Justiça / Investigações
Fachin devolve investigação sobre fraudes no INSS a Mendonça, mas mantém caso Master sob sua responsabilidade
Presidente do STF considera encerradas as razões para manter o processo do INSS na presidência; apurações sobre o Banco Master continuarão com ele temporariamente
30/10/2026
07:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu nesta quinta-feira (29) devolver ao ministro André Mendonça a relatoria das investigações sobre descontos ilegais em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A decisão reorganiza a condução de dois casos que provocaram divergências internas na Corte, mas mantém, por enquanto, as apurações relacionadas ao Banco Master sob responsabilidade da presidência do tribunal.
Ao analisar a situação dos processos, Fachin concluiu que não existem mais razões para manter as investigações do INSS sob sua condução.
Com isso, André Mendonça volta a ser responsável pelo acompanhamento judicial do caso, incluindo a análise dos pedidos apresentados pelos órgãos de investigação, conforme a competência do Supremo.
A mudança ocorre após um período de tensão no STF envolvendo decisões judiciais e pedidos de investigação relacionados a informações obtidas pela Polícia Federal.
Investigação do INSS havia sido retirada de Mendonça
Em setembro, a relatoria das investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões foi transferida para a presidência do STF.
A medida ocorreu em meio a divergências sobre decisões judiciais relacionadas a um pedido de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
O nome do magistrado apareceu em mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
A existência de referências a uma pessoa em mensagens investigadas não representa, por si só, comprovação de participação em irregularidades.
Na avaliação apresentada por Fachin, as circunstâncias que justificaram a transferência temporária do processo do INSS deixaram de existir, permitindo o retorno da relatoria ao ministro originalmente responsável.
Caso Banco Master permanece com Fachin
A decisão adotada para as investigações envolvendo o Banco Master foi diferente.
Fachin determinou que os procedimentos permaneçam temporariamente sob sua relatoria, considerando a presença de referências a integrantes do próprio Supremo no material investigado.
O prazo estabelecido é de 90 dias, contados a partir de 12 de setembro, período durante o qual a presidência da Corte continuará responsável pelas providências judiciais necessárias.
Segundo o entendimento do presidente do STF, a situação ainda exige cautela antes que os processos sejam redistribuídos entre os demais ministros.
As investigações relacionadas ao Banco Master também haviam sido retiradas de André Mendonça durante a crise interna registrada em setembro.
Presidente poderá analisar pedidos urgentes
Enquanto os procedimentos envolvendo o Banco Master permanecerem na presidência do Supremo, Edson Fachin será responsável pela análise de eventuais medidas urgentes solicitadas pela Polícia Federal ou pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Entre as providências que poderão ser submetidas ao ministro estão pedidos de revogação de prisões, autorizações para diligências e outras medidas necessárias ao andamento das investigações.
Essa atribuição não significa que novas decisões dessa natureza já tenham sido tomadas. Trata-se da definição de qual ministro terá competência para examinar eventuais solicitações durante o período de transição.
Decisão será analisada pelo plenário do STF
A determinação de Fachin ainda será submetida ao referendo do plenário do Supremo Tribunal Federal.
Isso significa que os demais ministros deverão examinar a medida e decidir se confirmam a organização temporária das relatorias estabelecida pelo presidente da Corte.
Até o momento informado, não havia data definida para o julgamento.
A decisão estabelece, portanto, dois encaminhamentos distintos: a investigação sobre os descontos ilegais no INSS retorna a André Mendonça, enquanto os procedimentos relacionados ao Banco Master permanecem temporariamente com Edson Fachin.
A redistribuição dos processos trata da competência para conduzir as investigações no Supremo e não representa julgamento definitivo sobre a responsabilidade das pessoas mencionadas nas apurações.
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