Política / Articulações
Kassab confirma contato do governo Lula com PSD e admite aproximação política
Presidente do PSD condiciona relação mais próxima com o Planalto a mudanças na condução econômica e avalia os fatores que influenciaram a eleição presidencial.
31/10/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, confirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já procurou a legenda para conversar sobre o cenário político após as eleições de 2026. Em entrevista ao jornal O Globo, Kassab admitiu a possibilidade de ampliar a aproximação com o Palácio do Planalto, mas condicionou esse movimento à adoção de medidas econômicas e a uma maior abertura do governo aos partidos de centro.
A declaração ocorre após a reeleição de Lula para um quarto mandato, em uma disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Na avaliação de Kassab, o resultado foi influenciado por decisões da campanha adversária e pela capacidade do PT de explorar pontos considerados vulneráveis na candidatura do parlamentar.
Segundo o dirigente, a escolha de Flávio Bolsonaro acabou dividindo o eleitorado de centro com Lula. Kassab afirmou que o senador perdeu apoio durante outubro, à medida que passou a ser mais conhecido fora do Rio de Janeiro. Entre os fatores apontados por ele estão declarações sobre possíveis alterações na Constituição e o comportamento do candidato durante os debates.
“Ele acabou assustando falando em mexer na Constituição”, declarou Kassab, que também mencionou críticas ao “linguajar” e à “falta de postura nos debates”.
Na interpretação do presidente do PSD, a campanha petista conseguiu mobilizar eleitores preocupados com o retorno do bolsonarismo ao poder. Ele também destacou a participação de manifestações espontâneas nas ruas e a atuação digital do deputado federal André Janones (Rede-MG) como elementos relevantes da disputa eleitoral.
Aproximação dependerá de medidas econômicas
Embora o PSD tenha ocupado três ministérios durante o terceiro mandato de Lula, a legenda não integrou oficialmente a base governista. Kassab explicou que, desde 2023, o partido mantinha o entendimento de que seus filiados poderiam aceitar convites do Executivo sem que isso representasse uma adesão formal da sigla.
Para o novo mandato, o dirigente considera possível uma relação política diferente, desde que o presidente apresente iniciativas capazes de ampliar o diálogo com o centro e fortalecer a confiança na condução da economia.
Kassab defendeu a manutenção dos compromissos sociais do governo, acompanhada de medidas voltadas ao equilíbrio fiscal. Como referências para a área econômica, mencionou Antonio Palocci e Henrique Meirelles, que já ocuparam funções importantes em governos anteriores.
“Se medidas econômicas forem adotadas, estaremos mais próximos”, afirmou. Segundo ele, o PSD poderá construir uma “relação mais profunda” com o governo caso essas condições avancem.
O presidente da legenda também avaliou que Lula precisará ampliar sua sustentação política e buscar maior aproximação entre diferentes setores da sociedade, algo que, em sua avaliação, não foi plenamente alcançado no terceiro mandato.
Kassab não descarta voltar ao ministério
Questionado sobre a possibilidade de assumir uma pasta no quarto governo Lula, Kassab afirmou que não trabalha atualmente com essa perspectiva, embora tenha deixado aberta a possibilidade de retornar ao Executivo federal.
“Não está no meu horizonte, já fui de duas pastas. Mas é claro que é muito honroso ser e não descarto voltar mais uma vez”, declarou.
A eventual participação do dirigente no governo, no entanto, não foi apresentada como resultado de uma negociação concluída. Até o momento, as declarações indicam abertura ao diálogo, sem confirmação de acordo político ou distribuição de novos cargos.
Corrupção e polarização continuam no debate
Durante a entrevista, Kassab também contestou a avaliação de que a corrupção teria perdido importância para o eleitorado brasileiro. Ele comparou o ambiente político do segundo turno às manifestações de 2013, ao mencionar um sentimento de indignação presente em parte da sociedade.
O dirigente alertou para o risco de novos movimentos de insatisfação caso os partidos não adotem posicionamentos mais firmes sobre o combate à corrupção.
Ao analisar a participação de Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás que terminou a eleição presidencial de 2026 na quinta colocação, Kassab reconheceu que a candidatura não conseguiu reunir uma parcela expressiva dos eleitores que rejeitavam tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro.
Para ele, a polarização política permanece como uma característica importante do cenário nacional, apesar da presença de outras candidaturas na disputa.
A sinalização de Kassab abre espaço para novas conversas entre o PSD e o Palácio do Planalto, mas uma eventual aproximação dependerá das decisões do governo e das negociações partidárias. O resultado dessas articulações poderá influenciar a composição da base de apoio de Lula no Congresso Nacional e a tramitação de propostas econômicas durante o novo mandato.
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