Política / Governo Federal
Janones descarta ministério no novo governo Lula e anuncia permanência na Câmara
Deputado afirma que continuará atuando no Congresso e na mobilização digital de apoiadores; parlamentar também confirmou que pretende permanecer na Rede Sustentabilidade
02/11/2026
10:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O deputado federal André Janones (Rede-MG) descartou a possibilidade de assumir um ministério no próximo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista exibida pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo (1º de novembro), o parlamentar afirmou que pretende continuar exercendo seu mandato na Câmara dos Deputados e manter a atuação política nas redes sociais.
A declaração ocorre após a participação de Janones na campanha digital que contribuiu para mobilizar apoiadores de Lula durante o segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro.
“Eu não vou aceitar ministério. Está cravado. Não vou ser ministro do governo Lula. Vou continuar na Câmara dos Deputados representando o povo”, afirmou o deputado.
Janones também confirmou que pretende permanecer na Rede Sustentabilidade e comentou sua relação com o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), apesar das diferenças políticas entre os dois.
Na madrugada desta segunda-feira (2), Janones voltou ao assunto em uma mensagem de áudio enviada aos participantes do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado por ele durante a campanha presidencial.
O parlamentar argumentou que assumir uma função ministerial poderia limitar sua liberdade de atuação política e de comunicação.
Ao explicar a decisão, afirmou que deseja continuar desempenhando o papel de mobilizador digital dos apoiadores do presidente, atividade que considera importante para o próximo mandato.
“Eu preciso continuar entregando para o presidente o que ele espera do nosso exército. Nós vencemos uma batalha. A guerra não foi vencida ainda”, declarou.
Janones também defendeu a necessidade de ampliar a sustentação política do governo no Congresso e nas redes sociais.
Segundo ele, a mobilização deverá continuar após a eleição para divulgar ações do Executivo e responder às críticas feitas à administração federal.
As declarações refletem a estratégia política defendida pelo deputado e não representam um anúncio oficial sobre a estrutura de comunicação do próximo governo.
A participação de Janones na campanha ganhou destaque com a expansão do canal “Exército do Lula”, utilizado para distribuir mensagens, vídeos e conteúdos de apoio ao candidato petista.
Segundo os números divulgados durante a campanha, a iniciativa ultrapassou 10 milhões de seguidores no período que antecedeu o segundo turno.
O canal funcionou como um espaço de mobilização, no qual os participantes recebiam materiais e eram incentivados a compartilhá-los em outras redes sociais e grupos de mensagens.
A estratégia ganhou importância depois do primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminou a votação à frente de Lula.
Durante a campanha, a atuação digital do grupo também foi alvo de questionamentos apresentados pela candidatura adversária à Justiça Eleitoral.
A existência dessas contestações, por si só, não significa que tenha sido reconhecida alguma irregularidade.
No discurso realizado na Avenida Paulista, em São Paulo, após a confirmação do resultado eleitoral, Lula agradeceu publicamente o trabalho de André Janones.
Na ocasião, o presidente chamou o deputado de “general”, em referência à atuação na mobilização digital de seus apoiadores.
Lula também sinalizou que a comunicação pelas redes sociais terá papel relevante em seu próximo mandato.
Apesar da proximidade política demonstrada durante a campanha, Janones afirmou que não pretende trocar sua atuação parlamentar por um cargo no primeiro escalão do Executivo.
A decisão indica que o deputado deseja continuar participando dos debates políticos e da articulação de apoiadores fora da estrutura ministerial.
Outro assunto abordado na entrevista foi a relação de Janones com Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito governador de Minas Gerais.
Embora os dois tenham trajetórias e posicionamentos políticos diferentes, Janones elogiou a disposição de Cleitinho para o diálogo.
“É um cara que está se propondo a fazer o que o país precisa muito, que é pacificar, que é superar essa questão ideológica, essa polarização que tem feito tão mal para o povo brasileiro”, afirmou.
A declaração ocorre em um momento de reorganização das forças políticas após a eleição presidencial.
Janones defendeu que divergências partidárias não impeçam conversas sobre questões de interesse da população.
Questionado sobre a possibilidade de trocar de legenda, André Janones afirmou que pretende continuar filiado à Rede Sustentabilidade.
Segundo ele, a permanência está relacionada à liberdade de atuação e à relação construída com o partido.
“Eu vou ficar na Rede Sustentabilidade. Por dois motivos. Primeiro, porque eu prezo muito pela minha independência. Segundo, porque eu sou um cara muito leal. Eu não solto as mãos daqueles que me estenderam as mãos”, declarou.
A manifestação afasta, ao menos neste momento, a possibilidade de uma mudança partidária após as eleições.
Natural de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, André Janones ganhou projeção nacional em 2018, durante a greve dos caminhoneiros, quando passou a divulgar vídeos sobre a paralisação nas redes sociais.
Naquele ano, foi eleito deputado federal por Minas Gerais pelo Avante, com 178.660 votos.
Antes de ingressar na política, atuou como advogado e afirma ter prestado assistência jurídica gratuita a pessoas que buscavam atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Em 2022, chegou a lançar uma pré-candidatura à Presidência da República, mas desistiu da disputa para apoiar Lula ainda no primeiro turno.
Naquele mesmo ano, foi reeleito deputado federal e passou a integrar a estratégia de comunicação digital da campanha petista.
Nas eleições de 2026, conquistou mais um mandato na Câmara dos Deputados, com 78.780 votos em Minas Gerais, conforme os dados apresentados na reportagem.
Com a decisão de não assumir um ministério, Janones pretende seguir no Legislativo e manter sua presença nas plataformas digitais.
A continuidade dessa atuação deverá ocorrer paralelamente às negociações políticas para a formação do próximo governo Lula, que terá início em janeiro de 2027.
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