Política / Congresso
Centrão se aproxima de Lula e negocia com PL disputa pelo comando do Congresso
Reeleição de Hugo Motta e Davi Alcolumbre movimenta partidos; em Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina mantém candidatura ao Senado apesar do apoio de seu bloco ao atual presidente
30/10/2026
08:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A eleição para o comando do Congresso Nacional, marcada para fevereiro de 2027, já provoca uma reorganização das alianças políticas em Brasília. Partidos do chamado Centrão, que apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, agora negociam a manutenção de seus espaços na Câmara e no Senado, enquanto o PL tenta transformar o crescimento de suas bancadas em maior influência sobre as decisões do Legislativo.
As articulações envolvem a possível recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) à Presidência da Câmara dos Deputados e de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ao comando do Senado.
O cenário também tem reflexos diretos em Mato Grosso do Sul, onde a senadora Tereza Cristina (PP-MS) reafirmou sua intenção de disputar a Presidência do Senado, mesmo depois de seu bloco partidário anunciar apoio a Alcolumbre.
A movimentação evidencia que os acordos firmados durante a campanha presidencial não serão necessariamente reproduzidos nas eleições internas do Congresso.
Partidos de centro buscam preservar influência
União Brasil, Progressistas (PP) e Republicanos apoiaram Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial. Entretanto, dirigentes dessas legendas passaram a priorizar as negociações sobre a composição das Mesas Diretoras e a distribuição dos principais cargos parlamentares.
O objetivo é preservar a participação dos partidos nas decisões do Legislativo e manter canais de diálogo com o governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A estratégia não significa adesão automática à agenda governista. As legendas poderão continuar adotando posições diferentes em votações de projetos econômicos, administrativos e políticos.
Ao mesmo tempo, o crescimento do PL aumenta a pressão por espaços nas comissões permanentes e nas estruturas de direção das duas Casas.
PT apoia Hugo Motta, mas impõe condição
Na Câmara dos Deputados, a candidatura à reeleição de Hugo Motta recebeu o apoio da federação formada por PT, PCdoB e PV.
Com a adesão, os partidos que respaldam sua permanência no cargo somam 361 deputados eleitos, conforme o levantamento apresentado nas articulações.
Esse número representa a composição das bancadas vinculadas às legendas apoiadoras, não uma garantia de que todos os parlamentares votarão em Motta.
O apoio da federação de esquerda, entretanto, foi acompanhado de uma condição política.
Se PL e Novo forem incorporados ao bloco que sustenta a candidatura, os partidos da federação poderão retirar seu apoio.
Motta informou que pretende consultar as legendas envolvidas antes de decidir sobre a eventual entrada de novos integrantes.
A exigência cria um desafio para o atual presidente da Câmara, que precisa conciliar interesses de partidos de centro, integrantes da base governista e representantes da oposição.
PL terá maior bancada da Câmara
O Partido Liberal elegeu 121 deputados federais e deverá iniciar a próxima legislatura, em fevereiro de 2027, com a maior bancada da Câmara.
Esse resultado amplia o peso da legenda nas negociações internas, especialmente na distribuição das presidências de comissões.
Entre os colegiados de maior interesse do partido estão a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.
Essas comissões exercem funções importantes na análise de propostas legislativas, na realização de audiências públicas e na fiscalização de políticas governamentais.
A presidência desses colegiados permite influenciar a organização dos trabalhos e a tramitação de matérias, dentro das regras regimentais.
Por isso, mesmo que não consiga eleger um representante para a Presidência da Câmara, o PL poderá utilizar o tamanho de sua bancada para reivindicar participação relevante na estrutura legislativa.
Tereza Cristina enfrenta decisão do próprio bloco
No Senado, a disputa apresenta um cenário diferente.
A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, anunciou apoio à recondução de Davi Alcolumbre.
A decisão contraria a intenção da senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina, que pertence ao Progressistas e já manifestou publicamente sua disposição de concorrer à Presidência da Casa.
A parlamentar argumenta que a escolha da Mesa Diretora é feita por votação individual e secreta, permitindo que os senadores decidam independentemente das orientações partidárias.
Sem o apoio formal da federação, Tereza Cristina busca construir sua candidatura por meio de conversas com parlamentares de diferentes legendas.
A senadora também pretende dialogar com a bancada feminina, incluindo as 12 novas senadoras eleitas para a legislatura que começa em 2027.
A eventual manutenção de sua candidatura poderá ampliar o número de concorrentes e influenciar as negociações entre os grupos políticos.
PL avalia lançar Rogério Marinho
Além de Tereza Cristina, outro possível adversário de Alcolumbre é o senador Rogério Marinho (PL-RN).
O PL marcou uma reunião para quarta-feira, 4 de novembro, quando deverá discutir a estratégia da legenda nas eleições para o comando do Congresso.
A expectativa é de que o partido avalie a oficialização da candidatura de Marinho à Presidência do Senado.
Integrantes da oposição também discutem a possibilidade de um entendimento entre Marinho e Tereza Cristina, com o objetivo de evitar a divisão dos votos entre candidaturas contrárias à recondução de Alcolumbre.
Até o momento, porém, não há acordo anunciado entre os dois parlamentares.
Alcolumbre reúne apoio de cinco partidos
Davi Alcolumbre conta com sinalizações de apoio de MDB, PSD, PT, União Brasil e PP.
Juntas, essas cinco legendas terão 33 senadores na próxima legislatura, segundo os números apresentados nas negociações.
Para vencer a eleição, um candidato precisa alcançar 41 votos, maioria absoluta dos 81 integrantes do Senado.
Isso significa que, mesmo com o respaldo dessas siglas, Alcolumbre precisará conquistar pelo menos oito votos adicionais, considerando que todos os 33 parlamentares apoiem sua candidatura.
A mesma necessidade de formar alianças se aplica aos possíveis concorrentes.
Embora o PL tenha ampliado sua representação, nenhuma bancada dispõe isoladamente dos votos necessários para eleger o presidente da Casa.
Presidência do Senado também influencia relação com STF
A disputa pelo comando do Senado envolve atribuições que vão além da organização das sessões legislativas.
O presidente da Casa possui papel institucional relevante na tramitação de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), assunto que ganhou destaque entre parlamentares da oposição.
Rogério Marinho defende mudanças nas regras de análise dessas denúncias, uma pauta de interesse de integrantes do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O tema deverá integrar as negociações entre os senadores, ao lado da distribuição de cargos, da composição das comissões e das prioridades legislativas.
Disputa será definida em fevereiro
As eleições para as presidências da Câmara e do Senado estão previstas para 1º de fevereiro de 2027, no início da nova legislatura.
Até lá, os partidos deverão negociar apoios e definir suas candidaturas, em um processo que poderá alterar as alianças formadas durante a campanha presidencial.
Na Câmara, Hugo Motta trabalha para manter o apoio de partidos de centro e esquerda sem perder capacidade de negociação com a oposição.
No Senado, Davi Alcolumbre busca ampliar sua base, enquanto Rogério Marinho poderá representar a candidatura do PL e Tereza Cristina tenta viabilizar uma alternativa com participação de diferentes bancadas.
Para Mato Grosso do Sul, a movimentação merece atenção especial pela presença da senadora do PP na disputa.
O resultado dependerá da capacidade dos candidatos de reunir apoios além de seus próprios partidos, em uma eleição na qual o tamanho das bancadas e os acordos políticos terão peso decisivo.
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