobre o governo.
Desta vez, as pesquisas nacionais apontam vantagem do Partido Democrata, que tenta recuperar o controle de pelo menos uma das duas casas do Congresso.
Segundo a média de levantamentos do RealClearPolling, divulgada em 31 de outubro, os democratas registravam 51,4% das intenções de voto na preferência nacional para o Congresso, enquanto os republicanos apareciam com 43,2%.
A diferença de 8,2 pontos percentuais, entretanto, não garante a vitória da oposição. Nos Estados Unidos, a distribuição das cadeiras depende dos resultados de disputas estaduais e distritais, e não apenas da votação nacional.
Apesar do impacto político, a votação de terça-feira não decidirá a permanência de Donald Trump na Casa Branca.
O presidente foi eleito para um mandato que termina em janeiro de 2029, e as eleições de meio de mandato não permitem sua substituição automática.
O que está em disputa é a capacidade do governo de manter apoio no Legislativo.
Atualmente, os republicanos controlam tanto a Câmara dos Representantes quanto o Senado, situação que favorece a tramitação de propostas defendidas pelo presidente.
Uma mudança nessa composição poderá obrigar Trump a negociar com a oposição ou enfrentar maior resistência parlamentar.
Os americanos escolherão os ocupantes das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, cujos mandatos duram dois anos.
Também estarão em disputa 35 vagas no Senado, incluindo eleições especiais na Flórida e em Ohio.
Diferentemente da Câmara, o Senado não é renovado integralmente. Seus integrantes cumprem mandatos de seis anos, e aproximadamente um terço das cadeiras é submetido ao voto popular a cada dois anos.
Além das eleições legislativas, 36 estados escolherão seus governadores.
Os resultados estaduais também serão importantes para medir a força dos dois principais partidos e definir os rumos das administrações locais.
No Senado, os republicanos ocupam atualmente 53 das 100 cadeiras. Os democratas têm 45, além de dois independentes que integram o campo da oposição.
Para conquistar a maioria, os democratas precisam obter um ganho líquido de quatro cadeiras, considerando a atual distribuição partidária.
Na Câmara dos Representantes, a vantagem republicana é menor, tornando o controle da Casa um dos principais objetivos da oposição.
Uma vitória democrata em apenas uma das casas já seria suficiente para alterar o equilíbrio político em Washington.
O novo Congresso poderá assumir uma postura mais independente em relação às propostas do governo e ampliar a fiscalização sobre a administração federal.
Caso os democratas conquistem a Câmara, poderão assumir a presidência de comissões, promover audiências e abrir investigações sobre decisões e integrantes do governo.
Também terão condições de dificultar a aprovação de projetos de interesse da Casa Branca, especialmente aqueles que dependem de negociação entre as duas casas legislativas.
Se a oposição conquistar o Senado, poderá influenciar diretamente a análise de indicações presidenciais para cargos no Executivo e no Judiciário federal.
A aprovação de juízes e outras autoridades indicadas pelo presidente depende do Senado, o que torna o controle dessa Casa especialmente relevante.
Mesmo diante de uma eventual derrota republicana, Trump continuará exercendo as atribuições constitucionais da Presidência.
Donald Trump tem participado de atos de campanha para apoiar candidatos republicanos e tentar ampliar o comparecimento de seus eleitores.
Em setembro, segundo a Associated Press (AP), o presidente pediu aos apoiadores que tratassem a votação como uma disputa diretamente relacionada a ele.
“Finjam que estou na cédula”, declarou.
Na mesma ocasião, reconheceu que presidentes americanos costumam enfrentar dificuldades nas eleições de meio de mandato.
“Não se espera que as eleições de meio de mandato sejam vencidas pelo presidente em exercício”, afirmou.
Apesar desse histórico, Trump demonstrou confiança em outubro.
“Acho que vamos nos sair muito bem”, disse a jornalistas no dia 6 de outubro, conforme relato da agência Anadolu.
O republicano também atribuiu importância aos comícios realizados por seu partido para divulgar as ações do governo e mobilizar eleitores.
A oposição tem concentrado seus discursos nas dificuldades econômicas enfrentadas pelas famílias americanas.
Entre os principais assuntos estão os preços dos alimentos, os custos de moradia e as despesas com serviços de saúde.
Em declaração à Associated Press, Katarina Flicker, porta-voz do comitê democrata House Majority PAC, afirmou que o custo de vida aparece como uma das principais preocupações dos eleitores.
“Todas as pesquisas e todos os grupos de discussão mostram que o custo de vida é a principal questão para os eleitores”, declarou.
Os republicanos, por sua vez, procuram destacar as políticas de imigração, os cortes de impostos e outras medidas adotadas pelo governo Trump.
A disputa também envolve a capacidade de cada partido de convencer eleitores independentes e mobilizar seus próprios apoiadores.
Como os Estados Unidos possuem diferentes fusos horários, o encerramento da votação ocorrerá gradualmente.
Os primeiros locais de votação começarão a fechar por volta das 20h desta terça-feira, no horário de Brasília.
Entre os horários previstos estão:
Geórgia: 21h.
Carolina do Norte e Ohio: 21h30.
Pensilvânia e Maine: 22h.
Flórida: 21h ou 22h, conforme o condado.
Os resultados iniciais serão divulgados após o fechamento das urnas em cada localidade.
A Associated Press e outros veículos americanos poderão projetar vencedores com base na apuração e na análise dos votos ainda não contabilizados.
Em estados com disputas apertadas, a contagem poderá avançar pela madrugada de quarta-feira (4) ou continuar por vários dias.
As eleições desta terça-feira não representam uma disputa direta pela Presidência, mas poderão determinar a margem de manobra política de Donald Trump até o fim de seu mandato.
Uma vitória republicana preservaria condições mais favoráveis para a agenda da Casa Branca. Já o avanço dos democratas poderia resultar em maior fiscalização, dificuldades legislativas e negociações mais intensas.
Embora as pesquisas indiquem vantagem nacional da oposição, o controle do Congresso dependerá da distribuição efetiva das cadeiras conquistadas por cada partido.
O resultado também servirá como uma avaliação da força política de Trump e de sua capacidade de manter mobilizada a base republicana na segunda metade do mandato.
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