Justiça / Disputa
Justiça rejeita pedido de advogado para retirar publicações de Richarlison sobre ilha no Rio
Jogador acusa Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro de envolvimento em disputa por imóvel em Angra dos Reis; decisão mantém postagens, mas não resolve conflito sobre a propriedade
30/10/2026
08:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Justiça do Distrito Federal negou um pedido do advogado Willer Tomaz para obrigar o jogador Richarlison, ex-integrante da Seleção Brasileira, a excluir publicações nas redes sociais sobre uma disputa envolvendo uma ilha em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Nas postagens, o atleta acusa o advogado e o senador Flávio Bolsonaro (PL) de participação em uma operação que, segundo sua versão, resultou na perda do imóvel sem o pagamento correspondente.
A decisão foi proferida pelo juiz Giordano Resende Costa, da 4ª Vara Cível de Brasília, em ação apresentada por Willer Tomaz e pela empresa WT Administração de Imóveis e Bens.
O magistrado rejeitou a solicitação de retirada das publicações. A decisão, entretanto, não representa reconhecimento judicial da veracidade das acusações feitas pelo jogador nem define quem possui os direitos sobre a área disputada.
Richarlison afirma ter comprado imóvel em 2020
O conflito envolve uma área localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis.
Em publicação feita no Instagram no dia 21 de outubro, Richarlison afirmou que adquiriu o imóvel em outubro de 2020 e que uma decisão da Justiça do Rio de Janeiro teria reconhecido sua posse.
Segundo o atleta, apesar desse reconhecimento, o processo de regularização da área teria enfrentado dificuldades administrativas.
Ele atribuiu parte do problema à Secretaria do Patrimônio da União (SPU), órgão federal responsável pela administração de imóveis pertencentes à União.
Na publicação, Richarlison alegou que seu pedido de regularização permaneceu sem andamento durante aproximadamente dez meses.
Jogador acusa grupo de utilizar empresa para disputar área
Nas manifestações públicas, Richarlison afirmou que pessoas ligadas ao advogado Willer Tomaz teriam utilizado uma empresa que, segundo ele, estava inapta desde 2018 para reivindicar direitos sobre a ilha.
O jogador também alegou que a operação envolveria antigos sócios falecidos e uma viúva de 78 anos, que teria sido induzida a participar da negociação.
“O nosso pedido de regularização foi jogado na gaveta do Governo Federal (SPU) por 10 meses”, escreveu o atleta.
Em seguida, acusou o grupo ligado ao advogado de ter utilizado a estrutura empresarial para assumir o controle do imóvel.
Essas afirmações constituem alegações de Richarlison e não devem ser confundidas com fatos comprovados pela decisão da Justiça de Brasília.
Flávio Bolsonaro também foi citado nas publicações
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência da República nas eleições de 2026, também foi mencionado nas acusações feitas pelo jogador.
Richarlison divulgou uma captura de tela que apresentou como sendo uma conversa com o parlamentar, na qual teria solicitado a devolução de valores relacionados ao negócio.
O atleta publicou ainda imagens de contratos e documentos judiciais que, segundo sua interpretação, sustentariam sua posição na disputa.
A divulgação desses materiais não permite, isoladamente, concluir que o senador tenha participado de alguma irregularidade.
O conteúdo e o contexto da suposta conversa, assim como as responsabilidades atribuídas a cada envolvido, dependem de comprovação.
Advogado tentou retirar conteúdo das redes sociais
Diante da repercussão das postagens, Willer Tomaz e a WT Administração de Imóveis e Bens recorreram à Justiça para solicitar que Richarlison fosse obrigado a apagar as publicações.
O pedido foi analisado pelo juiz Giordano Resende Costa, que decidiu não determinar a exclusão do conteúdo.
A negativa significa que, nessa etapa do processo, não foi imposta ao jogador a obrigação judicial de remover as manifestações questionadas.
O alcance da decisão deve ser limitado ao pedido examinado. Ela não equivale a um julgamento definitivo sobre a titularidade da ilha ou sobre eventuais responsabilidades civis e criminais relacionadas ao conflito.
Defesa de Willer não havia se manifestado
O Estadão/Broadcast informou que procurou a assessoria de imprensa de Willer Tomaz para obter um posicionamento sobre a decisão.
Até o fechamento da reportagem original, na noite de quinta-feira (29), não havia recebido resposta.
O material divulgado também não apresenta uma manifestação específica de Flávio Bolsonaro sobre as acusações relacionadas ao imóvel.
Disputa sobre a ilha continua sem definição nesta decisão
O caso envolve questões distintas: a situação jurídica da área em Angra dos Reis, as negociações realizadas entre os interessados e o direito de Richarlison de divulgar publicamente sua versão dos acontecimentos.
A decisão da 4ª Vara Cível de Brasília tratou do pedido para retirada das postagens, sem solucionar o conflito patrimonial descrito pelo jogador.
Eventuais responsabilidades dos envolvidos e a validade dos documentos apresentados deverão ser examinadas nos procedimentos judiciais competentes.
O Jornal do Estado MS mantém espaço aberto para manifestações de Willer Tomaz, da WT Administração de Imóveis e Bens, de Flávio Bolsonaro e de Richarlison.
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